Oratório São José

Terça-Feira da III semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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TERÇA-FEIRA DA TERCEIRA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías

Deus quer perdoar

O Senhor vos espera para vos perdoar; levanta-se para ter misericórdia de vós. Porque o Senhor é um Deus de justiça; felizes os que confiam n’Ele. Ó povo de Sião, que habitas em Jerusalém, já não terás mais pranto! Ele te perdoará ao ouvir os teus gemidos; imediatamente te escutará.

Depois do castigo, Israel seguirá o reto caminho

Quando o Senhor te tiver dado o pão da angústia e a água da tribulação, não se ocultarão aqueles que te instruem. Teus ouvidos escutarão a palavra de teus diretores: “Eis o caminho; segui-o quando vos desviardes para a direita ou para a esquerda”.

Israel gozará dos frutos da terra

Ele te dará a chuva para a semente que semeares na terra; e o pão que a terra produzir será substancioso e nutritivo. Naquele dia, teus rebanhos pastarão em férteis prados; e os bois e os jumentos que lavram a terra comerão o alimento limpo, joeirado na eira.

Formosura e luz no dia da salvação

Então haverá arroios e correntes de água sobre toda alta montanha e sobre toda colina elevada, no dia da grande mortandade, quando as torres desabarem. Então a lua brilhará como o sol, e a luz do sol será sete vezes maior, no dia em que o Senhor puser uma ligadura sobre a ferida de seu povo e curar as chagas de seus golpes.

O dia do Senhor para as nações

Eis o nome do Senhor que vem de longe, montado em cólera sobre densa nuvem: seus lábios exalam ira; sua língua é como fogo abrasador. Seu sopro é como uma torrente transbordante que sobe até a garganta, para joeirar as nações na peneira destruidora e pôr um freio de erro nas mandíbulas dos povos.
(Is., XXX, 18-21. 23-28.)

Assim, pois, não choraremos mais, ó Jesus; eis que ides atender aos nossos gemidos, e nossos olhos Vos verão, a Vós, nosso Senhor, nosso Mestre. Se ainda tardais, é para ter misericórdia de nós, pois pusestes a vossa glória em perdoar-nos.

Ó ditoso Reino o vosso! Ó que fertilidade a dos nossos campos, isto é, das nossas almas, logo que o vosso orvalho descer sobre elas! Ó doçura e suavidade do nosso Pão, que sereis Vós mesmo, ó Pão da vida descido do céu! Ó resplendor luminoso com que haveis de alegrar nossos olhos mortais no dia em que estancardes nossas feridas!

Venha, pois, quanto antes este ditoso dia; aproxime-se essa noite radiante em que Maria há de aliviar-se de sua divina carga. É tão grande a confiança de nossos corações nessa misericordiosa vinda, que nos causa menos espanto o pavoroso anúncio de vosso Profeta, o qual, saltando por cima do tempo com a rapidez de vossa palavra, nos anuncia já a proximidade do dia temível em que chegareis de repente, vomitando ira, com os lábios indignados e a língua semelhante a uma chama devoradora.

Hoje nos contentamos em esperar, aguardando um Advento inteiramente pacífico. Sede-nos propício no último dia; mas agora deixai que Vos digamos com um de vossos piedosos servos, o venerável Pedro de Celles, em seu primeiro Sermão do Advento:

“Vinde, sim, ó Jesus!, mas envolto em panos, não em armas; em humildade, não em grandeza; na gruta, não sobre as nuvens do céu; nos braços de vossa Mãe, não sobre o trono de vossa Majestade; sobre o jumentinho, e não sobre os querubins; a nós, e não contra nós; para salvar, e não para julgar; para visitar em paz, e não para condenar na ira. Ó Jesus, se assim vierdes, iremos ao vosso encontro em vez de fugir de Vós!”.

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