Oratório São José

Segunda-Feira da IV semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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SEGUNDA-FEIRA DA QUARTA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías

O povo escolhido, sustentado por Deus, nada tem a temer

E tu, Israel, meu servo, e tu, ó Jacó, a quem escolhi, raça de Abraão, meu amigo… Tu, a quem trouxe das extremidades da terra e chamei de regiões longínquas; a quem disse: Tu és meu servo, eu te escolhi e não te rejeitarei; não temas, porque estou contigo; não dirijas olhares inquietos, porque eu sou o teu Deus. Eu te fortaleço; sim, eu venho em teu auxílio; a minha justa destra te sustenta.

Os inimigos de Israel serão aniquilados

Eis que serão confundidos e cobertos de vergonha aqueles que se enfurecem contra ti; serão reduzidos a nada, aniquilados, todos os teus adversários. Em vão buscarás, sem os encontrar, aqueles que te odeiam. Serão reduzidos a nada os que combatem contra ti.

Confiança em Deus

Porque eu, o Senhor, teu Deus, fortaleço a tua destra; e eu te digo: Não temas coisa alguma, porque venho em teu auxílio. Nada temas, vermezinho de Jacó, vermezinho de Israel! Eu venho em teu auxílio, diz o Senhor: o teu Redentor é o Santo de Israel!

Israel esmagará os seus inimigos

Eis que farei de ti como um trilho agudo, novo e armado de dentes; e tu trilharás e despedaçarás os montes, e triturarás as montanhas como palha miúda. Tu os joeirarás, e o vento os levará, e a tempestade os espalhará. E tu te alegrarás no Senhor e te gloriarás no Santo de Israel.
(Is., XLI, 8-16.)

Assim nos levantais de nossa baixeza, ó eterno Filho do Pai! Assim nos animais contra o temor natural que os nossos pecados suscitam. “Israel, meu servo — dizeis-nos —, Jacó, meu eleito, filho de meu amigo Abraão, de longe te busquei: não temas, porque estou contigo”.

Ó Verbo divino! De que alturas tivestes de descer para estar assim conosco! Nós não podíamos chegar até Vós; um abismo nos separava. Mais ainda: não tínhamos desejo algum de Vos ver, de tal modo os pecados haviam adormecido o nosso coração. Além disso, os nossos olhos não poderiam resistir aos vossos esplendores. Postos neste extremo, quisestes descer pessoalmente e, oculto em vossa humanidade como numa nuvem, Vos deixastes contemplar por nossos olhos débeis.

“Quem duvidará — exclama São Bernardo em seu primeiro Sermão do Advento —, quem duvidará que é algo grande o fato de uma Majestade tão sublime se ter dignado descer de tão alto a um lugar tão indigno? Certamente, é algo grande; é realmente uma imensa misericórdia, uma excessiva piedade, uma caridade infinita. Com efeito, para que vem Ele? Para buscar a sua centésima ovelha perdida. Ó admirável condescendência de um Deus! Ó sublime dignidade do homem, objeto de tal solicitude! Na verdade, se o homem se gloria dela, não será sem motivo; não porque deva pensar que é alguma coisa por si mesmo, mas porque é objeto de tão solícito cuidado da parte de seu Deus. Todas as riquezas, toda a glória do mundo, tudo o que o mundo ambiciona, é menor que esta glória; digo mais: em comparação com ela, não é nada. Ó Senhor! Que é, pois, o homem, para que o trateis com tanta honra, para que Vos prendais a ele com tal carinho?”

Manifestai-Vos, pois, depressa às vossas ovelhas, ó divino Pastor! Vós as conheceis, Vós as vistes do alto do céu, Vós as contemplais com amor desde o seio de Maria, onde ainda repousais; elas também Vos conhecem; têm pressa de contemplar os vossos traços queridos, de ouvir a vossa voz e de entrar nas pastagens de felicidade que lhes prometestes.

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