Oratório São José

VII dia da Oitava da Epifania

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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12 DE JANEIRO

SÉTIMO DIA DA OITAVA DA EPIFANIA

RETORNO E MISSÃO DOS MAGOS

Depois de depositarem seus dons aos pés do Emanuel, como sinal da aliança que com Ele contraem em nome da humanidade, os Magos se despedem do divino Menino, cumulados de suas melhores bênçãos: esta é a sua vontade. Por fim, partem de Belém; doravante, toda a terra lhes parecerá vazia e deserta. Se lhes fosse dado fixar sua morada junto ao novo Rei, em companhia de sua Mãe inefável! Mas o plano salvífico do mundo exige que tudo aquilo que, de algum modo, respira esplendor e glória humana esteja longe d’Aquele que veio em busca de humilhações.

Além disso, é necessário que sejam eles os primeiros mensageiros da palavra evangélica; que vão anunciar à Gentilidade que o Mistério da salvação teve início, que a terra já possui seu Salvador e que a salvação está às portas. Já não vai diante deles a Estrela, porque não é necessária para conduzi-los até Jesus; levam-na, e para sempre, dentro de seu coração. São, pois, introduzidos no seio da Gentilidade como o misterioso fermento do Evangelho, que, apesar de sua pequenez, consegue fermentar toda a massa. Por meio deles, Deus abençoa todas as nações da terra; desde este dia começam a diminuir os infiéis e aumentam insensivelmente os fiéis; e, quando tiver sido derramado o sangue do Cordeiro, quando o Batismo tiver sido promulgado, os Magos, iniciados em todos os mistérios, não serão apenas varões de desejos, mas cristãos perfeitos.

Uma antiga tradição cristã, que vemos já recolhida pelo autor da Obra imperfeita sobre São Mateus, que figura em todas as edições de São João Crisóstomo, e que parece ter sido escrita no fim do século VI; uma antiga tradição, dizemos, refere que os três Magos foram batizados pelo Apóstolo São Tomé e se entregaram à pregação do Evangelho. E, ainda que essa tradição não existisse, compreende-se muito bem que a vocação destes três príncipes não devia limitar-se a visitar, como primícias da Gentilidade, o Rei eterno aparecido na terra: uma nova missão, a do apostolado, derivava naturalmente da primeira.

Sobre a vida e os feitos dos Magos chegaram até nós numerosos pormenores; mas nos abstemos de referi-los aqui, por não serem nem suficientemente antigos nem bastante sérios para que a Igreja tenha julgado oportuno introduzi-los na Liturgia. O mesmo se pode dizer acerca de seus nomes, Melchior, Gaspar e Baltasar: seu emprego é muito recente e, se nos parece temerário atacá-lo diretamente, tampouco ousaríamos assumir a responsabilidade de sua defesa.

No que se refere aos corpos destes insignes e santos adoradores do Deus recém-nascido, foram transportados da Pérsia para Constantinopla no tempo dos imperadores cristãos, e descansaram durante muito tempo na igreja de Santa Sofia. Mais tarde, sob o bispo Eustórgio, foram trasladados para Milão, permanecendo ali até o século XII, quando Reinaldo, arcebispo de Colônia, patrocinado por Frederico Barbarossa, os colocou na igreja catedral daquela egrégia metrópole. Ali descansam ainda hoje numa magnífica urna, talvez o mais belo monumento da ourivesaria medieval, sob as abóbadas dessa sublime catedral, que, pela amplitude, audácia e esbelteza de sua arquitetura, é um dos primeiros templos da Cristandade.

Deste modo, ó Padres dos povos!, nós vos seguimos desde o longínquo Oriente até Belém; depois vos devolvemos à vossa pátria, para conduzir-vos finalmente ao recinto sagrado de vosso descanso, sob o nosso céu do Ocidente. Um amor filial nos fazia seguir vossas pegadas; e, além disso, não buscávamos também nós, seguindo-vos, o Rei da glória junto ao qual nos representastes?

Bendita seja vossa espera, bendita vossa docilidade à Estrela, bendita vossa devoção aos pés do celestial Infante, benditos vossos piedosos dons, que nos oferecem norma para os nossos! Ó Profetas, que, ao escolher vossos presentes, anunciastes em toda a sua verdade os caracteres do Messias! Ó Apóstolos, que pregastes até em Jerusalém o Nascimento de Cristo envolto em humildes panos, do Cristo que os discípulos só anunciaram depois do triunfo de sua Ressurreição! Flores da Gentilidade, que produzistes tão numerosos e preciosos frutos, dando ao Rei da glória povos inteiros, inumeráveis nações! Velai por nós, protegei a Igreja.

Lembrai-vos do Oriente, de cujo seio saístes como a luz; abençoai o Ocidente, ainda mergulhado em tão densas trevas quando fostes em busca da Estrela, e mais tarde objeto da predileção do Sol divino. Reanimai a fé que definha; alcançai da misericórdia divina que o Ocidente envie sempre, e cada vez em maior número, missionários da Boa Nova ao meio-dia, ao norte e até ao infiel Oriente, até as tendas de Sem, desprezador da luz que vossas mãos lhe levaram.

Rogai pela Igreja de Colônia, essa ilustre irmã das mais santas Igrejas do Ocidente, para que guarde a fé, conserve sua santa liberdade e seja o baluarte da Alemanha católica, apoiada sempre na proteção de seus três Reis, de Santa Úrsula e de sua legião de virgens.

Finalmente, favoritos do grande Rei Jesus!, colocai-nos a seus pés, oferecei-nos a Maria; e concedei-nos a graça de terminar, no amor do celestial Infante, os quarenta dias dedicados ao seu Nascimento, e nossa vida inteira.

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