Oratório São José

VI dia da Oitava da Epifania

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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11 DE JANEIRO
SEXTO DIA DA OITAVA DA EPIFANIA

OS DONS DOS MAGOS

Os Magos não se contentaram em adorar o grande Rei que Maria apresentava à sua veneração. Como a Rainha de Sabá, que veio honrar o Rei pacífico na pessoa do sábio e opulento filho de Davi, os três Reis do Oriente abriram seus tesouros e tiraram ricos presentes. O Emanuel dignou-se aceitar seus misteriosos dons; mas, como Salomão, seu avô, não deixou partir vazios os Príncipes, antes os cumulou de presentes infinitamente mais ricos que aqueles que Ele havia aceitado. Os Magos lhe apresentaram oferendas terrenas; Jesus os cumulou de dons celestiais. Fortaleceu neles a fé, a esperança e a caridade; em suas pessoas enriqueceu toda a sua Igreja, que eles representavam, enquanto deixou na miséria a Sinagoga que os havia deixado partir sozinhos em busca do Rei de Israel. Cumpriram-se as palavras do sagrado Cântico de Maria: “Aos famintos cumulou de bens, e aos ricos despediu de mãos vazias”.

Mas consideremos os presentes dos Magos e reconheçamos, com a Igreja e os Padres, os mistérios que neles se encerram. Três foram os dons, a fim de honrar o sagrado número das Pessoas na unidade da Essência divina; mas este número inspirado alcançava uma nova aplicação no tríplice caráter do Emanuel. O Filho de Deus vinha reinar no mundo: convinha oferecer-lhe o ouro, que indica o poder supremo. Vinha exercer o Supremo Sacerdócio e, por seu intermédio, reconciliar o céu com a terra: era conveniente oferecer-lhe o incenso, que deve queimar nas mãos do sacerdote. Só sua morte podia dar-lhe posse do trono preparado para sua humanidade gloriosa; essa morte devia inaugurar o eterno Sacrifício do divino Cordeiro; ali estava a mirra, para representar a morte e a sepultura de uma vítima imortal.

O Espírito Santo, inspirador dos Profetas, havia, portanto, inspirado os Magos na escolha destes misteriosos dons. Diz-nos isto São Leão, com toda a sua eloquência, em um de seus sermões sobre a Epifania:

“Ó fé admirável, que conduz à perfeita ciência, e que não foi ilustrada na escola de uma sabedoria terrena, mas na do próprio Espírito Santo! Pois onde haviam descoberto a natureza inspirada destes presentes aqueles homens que saíram de sua pátria sem ainda terem visto Jesus, sem terem encontrado em seus olhares a luz que com tanta segurança dirigiu a escolha de suas oferendas? Ao mesmo tempo que a Estrela iluminava seus olhos corporais, os raios da verdade penetravam em seus corações com maior viveza. Antes de empreender os trabalhos de uma longa viagem, já haviam conhecido Aquele a quem, com o ouro, deviam prestar honras de Rei; com o incenso, culto divino; e, com a mirra, fé em sua mortalidade.”

Se é verdade que estes presentes representam maravilhosamente as características do Homem-Deus, não é menos verdade que estão cheios de ensinamentos pelas virtudes que significam, e que o divino Menino reconhecia e confirmava na alma dos Magos. O ouro significa para nós, como para eles, o amor que une a Deus; o incenso, a oração que atrai e conserva Deus no coração do homem; a mirra, a renúncia, a dor, a mortificação, meios pelos quais nos subtraímos à escravidão da natureza corrompida. Encontrai um coração amante de Deus, que se eleve a Ele pela oração, que compreenda e saiba saborear a virtude da Cruz; e tereis nesse coração o dom mais digno de Deus, aquele que sempre lhe será agradável.

Abrimos, pois, nossos cofres, ó Jesus, pondo a teus pés nossos dons. Depois de havermos confessado tua tríplice glória de Deus, Sacerdote e Homem, suplicamos-te que aceites o desejo que temos de responder com amor ao amor que nos manifestas; até nos atrevemos a dizer-te que te amamos, ó Deus, ó Sacerdote, ó Homem! Aumenta este amor nascido ao calor de tua graça.

Atende também a nossa oração, tíbia e imperfeita, mas unida à de tua Igreja. Ensina-nos a fazê-la de maneira digna de Ti e proporcionada aos efeitos que queres que produza; cria-a em nós, para que se eleve continuamente de nosso coração como uma nuvem de aromas. Recebe, finalmente, a homenagem de nossos corações contritos e arrependidos, e a vontade que temos de impor aos nossos sentidos o freio que os domine e a expiação que os purifique.

Iluminados pelos excelsos mistérios que nos revelam a grandeza de nossa miséria e a imensidade de teu amor, sentimos a necessidade que agora, mais do que nunca, temos de nos afastar do mundo e de suas concupiscências, para nos darmos a Ti. Não terá brilhado em vão a Estrela sobre nós; não nos terá conduzido em vão até Belém, onde Tu és o Rei dos corações. Pois, quando Tu mesmo te entregas a nós, ó Emanuel, teremos nós algum tesouro que não queiramos depositar a teus pés?

Ó Maria, protege nossa oferenda! A dos Magos foi agradável a teu Filho porque foi feita por teu intermédio; a nossa, apresentada por ti, será grata apesar de sua imperfeição. Vem em auxílio de nosso amor com o teu; apoia nossas preces por meio de teu maternal Coração; fortalece-nos na luta contra o mundo e contra a carne. Faze que, para assegurar nossa perseverança, nunca esqueçamos os doces mistérios que agora celebramos, e que, como tu, os guardemos sempre gravados em nosso coração.

Quem seria capaz de ofender Jesus em Belém, ou de recusar algo ao seu amor no momento em que, sobre teus joelhos, Ele aguarda nossos presentes? Ó Maria, faze que nunca nos esqueçamos de que somos filhos dos Magos, e que Belém está sempre aberta para nós!

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