SÃO TELÉSFORO e SÃO SIMEÃO ou SIMÃO (05/01)
SÃO TELÉSFORO, Papa e Mártir – Comemoração
São Telésforo, que aparece na lista dos Papas, como o sétimo bispo de Roma, parece ter sido grego de nascimento. Ele sucedeu Sisto I, por volta do ano 126, e testemunhou a devastação causada pela perseguição de Adriano. “Terminou a sua vida com um martírio glorioso”, diz-nos Eusébio, e é um dos primeiros sucessores de São Pedro, a quem Santo Irineu e outros autores chamam pelo nome de mártir.
As disposições que o Líber Pontificalis lhe atribui, por exemplo, a celebração da Missa de Natal (feriado que então não existia) à meia-noite, não podem provir do seu pontificado. Atualmente a comemoração de Santo Telésforo ocorre na Missa e no Ofício da vigília da Epifania.
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, p. 41)
SÃO SIMEÃO ou SIMÃO, O ESTILITA (459 p.c.)
A vida e a conduta de São Simeão atraíram a atenção, não só de todo o Império Romano, mas também dos povos bárbaros, que por ele tinham grande admiração. Os imperadores romanos confiaram-se às suas orações e consultaram-no sobre assuntos importantes. Contudo, é preciso reconhecer que é um santo mais admirável que imitável. A sua vida é profundamente edificante, no sentido em que não podemos deixar de nos sentir confusos, quando comparamos o seu fervor com a nossa indolência no serviço divino.
Origem – São Simeão era filho de um pastor da Cilícia, na fronteira com a Síria, e começou a sua vida guardando as ovelhas do pai. Por volta do ano 402, quando Simeão tinha apenas quatorze anos, ficou profundamente comovido ao ouvir a leitura das Bem-aventuranças na igreja, especialmente pelas palavras: “Bem-aventurados os que sofrem”, “Bem-aventurados os puros de coração”. O jovem procurou um velho para explicar o seu significado e implorou-lhe que lhe dissesse como poderia alcançar a felicidade prometida. O velho respondeu que o texto sagrado propunha a oração, a vigília, o jejum, a humilhação e a paciência nas perseguições como o caminho para a felicidade, e que uma vida de solidão era a melhor forma de praticar a virtude.
Vocação – Simeão retirou-se para uma certa distância e rezou Àquele que deseja a salvação de todos os homens para que o guiasse na busca da felicidade e da perfeição. Depois de orar por muito tempo, ele adormeceu e teve um sonho, como ele mesmo contou repetidas vezes mais tarde. Ele se viu cavando os alicerces de uma casa. Nas quatro vezes em que interrompeu o trabalho para recuperar o fôlego, ouviu uma voz ordenando-lhe que continuasse cavando. Por fim, recebeu ordem de parar, pois a cova já era tão profunda que poderia abrigar as fundações de um edifício do formato e tamanho que ele escolhesse. Como comenta Teodoreto, “os fatos confirmaram a previsão, pois os atos do homem estavam tão acima da natureza que os alicerces tinham que ser muito profundos para suportar tão enorme peso”.
Ao acordar, Simeão foi a um mosteiro próximo, cujo abade se chamava Timóteo, e ficou vários dias nos portões sem comer nem beber, implorando para ser admitido como o último dos servos. Seu pedido foi bem recebido e finalmente foi recebido por um período de quatro meses. Esse tempo foi suficiente para ele decorar o saltério. Esse contato com o texto sagrado alimentaria sua alma pelo resto da vida.
Mortificação – Embora muito jovem, praticava todo tipo de austeridades, e sua humildade e caridade lhe renderam o apreço dos monges. Depois de dois anos, foi para o mosteiro de Heliodoro, que viveu sessenta e dois anos naquela comunidade, tão absolutamente afastado do mundo que o ignorava completamente, segundo nos conta Teodoreto, que o conheceu pessoalmente. Simeão intensificou ali suas mortificações. Considerando que a corda tosca do poço, tecida com folhas de palmeira, constituía um excelente instrumento de mortificação, despiu-se, amarrou-a bem ao corpo e vestiu-se imediatamente. Permaneceu assim por muito tempo, sem que o superior ou nenhum dos monges suspeitasse de seu sofrimento, até que a corda ficou cravada em sua carne. Grandes feridas se formaram por todo o seu corpo e durante os três dias seguintes ele teve que molhar as roupas para poder tirá-las, pois estavam completamente grudadas na carne ferida. As incisões[1] feitas para retirar as cordas causaram-lhe tantas dores que ele desmaiou. Quando recuperou a consciência, o superior dispensou-o do mosteiro, para demonstrar aos outros monges que não estava disposto a tolerar tais singularidades.
Jejum quaresmal – Simeão retirou-se para uma ermida perto do Monte Telanisa, onde resolveu passar os quarenta dias da Quaresma, em total abstinência, seguindo o exemplo de Cristo. Um padre chamado Basso, a quem consultou o seu propósito, deu-lhe dez pedaços de pão e um pouco de água, para que pudesse comer se fosse necessário. Basso foi visitá-lo no final da Quaresma; o pão e a água estavam intactos, mas Simeão jazia no chão como se estivesse morto. Com uma esponja Basso molhou os lábios de Simeão e colocou sobre eles a sagrada Eucaristia. Voltando a si, Simeão sentou-se e foi capaz de comer lentamente algumas folhas de alface. A partir de então, ele jejuou da mesma forma em toda Quaresma até o fim de sua vida.
