Oratório São José

Sexta-Feira da II semana do Advento.

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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SEXTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DO ADVENTO

Do profeta Isaías

A terra é devastada, e todos os seus habitantes são castigados por seus pecados

Eis que o Senhor devastará a terra e a despojará, mudará a sua face e dispersará os seus moradores. A mesma sorte terão o povo e o sacerdote, o senhor e o escravo, a senhora e a serva, o que vende e o que compra, o que empresta e o que recebe, o devedor e o credor.

Com efeito, a terra será devastada e entregue à pilhagem, porque o Senhor o sentenciou. A terra está desolada e languesce; o mundo se consome pouco a pouco, e o céu se consome com a terra. A terra se acha profanada por seus habitantes, porque violaram a lei, transgrediram os preceitos e quebrantaram a aliança eterna.

Por isso, a terra é devorada pela maldição, e seus habitantes pagam a pena de seus delitos. Por isso, os moradores da terra são consumidos, e os sobreviventes são muito poucos.

Toda espécie de alegria é desterrada da terra

A vinha está triste, seus pâmpanos languescem, e os que saboreavam o prazer choram. Cessou o alegre som dos tamborins; já não se ouve a ruidosa algazarra nem o festivo som da cítara. Não se bebe o vinho em meio aos cânticos; toda bebida se torna amarga ao bebedor. A cidade do caos está em ruínas; as portas das casas estão fechadas. Ouvem-se gemidos nas ruas: “Não há vinho!”. Terminou toda alegria; o gozo foi desterrado da terra. A cidade está desolada, as portas derrubadas e destruídas. Com efeito, tudo isto sucederá nesta terra, no meio dos povos, como quando se varejam as oliveiras e se vem fazer a rebusca depois da vindima.

Os justos são salvos

Estes elevam a voz e cantam; aclamam majestosamente o Senhor no ocaso. Também nas ilhas, nas ilhas do mar, glorifica-se o Senhor, o nome do Senhor, o Deus de Israel. Desde as extremidades da terra ouvimos este cântico: “Glória ao Justo!”. (Is., XXIV, 1-16.)

Deste modo estava desolada a terra quando o Messias veio libertá-la e salvá-la. As verdades haviam diminuído de tal forma entre os filhos dos homens, que o gênero humano ameaçava ruína. Cada vez mais se obscurecia o conhecimento do Deus verdadeiro: a idolatria profanava toda a criação com os objetos de seu culto adúltero; uma moral sem freio era consequência de uma religião tão grosseira; o homem estava sempre em armas contra o homem; a ordem social não tinha outra garantia senão a escravidão e o extermínio.

Era difícil encontrar homens que buscassem a Deus no meio de tantos povos; eram tão raros sobre a terra como as azeitonas esquecidas na árvore depois da colheita, como os cachos que o vindimador abandona na cepa. Estes foram, no Judaísmo, os verdadeiros israelitas que o Senhor tomou por discípulos; e, na gentilidade, os Magos que vieram do Oriente perguntando pelo Rei recém-nascido, e mais tarde o centurião Cornélio, enviado pelo Anjo do Senhor a São Pedro. Mas com quanta fidelidade e alegria reconheceram o Deus encarnado! Que brados de júbilo saíram de seus lábios quando souberam que tinham sido escolhidos para ver com os próprios olhos o Salvador prometido!

Pois bem, tudo isto se repetirá quando o Messias aparecer novamente nos últimos tempos. A terra será outra vez devastada, a raça humana estará degradada. Os homens corromperão ainda mais os seus caminhos, e com uma malícia tanto maior quanto o Verbo divino terá brilhado diante de seus olhos. Não obstante isso, invadirá os povos uma grande tristeza, um grande desfalecimento da vida; sentir-se-ão envelhecer como a terra que os sustenta, e não lhes passará pela mente que o destino do mundo já toca o seu fim.

Haverá então grandes escândalos: as estrelas do céu, isto é, muitos dos que eram doutores em Israel, cairão, e sua luz se converterá em trevas. Serão dias de prova, e a fé diminuirá, de tal maneira que será difícil encontrá-la ainda na terra quando o Filho do Homem nela fizer a sua aparição.

Livrai-nos, Senhor, de ver esses dias de prova; ou, então, fortificai os nossos corações com a docilidade à Santa Igreja, que será o único farol de vossos fiéis em meio a tão espantosa defecção. Concedei-nos, ó Salvador, ser do número dessas oliveiras escolhidas, desses cachos de predileção, com os quais haveis de completar a exuberante colheita que encherá para sempre os vossos eternos celeiros.

Conservai em nós o tesouro da fé com que nos presenteastes, para que não seja afetado pelas inovações, e a nossa vista permaneça sempre atenta para esse Oriente que nos mostra a Santa Igreja, onde Vós aparecereis de repente em vossa glória. Cânticos de alegria sairão de nossos lábios na presença de vosso triunfo; e depois, como águias reunidas ao redor da presa, voaremos diante de Vós pelos ares, como diz o vosso Apóstolo, e estaremos para sempre ao vosso lado. (I Tes., IV, 16.)

Então ressoará a glória do Justo até as extremidades desta terra, que haveis de conservar até que os decretos de vossa misericórdia e de vossa justiça se tenham cumprido em seus mínimos detalhes. Ó Jesus, salvai a obra de vossas mãos, e sede-nos propício nesse grande dia!

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