Oratório São José
  • Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

    I Domingo do Advento

    I DOMINGO DO ADVENTO Este domingo, primeiro do Ano eclesiástico, recebe nos documentos e crônicas da Idade Média o nome de Dominica Ad te levavi, pelas primeiras palavras do Introito, ou também o de Domingo Aspiciens a longe, pelas primeiras palavras de um dos Responsórios do Ofício de Matinas. A Estação1 celebra-se em Santa Maria Maior; a Igreja quer começar anualmente o ciclo do Ano litúrgico sob o amparo de Maria, na augusta Basílica que venera a gruta de Belém, e que por esta razão se chama, nos antigos monumentos, Santa Maria ad Praesepe. Impossível escolher lugar mais apropriado para saudar desde já o próximo e divino parto que há…

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    Prática do Advento

    PRÁTICA DO ADVENTO VIGILÂNCIA Se nossa Mãe, a Santa Igreja, passa o tempo do Advento ocupada nesta solene preparação para o tríplice Advento de Jesus Cristo; se, como as virgens prudentes, permanece com a lâmpada acesa para a chegada do Esposo, nós, que somos seus membros e filhos, devemos participar dos sentimentos que a animam e fazer nossa esta advertência do Salvador: “Estejam cingidos os vossos rins como os dos peregrinos; brilhem em vossas mãos tochas acesas; e sede semelhantes aos servos que esperam o seu senhor”1. Com efeito, a sorte da Igreja é também a nossa; cada uma de nossas almas é objeto, da parte de Deus, de uma…

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    Mística do Advento

    MÍSTICA DO ADVENTO O TRÍPLICE ADVENTO Se, depois de termos detalhado as características que distinguem o tempo do Advento de qualquer outro tempo, quisermos agora penetrar nas profundezas do mistério que ocupa a Igreja durante este período, veremos que o mistério do Advento de Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, simples e tríplice. Simples, porque é o mesmo Filho de Deus que vem; tríplice, porque vem em três ocasiões e de três maneiras. “No primeiro Advento — diz São Bernardo no quinto Sermão sobre o Advento —, vem em carne e fraqueza; no segundo, vem em espírito e poder; no terceiro, vem em glória e majestade. O segundo Advento é…

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    Prática do Tempo do Natal

    PRÁTICA DO TEMPO DE NATAL IMITAR A IGREJA Chegou o momento em que a alma fiel vai colher o fruto dos esforços realizados na penosa caminhada do Advento, para preparar uma morada ao Filho de Deus, que deseja nascer nela. Chegou o dia das bodas do Cordeiro, e a Esposa está preparada 1. Ora, esta Esposa é a Santa Igreja; toda alma fiel é esposa. O Deus infinito se dá inteiramente e com uma especial ternura a todo o rebanho e a cada uma de suas ovelhas. Qual será o nosso ornamento para sair ao encontro do Esposo? Quais as pérolas e joias com que decoraremos nossas almas para tão…

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    Mística do Tempo do Natal

    MÍSTICA DO TEMPO DO NATAL Tudo é misterioso nos dias que nos ocupam. O Verbo divino, cuja geração é anterior à aurora, nasce no tempo; um Menino é Deus; uma Virgem é Mãe permanecendo Virgem; entrelaçam-se o divino e o humano, e a sublime e inefável antítese expressa pelo discípulo amado naquela frase de seu Evangelho: O VERBO SE FEZ CARNE, repete-se sob todas as formas e tons nas orações da Igreja, resumindo admiravelmente o grande prodígio que acaba de se verificar na união da natureza divina com a humana. Mistério desconcertante para a inteligência, mas doce ao coração dos fiéis; é a consumação dos desígnios divinos no tempo, motivo…

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    História do Advento

    HISTÓRIA DO TEMPO DO ADVENTO SEU NOME Na Igreja latina, dá-se o nome de Advento1 ao tempo destinado pela Igreja para preparar os fiéis para a celebração da festa do Natal, aniversário do Nascimento de Jesus Cristo. O mistério desse grande dia merecia, sem dúvida, a honra de um prelúdio de oração e penitência; mas é impossível determinar com certeza a época em que foi instituído esse tempo de preparação, que só mais tarde recebeu o nome de Advento2. O Advento pode ser considerado sob dois pontos de vista diferentes: como um tempo de preparação propriamente dita para o Nascimento do Salvador, por meio de práticas de penitência, ou como…

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    Introdução Geral

    INTRODUÇÃO GERAL O MAIOR BEM A oração é, para o homem, o maior de seus bens. É sua luz1, seu alimento, sua própria vida, pois ela o põe em comunicação com Deus, que é luz, alimento2 e vida3. Ora, nós, de nossa parte, somos incapazes de orar como convé4; é necessário que nos dirijamos a Jesus Cristo para dizer-lhe, como os Apóstolos: Senhor, ensinai-nos a orar5. Só Ele é capaz de desatar a língua dos mudos e de tornar eloquentes os lábios das crianças, operando este prodígio por meio de seu Espírito de graça e de oração6, que se compraz em ajudar a nossa fraqueza, suplicando dentro de nós com…

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    XXIV Domingo depois de Pentecostes

    XXIV DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES O FIM DO ANO LITÚRGICO O número de Domingos depois de Pentecostes pode passar de vinte e quatro e chegar até vinte e oito, conforme a Páscoa se aproxime mais ou menos, nos diversos anos, do equinócio da primavera. Mas a Missa que segue reserva-se sempre para o último; o intervalo é preenchido, quando existe, com os vários Domingos, mais ou menos numerosos, depois da Epifania, que nesse caso não foram usados no princípio do ano litúrgico. Com efeito, os mistérios novos apagam-se a si mesmos para dar lugar aos esplendores da eterna aliança. A MISSA DESTE DIA A Igreja, pois, detinha antigamente aqui a…

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    XXII Domingo depois de Pentecostes

    XXII DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES MISSA Segundo Honório de Autun, a Missa do dia refere-se ao tempo do Anticristo1. A Igreja lança o seu olhar para aquilo que há de vir, para o reino deste homem de pecado2, e, como que sentindo já os golpes da tremenda perseguição dos últimos dias, toma o Intróito do Salmo 129. Se quisermos uma aplicação atual e sempre prática, dada a nossa miséria, em consonância com o sentido profético de que hoje se revestem as palavras deste Salmo, recordemos o Evangelho da semana anterior, que outrora era o deste Domingo. Cada qual se reconhecerá na pessoa do devedor insolvente que só confia na bondade…

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    XXI Domingo depois de Pentecostes

    XXI DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES O OFÍCIO Os domingos que se seguem são os últimos do ciclo anual; mas o grau de proximidade que os relaciona com seu último termo varia todos os anos conforme a Páscoa. Esta variação impossibilita a coincidência exata entre a composição de suas Missas e as leituras do Ofício noturno, que se fazem de modo fixo desde agosto, da maneira que já dissemos1. A instrução que os fiéis devem tirar da sagrada Liturgia seria incompleta, e eles tampouco veriam a solicitude da Igreja nestas últimas semanas tão claramente como convém para se deixarem dominar inteiramente por ela, se passassem despercebidas para eles as leituras que…