Oratório São José

V Domingo depois da Páscoa

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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V DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA

O quinto domingo depois da Páscoa é chamado, na Igreja grega, o domingo do Cego de nascença, porque nele se lê a narração do Evangelho em que se refere a cura deste cego. Chama-se também o domingo do Episozomeno, que é um dos nomes com que os gregos designam o mistério da Ascensão, cuja solenidade, entre eles como entre nós, interrompe o curso desta semana litúrgica.

MISSA

Isaías fornece a matéria do Intróito. Sua voz convida todas as nações da terra a celebrar a vitória que Cristo ressuscitado trouxe e cujo preço foi a nossa libertação.

INTRÓITO – Anunciai-o com voz jubilosa, e que seja ouvido, aleluia; anunciai-o até os confins da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia, aleluia.
Salmo: Cantai jubilosamente a Deus, toda a terra; dizei um salmo ao seu nome; glorificai o seu louvor. V. Glória ao Pai.

Na Coleta, a Santa Igreja nos ensina que nossos pensamentos e nossas ações, para serem meritórios para a vida eterna, necessitam da graça que inspire os primeiros e ajude a nossa vontade a cumprir as segundas.

COLETA – Ó Deus, de quem procedem todos os bens: dai-nos, a nós que Vos suplicamos, a graça de que, com a vossa inspiração, pensemos o que é reto, e de que, com a vossa direção, o pratiquemos. Pelo Senhor.


EPÍSTOLA – Leitura da Epístola do Apóstolo São Tiago.

Caríssimos: Sede praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, tal homem será comparado a alguém que contempla num espelho o seu rosto natural: olha-se, vai-se embora, e logo se esquece de como era. Mas aquele que contemplar a lei perfeita da liberdade e nela perseverar, não sendo ouvinte esquecido, mas realizador da obra, este será bem-aventurado em sua ação. E, se alguém julga ser religioso, não refreando a própria língua, mas enganando o próprio coração, a religião de tal homem é vã. A religião pura e imaculada diante de Deus e do Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em sua tribulação e conservar-se incontaminado deste mundo.

AS OBRIGAÇÕES DE NOSSA VIDA NOVA. — O santo Apóstolo, cujos conselhos acabamos de ouvir, havia recebido os ensinamentos do Salvador ressuscitado; não devemos, pois, admirar-nos do tom autoritativo com que nos fala. Também Jesus se dignara conceder-lhe uma de suas manifestações particulares: isto nos demonstra o afeto com que distinguia este Apóstolo, ao qual o uniam laços de sangue por sua mãe, chamada também Maria. Vimos esta santa mulher dirigir-se ao sepulcro, com Salomé, sua irmã, em companhia de Madalena. Tiago, o Menor, é verdadeiramente o Apóstolo do Tempo Pascal, em que tudo nos fala da vida nova que devemos levar com Cristo ressuscitado. É o Apóstolo das obras e aquele que nos transmitiu esta máxima fundamental do cristianismo: que, se a fé é necessária antes de tudo para o cristão, esta virtude, sem as obras, é uma fé morta que não pode salvá-lo.

Insiste hoje sobre a obrigação que temos de cultivar em nós mesmos a atenção às verdades que primeiramente compreendemos e de nos mantermos em guarda contra esse esquecimento culpável que causa tantos estragos nas almas inconsideradas. Entre aqueles em quem se realizou o mistério da Páscoa, alguns não perseverarão nele; e esta desgraça lhes sucederá porque se entregaram ao mundo, em lugar de usar do mundo como se dele não usassem. Recordemos sempre que devemos caminhar numa vida nova, à imitação da de Jesus ressuscitado, que já não pode morrer.

Os dois versículos do Aleluia celebram o esplendor de sua ressurreição; mas neles já se anuncia a sua próxima Ascensão. Saído eternamente do Pai, descido no tempo até a nossa morada terrena, adverte-nos que dentro de poucos dias vai subir de novo para o Pai.

Aleluia, aleluia.
V. Cristo ressuscitou e iluminou-nos, a nós que remiu com seu sangue.
Aleluia.
V. Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai. Aleluia.


