Oratório São José

Santa Gertrudes (16/11)

Santo do dia

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Santa Gertrudes, Virgem – 3ª classe

A festa de Santa Matilde é celebrada no dia 19 de novembro, aniversário de sua morte, mas achamos oportuno falar dela aqui, junto com sua discípula Santa Gertrudes. Quando Matilde tinha sete anos, seus pais a confiaram às religiosas de Rossdorf, que pouco depois elegeram abadessa a sua irmã, Gertrudes von Hackeborn.

Infância e educação de Gertrudes – Com frequência se diz que Santa Gertrudes, a Grande, foi abadessa, mas na realidade trata-se de uma confusão com a irmã de Santa Matilde. Esta recebeu o hábito em Rossdorf, foi cantora no convento e serviu como mestra das meninas ali educadas. Em 1258, as religiosas mudaram-se para um mosteiro em Helfta, na Saxônia, de onde se originou a nobre família Hackeborn. Três anos depois, Santa Gertrudes, então com cinco anos, foi enviada para ser educada com as religiosas. Não sabemos nada sobre seus pais ou o lugar onde nasceu. A superiora confiou-a aos cuidados de Santa Matilde e, logo, as duas Santas começaram a se unir pelos laços do afeto. Gertrudes, muito atrativa e inteligente, tornou-se uma boa latinista. Com o tempo, recebeu o hábito naquele convento, do qual provavelmente não saía desde a infância.

Início das revelações – Por volta dos vinte e seis anos, Santa Gertrudes teve a primeira das revelações que a tornaram famosa. Quando estava prestes a ir para a cama, ela pensou ter visto o Senhor na forma de um jovem.

“Embora eu soubesse que estava no dormitório, pareceu-me que me encontrava num canto do coro onde fazia sozinha minhas tíbias orações e ouvi estas palavras: ‘Eu te salvarei e te livrarei. Não temas’. Quando o Senhor disse isto estendeu sua mão fina e delicada para tocar a minha, como que para confirmar sua promessa, e continuou: ‘Mordestes o pó com meus inimigos e tentastes extrair mel dos espinhos. Volta-te agora para Mim, e minhas delícias divinas serão para ti como vinho’.”

Então uma cerca viva de espinhos se ergueu entre eles. Mas Gertrudes sentiu-se como se tivesse sido arrebatada pelo ar e se encontrasse ao lado do Senhor: “Então vi na mão que pouco antes se me tinha dado como prenda, as jóias brilhantes que anularam a pena de morte que pairando sobre nós”. Tal foi a experiência de Gertrudes; tal foi o que se poderia chamar de sua “conversão”, apesar da sua alma ser pura e inocente. A partir de então, dedicou-se com plena consciência e toda deliberação à conquista da perfeição e da união com Deus.

Estudo da Teologia – Até então, os estudos seculares eram o seu deleite; a partir de então, dedicou-se ao estudo da Bíblia e dos escritos dos Padres, especialmente os de Santo Agostinho e São Bernardo, falecidos há pouco tempo. Ou seja, “do estudo da gramática passou ao da teologia”; e seus escritos mostram claramente a influência da Liturgia e de suas leituras privadas.

Exteriormente, a vida de Santa Gertrudes foi como a de tantas outras contemplativas, ou seja, pouco pitoresca. Sabemos que ela copiava passagens da Sagrada Escritura e redigia pequenos comentários para as suas Irmãs religiosas, e que se distinguia pela caridade para com os mortos e pela liberdade de espírito. O melhor exemplo deste último é a sua reação às mortes súbitas e inesperadas.

“Desejo de toda a alma ter a consolação de receber os últimos sacramentos, que dão a salvação; porém, a melhor preparação para a morte é ter presente que Deus escolhe a hora. Estou absolutamente certa de que, já talvez tenha uma morte súbita ou prevista, não me faltará a misericórdia do Senhor, sem a qual não poderia me salvar em nenhum dos casos.”

