Oratório São José

Segunda-Feira da II semana depois da Páscoa

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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SEGUNDA-FEIRA
DA II SEMANA DEPOIS DA PÁSCOA

AS NOTAS DA IGREJA. — A primeira pedra da Igreja já está colocada; Jesus vai agora edificar sobre este fundamento. O Pastor das ovelhas e dos cordeiros já foi proclamado: é hora de formar o redil; as chaves do Reino foram dadas a Pedro: chegou o momento de inaugurar o Reino. Assim, esta Igreja, este redil, este reino, designam uma sociedade que receberá, do nome de seu fundador, o nome de cristã.

Esta sociedade, formada pelos discípulos de Cristo, está destinada a receber em seu seio todos os membros da humanidade; ninguém será excluído, embora de fato nem todos nela entrem. Ela deverá durar até o fim dos séculos, pois não haverá eleitos senão em seu recinto. Será Una, pois Cristo não diz: “Edificarei minhas Igrejas”; fala apenas de uma só. Será Santa, porque todos os meios de santificação do homem lhe serão confiados. Será Católica, isto é, universal, para que, sendo conhecida em todos os tempos e em todos os lugares, os homens possam ouvi-la falar e nela entrar. Será Apostólica, isto é, porque, qualquer que seja a duração deste mundo, passará por sucessão legítima àqueles homens com os quais Jesus trata nestes dias para sua fundação.

A PERPETUIDADE DA IGREJA. — Tal será a Igreja, fora da qual não pode haver salvação para qualquer um que, conhecendo-a, negligencie associar-se a ela. Esperemos alguns dias, e o mundo ouvirá falar dela. A centelha, neste momento, encontra-se apenas na Judeia; mas logo será um incêndio que se estenderá ao mundo inteiro. Antes do fim do século, não somente o império romano, já então tão vasto, terá membros da Igreja em todas as suas províncias, mas a Igreja contará fiéis até entre os povos sobre os quais Roma não fez passar suas águias vitoriosas.

Mais ainda: esta propagação milagrosa jamais se deterá; em todos os séculos partirão novos apóstolos para realizar novas conquistas. Nada dura debaixo do sol; mas a Igreja maravilhará, por sua duração incessante, os olhares soberbos e irritados do incrédulo. As perseguições, as heresias, os cismas, os desfalecimentos da fraqueza humana e suas depravações não farão mossa nela; a Igreja sobreviverá a tudo. Os netos de seus adversários chamá-la-ão sua mãe; verá rolar a seus pés a torrente dos séculos, trazendo misturados tronos, dinastias, nacionalidades e até raças; e estará sempre ali, abrindo os braços a todos os homens, ensinando sempre as mesmas verdades, repetindo até o último dia do mundo o mesmo símbolo e permanecendo sempre fiel às instruções que Jesus ressuscitado lhe confiou.

Que ações de graças Vos devemos, Senhor Deus nosso, por nos terdes feito nascer no seio desta sociedade imortal, a única que possui vossos ensinamentos celestes e os socorros pelos quais se opera a salvação! Não temos de procurar onde se acha vossa Igreja; nela e por ela vivemos desta vida superior que está acima da carne e do sangue, e cuja plenitude, se formos fiéis, nos está reservada na eternidade. Lançai, Senhor, um olhar misericordioso sobre tantas almas que não tiveram a mesma felicidade e que não entrarão em vossa única Igreja senão ao preço de mais de um sacrifício penoso para a natureza. Dai-lhes uma luz mais viva, sustentai-as para que não desfaleçam. Quebrai a indiferença de uns, secundai os esforços de outros, a fim de que vosso redil, ó bom Pastor, cresça sempre mais e mais, e que a Igreja, que é vossa Esposa, ainda se regozije com a fecundidade que Vós lhe prometestes por todos os séculos.

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