Vigília da Epifania
5 DE JANEIRO
A VIGÍLIA DA EPIFANIA
Terminou a festa do Natal; concluíram-se as quatro Oitavas; estamos já diante da solenidade da Epifania do Salvador. Resta-nos apenas um dia para nos prepararmos para a plena Manifestação que o Anjo do grande Conselho nos há de fazer do mistério de sua glória. Mais algumas horas, e a estrela se deterá, e os Magos baterão à porta da casa de Belém.
Esta Vigília não é de penitência, como a do Natal. Já chegou o Menino que então esperávamos com coração compungido e com os anseios de nossa alma; temo-lo entre nós, e agora Ele nos prepara novas graças. Como os dias que a precederam, este dia, véspera da nova festa, é um dia de alegria. Portanto, nada de jejuns na Vigília; a Santa Igreja tampouco se reveste de ornamentos de luto. Hoje ostenta as cores brancas, como também o fará amanhã. Este dia é o duodécimo do Nascimento do Salvador.
Se a Vigília da Epifania cair em domingo, não é antecipada como as demais Vigílias, participando nisso do mesmo privilégio da Vigília do Natal. Goza de todas as prerrogativas dos domingos; a Missa é a do domingo dentro da Oitava do Natal. Celebremos, pois, esta Vigília em íntima alegria, preparando nossas almas para receber as graças que lhes estão reservadas1.
A Igreja grega guarda hoje jejum em memória da preparação para o Batismo, que em outros tempos, e sobretudo no Oriente, era administrado durante a noite anterior ao dia da Epifania. Ainda hoje, nesta festa, ela benze com toda solenidade as águas batismais; desta cerimônia, cujos vestígios ainda não desapareceram completamente entre nós, falaremos em outro lugar mais detidamente.
A Santa Igreja romana faz memória neste dia de um de seus Papas Mártires, São Telésforo. Este Pontífice subiu à Sé Apostólica no ano 127. Sofreu glorioso martírio, segundo a expressão de Santo Irineu, e foi coroado com a glória celestial no ano 138. O Liber Pontificalis indica que foi sepultado junto a São Pedro, no Vaticano.
Nossas últimas palavras no Advento foram as da Esposa, na profecia do Discípulo amado: Vinde, Senhor Jesus, vinde! Terminaremos a primeira parte do Tempo do Natal com uma frase de Isaías que a Santa Igreja repetiu em tom de triunfo: Um Menino nos nasceu! Os céus destilaram seu orvalho, o Justo desceu do céu, a terra gerou o Salvador, o Verbo se fez carne, a Virgem deu à luz seu fruto, o Emanuel, isto é, o Deus conosco.
O Sol de justiça brilha agora entre nós, as trevas fugiram: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens! Estes são os bens que alcançamos graças à humilde e gloriosa vinda deste Menino. Adoremo-lo em seu berço; amemo-lo por tanto amor; preparemos os presentes que amanhã deveremos oferecer-lhe com os Magos. A alegria da Santa Igreja continua; os Anjos permanecem admirados; a criação inteira está transbordante de júbilo: Um Menino nos nasceu!
1. Esta Vigília, única em todo o ano litúrgico, é de rito semi-duplo; possui as Primeiras Vésperas e um Ofício de nove Lições. Além disso, não menciona o mistério da Epifania. A Missa é a da Oitava do Natal. O Evangelho e a Homilia falam do retorno da Sagrada Família à Galileia. Na realidade, portanto, não é uma Vigília no sentido em que esta palavra é normalmente entendida, mas uma continuação da festa do Natal, uma espécie de transição festiva para a solenidade da Epifania. Esta Vigília também substitui o Ofício do domingo entre a Circuncisão e a Epifania, e possui todos os seus privilégios.