Continuação das revelações – Depois da primeira revelação, Gertrudes continuou a ver o Senhor “velamente”, no momento da comunhão, até às vésperas da Anunciação. Naquele dia, o Senhor a visitou na capela durante os ofícios da manhã e, “a partir de então, Ele me concedeu um conhecimento mais claro Dele, de modo que comecei a corrigir minhas faltas muito mais pela doçura do Seu amor do que pelo medo de sua justa ira.”

Os cinco livros do “Arauto da Bondade de Deus” (comumente chamados de “Revelações de Santa Gertrudes”), dos quais a Santa escreveu apenas o segundo, contêm uma série de visões, comunicações e experiências místicas, que foram ratificadas por muitos ilustres místicos e teólogos. A Santa fala de um raio de luz, como uma flecha, que saiu da ferida lateral de um crucifixo. Diz também que sua alma, derretida como cera, foi aplicada ao peito do Senhor como se fosse receber a impressão de um selo e alude a um casamento espiritual em que sua alma foi como que absorvida pelo coração de Jesus. Mas “a adversidade é o anel espiritual que sela o noivado com Deus”.

Santa Gertrudes estava à frente de seu tempo em alguns pontos, como a comunhão frequente, a devoção a São José e a devoção ao Sagrado Coração. Falava frequentemente do Sagrado Coração com Santa Matilde e diz-se que em duas visões diferentes apoiou a cabeça no peito do Senhor e ouviu as batidas do seu coração.

Mestra e discípula – Santa Matilde, que era quinze anos mais velha que Santa Gertrudes e cantava como “um pintassilgo para Cristo”[1], também era uma alma mística. Aos cinquenta anos ela soube que sua discípula anotava cuidadosamente todos os seus ensinamentos e tudo o que ouvia sobre suas experiências. Matilde ficou alarmada quando soube; mas o Senhor informou-lhe que Ele mesmo havia inspirado em Gertrudes o desejo de colocar esses dados por escrito. Com isso Santa Matilde se acalmou e até corrigiu pessoalmente o manuscrito. Esta é a obra intitulada “Livro da Graça Especial”, ou “Revelações de Santa Matilde”.

Sete anos depois, em 19 de novembro de 1298, Cristo chamou a Si Santa Matilde; “ela lhe ofereceu o seu coração e o introduziu no Dele. Nosso Senhor tocou o coração de Matilde com o Seu e deu-lhe a glória eterna, onde esperamos que com a sua intercessão muitas graças nos alcancem.” Santa Matilde nunca foi formalmente canonizada, mas a sua festa foi concedida a muitos conventos de religiosas beneditinas. Alguns autores a identificam com “Donna Matelda” do Purgatório de Dante (cantos 27 e 28).

Hoje, o povo cristão conhece estas duas Santas sobretudo através de uma série de orações que lhes são atribuídas. Foram publicadas pela primeira vez em Colônia, no final do século XVII. Sem julgar o mérito daquelas orações, a verdade é que não foram compostas por Gertrudes e Matilde. Dom Castel foi o primeiro a publicar em francês uma série de orações extraídas das obras genuínas de ambas as Santas; o cônego John Gray as traduziu para o inglês em 1927. Alban Butler, referindo-se ao livro de Santa Gertrudes, diz que é “provavelmente, depois das obras de Santa Teresa, o escrito mais útil que uma mulher deu à Igreja para alimentar o piedade no estado contemplativo”.

Santa Gertrudes morreu em 17 de novembro de 1301 ou 1302, por volta dos quarenta e cinco anos, após dez anos de dolorosas doenças. Embora não tenha sido formalmente canonizada, Inocêncio XI introduziu o seu nome no Martirológio Romano em 1677. Clemente XII ordenou que a sua festa fosse celebrada em toda a Igreja Ocidental. Tanto os beneditinos como os cistercienses afirmam que o mosteiro de Helfta pertencia às respectivas ordens e veneram especialmente Santa Gertrudes.

(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 348-350)

[1] Espécie de pássaro. Ave de pequeno porte, com um canto maravilhoso e penas de cores brilhantes. Sua espécie conta com aproximadamente 12 subespécie, a maioria localizada no Brasil.

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