Quando Teodoreto escreveu sobre ele, Simeão já havia suportado vinte e seis Quaresmas dessa maneira. Teodoreto explica-nos que começava a Quaresma rezando em pé; quando suas forças começavam a falhar, ele continuou sua oração sentado; no final da Quaresma, ele rezava deitado no chão, pois não conseguia mais ficar de pé e em nenhuma outra posição. No entanto, é provável que nos seus últimos anos ele tenha atenuado de alguma forma esta incrível austeridade.
Quando já vivia na sua coluna, amarrou-se a uma estaca durante o jejum quaresmal para não cair; mas no final da vida ele estava tão acostumado que não precisou ser amarrado. Alguns atribuem a sua resistência a uma constituição forte, que lhe permitiu habituar-se a um jejum tão extraordinário. Como é sabido, o clima quente permite longos períodos de abstinência aos faquires da Índia. Nos nossos dias, um monge francês jejuou durante a Quaresma, quase tão rigorosamente como São Simeão. Mas há muito poucos exemplos de pessoas que resistem ao jejum total prolongado, a menos que a prática os tenha preparado para isso.
Prende-se em ferros – Depois de passar três anos no eremitério, Simeão foi morar no topo da montanha, onde construiu uma espécie de cabana sem teto para ficar ao ar livre. Como símbolo de sua determinação em continuar nesse tipo de vida, ele acorrentou o pé direito a uma pedra. Melécio, vigário do Patriarca de Antioquia, garantiu-lhe que, se a sua decisão fosse verdadeiramente firme, com a graça de Deus ele poderia viver em retiro, nunca mais abandonando-o. Ao ouvir isso, o santo mandou chamar um ferreiro para soldar definitivamente suas correntes. Mas os visitantes começaram a frequentá-lo e a solidão que a sua alma desejava era constantemente interrompida pelas multidões que vinham receber a sua bênção, que curava os enfermos. Alguns não ficavam satisfeitos até tocarem no santo com as próprias mãos.

Novo modo de vida na coluna – Para escapar dessas causas de distração, Simeão criou um modo de vida novo e sem precedentes. No ano de 423, foi construída uma coluna com cerca de três metros de altura, e nela viveu quatro anos. Em outro de seis metros ele viveu três anos. Ele viveu em um terço de doze metros por dez anos. Os últimos vinte anos de sua vida foram gastos em uma coluna de vinte metros, que a cidade construiu para ele. No total, ele passou trinta e sete anos nas quatro colunas; por isso recebeu o nome de estilita, já que a palavra grega “stylos” significa coluna.
A princípio, todos criticaram esse modo de vida como uma singularidade. Para provar a sua humildade, os bispos e abades vizinhos ordenaram-lhe que renunciasse a tal extravagância. O santo mostrou-se imediatamente disposto a obedecer; mas o mensageiro disse-lhe que, por se ter mostrado obediente, os bispos e abades autorizaram-no a seguir a sua vocação.
Sua coluna não tinha mais de dois metros de comprimento, o que mal lhe permitia deitar. De resto, não tinha assentos. Ele apenas se deitava para descansar um pouco; o resto do tempo passava curvado em oração. Certa vez, um visitante contou 1.244 reverências profundas. Duas vezes por dia o santo fazia exortações ao povo. Ele se vestia com peles de animais e nunca permitia que uma mulher entrasse no espaço fechado onde ficava sua coluna. Seu discípulo Antônio nos conta que o santo rezou muito especialmente por sua mãe, quando ela morreu.
Onde está a santidade? – Às vezes, Deus se agrada de conduzir certas almas por caminhos estranhos, onde outras só encontrariam perigos de ilusões e vaidades. Contudo, deve-se notar que a santidade destas almas não consiste nem nas suas ações extraordinárias nem nos seus milagres, mas na perfeição da sua caridade, da sua paciência e da sua humildade; e essas virtudes brilharam com esplendor na vida de São Simeão.
Exortou ardentemente o povo a corrigir-se do seu hábito inveterado de blasfemar, a praticar a justiça, a banir a usura, a ser sério na piedade e a rezar pela salvação das almas. O respeito com que os próprios bárbaros o ouviam era indescritível. Muitos persas, armênios e ibéricos foram convertidos por seus milagres ou por seus sermões aos quais compareciam grandes multidões. Os imperadores Teodósio e Leão I consultavam-no frequentemente e confiavam-se às suas orações. O imperador Marciano disfarçou-se para visitá-lo.
Santa Morte – O santo suportou todas as contradições e oposições com uma paciência invencível, sem uma palavra de reclamação. Considerava-se sinceramente o pior dos homens e falava com todos com a maior suavidade e caridade. O patriarca de Antioquia, Domnus e outros sacerdotes traziam a Comunhão à sua coluna. Na quarta-feira, 2 de setembro de 459, ou talvez na sexta-feira, 24 de julho do mesmo ano, segundo outra fonte, o santo entregou sua alma a Deus, aos sessenta e nove anos, na posição em que costumava rezar. Seu corpo foi transferido dois dias depois para Antioquia, onde os bispos e todo o povo o esperavam. Evagrio, Antônio e Cosme relatam muitos milagres realizados em tal ocasião.
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 43-45)
[1] Dom Claude Léauté, monje beneditino da Congregação de São Mauro. Cf. Dom L’Isle, History of Fasting, Sens, 1731; y The Month, febrero y marzo de 1921: The Mystic as a Hunger Striker.