EVANGELHO – Continuação do santo Evangelho segundo São João.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome. Pedi, e recebereis, para que a vossa alegria seja plena. Disse-vos estas coisas em parábolas. Chega a hora em que já não vos falarei em parábolas, mas claramente vos falarei do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome; e não vos digo que eu rogarei ao Pai por vós, porque o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que eu saí de Deus. Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai. Disseram-lhe seus discípulos: Eis que agora falas claramente e não dizes parábola alguma. Agora sabemos que sabes tudo e que não é preciso que alguém te pergunte; por isso cremos que saíste de Deus.

A DESPEDIDA DE CRISTO. — Quando o Salvador, na Última Ceia, anunciou deste modo a seus Apóstolos sua próxima partida, eles ainda estavam longe de compreender o que isso significava. Contudo, já criam “que havia saído de Deus”. Mas esta crença era vacilante, pois ainda não devia ter uma realização imediata. Nos dias em que nos encontramos, rodeando seu Mestre ressuscitado, iluminados por suas palavras, chegam a compreendê-lo melhor. Chegou o momento “em que já não lhes fala em parábolas”; vimos que ensinamentos lhes dá, como os prepara para serem os doutores do mundo. Agora podem dizer-lhe: “Ó Mestre, verdadeiramente saíste de Deus”. Mas, por isso mesmo, já compreendem a perda de que são ameaçados; têm a ideia do imenso vazio que sua ausência lhes fará sentir.

Jesus começa a recolher o fruto que sua divina bondade semeou neles e que esperou com tão inefável paciência. Se no Cenáculo, na Quinta-Feira Santa, já os felicitava por sua fé, agora que o viram ressuscitado, que o ouviram, merecem seus elogios de modo muito diverso, porque se tornaram mais firmes e mais fiéis. “O Pai vos ama — lhes dizia então — porque vós me amais”; quanto mais deve amá-los o Pai agora que seu amor se acrescentou!

Estas palavras devem infundir também em nós esperança. Antes da Páscoa, amávamos fracamente o Salvador; estávamos vacilantes em seu serviço. Agora que fomos instruídos por Ele, fortalecidos por seus mistérios, podemos esperar que o Pai nos amará, porque nós amamos mais, amamos melhor o seu Filho. Este divino Redentor convida-nos a pedir ao Pai, em seu nome, todas as nossas necessidades. A primeira de todas é a nossa perseverança no espírito da Páscoa; insistamos para obtê-la e ofereçamos, com esta intenção, a Santa Vítima que dentro de poucos instantes será apresentada sobre o altar.

O Ofertório, tirado dos Salmos, é um cântico de ação de graças. O fiel, unido a Jesus ressuscitado, oferece a Deus louvor, porque Se dignou firmá-lo na vida nova, fazendo-o participante de suas misericórdias mais escolhidas.


OFERTÓRIO – Bendizei, povos, ao Senhor nosso Deus, e fazei ouvir a voz de seu louvor: Ele deu vida à minha alma e não permitiu que meus pés vacilassem. Bendito seja o Senhor, que não rejeitou minha oração nem afastou de mim a sua misericórdia, aleluia.

Na Secreta, a Igreja pede para nós a entrada na glória celeste, cujo átrio é a Páscoa terrena. Todos os mistérios operados aqui embaixo têm por fim santificar-nos, para preparar-nos à visão e posse eterna de Deus.


SECRETA – Recebei, Senhor, as preces dos fiéis com as oblações das hóstias, para que, por estes atos de nossa piedosa devoção, passemos à glória celeste. Pelo Senhor.

A Antífona da Comunhão é um cântico de júbilo que exprime a alegria contínua da Páscoa.

COMUNHÃO – Cantai ao Senhor, aleluia; cantai ao Senhor e bendizei o seu nome; anunciai de dia em dia a sua salvação, aleluia, aleluia.

A Santa Igreja sugere-nos, na Pós-Comunhão, a fórmula de nossas súplicas a Deus. É necessário desejar o bem; peçamos esse desejo e continuemos nossa oração até que o próprio bem nos chegue. A graça descerá então, e ela fará em nós que não a desprezemos.

PÓS-COMUNHÃO – Dai-nos, Senhor, a nós que fomos saciados com a virtude da mesa celeste, o desejar o que é reto e o alcançar o que desejamos. Pelo Senhor.

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