Sábado da Sexagésima
SÁBADO DA SEXAGÉSIMA
A VIRGEM IMACULADA E MEDIANEIRA
Ao finalizar a semana precedente, saturada da lembrança da queda de nossos primeiros pais, depois de reconhecer em nós suas duras e inevitáveis consequências, fixemos o olhar nesta Filha da raça humana que, por singular misericórdia, não participou da desgraça de ser concebida em pecado.
Neste último dia da semana consagrada ao arrependimento das faltas pessoais das quais todo homem, mesmo o mais justo, se tornou culpável, voltamos outra vez, ó Maria, a prostrar-nos diante de Vós e a honrar em vossa pessoa a criatura santíssima que, única entre todas, não cometeu pecado.
Todos “corrompemos nossos caminhos”; desobedecemos a Deus, infringimos sua Lei; buscamos a nós mesmos à custa do que era devido a Deus. E Vós, ó espelho de justiça e de santidade, fostes cheia da divina caridade, que jamais sofreu em Vós a mais leve alteração.
Virgem fiel, a graça de vosso Filho triunfou sempre em vosso coração. Rosa mística, até Ele subiram vossos perfumes a cada instante, sem diminuição alguma de sua doce suavidade. Torre de marfim, nenhuma mancha empanou vossa brancura imaculada. Palácio cujos muros são de ouro, emblema do amor, o dom mais excelente, refletistes sempre os fogos do Espírito divino. Tende, pois, compaixão de nós, porque somos pecadores.
Forçamos o Senhor a pesar-Se de nos haver criado. Mas em Vós Ele Se compraz, ó Maria, terra fértil entre todas; a graça semeada em Vós frutificou abundantemente. Dignai-Vos, pois, ó nossa irmã, fecundar a terra de nossos corações, arrancando os espinhos que sufocam a planta celestial.
Estamos enlameados pelo pecado; lavai-nos pelo mérito das lágrimas maternais que derramastes ao pé da Cruz. E, se vosso Filho já nos perdoou, cobri com vosso manto as cicatrizes de nossas feridas. Não tememos bastante o mal; expomo-nos a cometê-lo. Fortalecei nossos corações vacilantes nos caminhos do bem; despertai neles esta valiosa sensibilidade para a honra de Deus e para seu amor, e assim nos veremos finalmente afastados dessa perigosíssima complacência em nós mesmos, que ainda poderia perder-nos.
O dilúvio de nossos pecados desencadeia suas ondas contra nós, ó Mãe bondosa; apressamo-nos a entrar na Arca protetora, seguros de encontrar nela firme abrigo. Mas, ó poderosa Medianeira, para Vós ainda levantamos o olhar. Não tendes o poder de conjurar a cólera do Senhor e de conter, até o último momento, o transbordamento de suas vinganças?
Apressai-Vos em socorrer o mundo que perece. Lembrai-Vos de tantíssimos pecadores que, sem remédio, pereceriam sob as ondas da justiça divina que desafiaram. Alcançai que tantas almas lavadas no sangue de vosso Filho não pereçam eternamente.
Sede, ó Maria, antes da inundação, a pomba da paz que outrora trouxe o ramo de oliveira depois de apaziguada a cólera divina. Sede o arco-íris pacífico nas nuvens do céu antes que elas se desatem contra a terra. A Vós nos dirigimos, Rainha de misericórdia, e pedimos perdão de nossas culpas Àquela que, por sua pureza e inocência, não tem acima de si senão a própria santidade de Deus.


