Oratório São José

SÃO SEVERINO (08/01)

Santo do dia

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SÃO SEVERINO, Apóstolo da Nórica

Pelo meio do século quinto, a Nórica, que compreendia a Baviera e a Áustria atual era como que a grande estrada dos bárbaros rumo a ltalia. Por lá passara Átila. Perto, na Panônia, Hungria atual, seus filhos se haviam mutuamente exterminado por cruéis guerras. As guarnições romanas nas fronteiras do Danúbio, não sendo mantidas na decadência do império, desapareciam aos poucos e deixavam entrada livre a quem a quisesse. Os rúgios consideravam-se como que aliados de Roma; mas, como os romanos, viam-se atacados por novos povos, os hérulos, os turcilíngios, os alemães. Era uma guerra universal, cujo fim não se podia prever. Por toda parte, cidades tomadas e arrasadas, populações levadas ao cativeiro. O refugio dos povos, em tais calamidades, foi uma santa personagem de nome Severino, cuja vida foi escrita com muita candura por Eugipo, um dos seus discípulos.[1]

Fora à Nórica por uma ordem expressa de Deus. Nunca se soube de que nação era. Um sacerdote da Itália, de grande autoridade, com o qual era Severino familiar perguntou-lhe um dia: “Santo mestre, de que província se dignou Deus enviar-vos a este país?” Rindo, retrucou-lhe Severino: “Se me tomais por fugitivo, preparai-vos para pagar os que vierem buscar-me. Aliás, acrescentou, já sério, que serve a um escravo de Deus dizer de que país é de que família, uma vez que, calando-se, evita mais santamente qualquer jactância. Se julgais que desejo sinceramente a pátria do alto, que necessidade tendes de conhecer a minha pátria terrena? Sabei, de resto, que o próprio Deus que vos fez sacerdote me ordenou vir para o meio destes homens em perigo”. Após essa resposta, nunca mais ousou quem quer que fosse interrogá-lo sobre a questão. No entanto, pela pureza do seu latim, julgou-se que era de Roma, ou, pelo menos, da Itália; e por algumas palavras suas, concluiu-se que, desejoso de alcançar a perfeição, deixara a pátria e se havia retirado para as solidões do Oriente, de onde Deus lhe ordenara fosse socorrer os povos da Nórica. Finalmente, pelo cuidado que tinha em ocultar o nascimento, podia crêr-se legitimamente que era ilustre. A sua vida entre aqueles pobres povos era ainda mais pobre que a do mais pobre. Com exceção das festas, não comia senão depois de posto o sol, e na quaresma, uma vez por semana. Dormia inteiramente vestido sobre um cilício estendido no piso do seu oratório; caminhava sempre de pés descalços, mesmo quando o Danúbio estava gelado.

Apareceu, a princípio, na cidade de Asturas, nos confins da Panônia e da Nórica. Foi acolhido por um ancião, porteiro da igreja, e de início se limitou a pregar pelo exemplo de sua própria vida, sustentando a profissão da fé catótica por santas obras. Mas um dia, dirigindo-se ao sacerdote, ao clérigo e ao povo do lugar, rogou-lhes, com muita humildade, trabalhassem, mediante jejuns, preces e obras de misericórdia, para desviar o projeto formado pelos bárbaros contra eles. Aqueles homens, porém, entregues aos desejos da carne, pouca atenção deram às suás exortações. De volta ao anfitrião, disse-lhe: “Saio imediatamente de uma cidade impenitente e que não tardará em perecer.” Partiu para a cidade mais próxima, chamada Comagena, repleta de bárbaros que, sob o título de aliados de Roma, a dominavam, cometendo inúmeras violências, de tal sorte que o povo se tinha na conta de perdido. Indo à igreja, o santo, mal chegou, lhes assegurou a proteção de Deus, se se esforçassem por merecê-la através de jejuns, preces e esmolas. Ao mesmo tempo, o ancião que dera abrigo ao santo, em Asturas, levou-lhe, correndo a notícia de que a cidade está destruída e de havê-lo salvo pelos seus méritos.

Os de Comagena, comovidos pela nova, acreditaram no que o santo lhes dizia, e imediatamente abraçaram o jejum e a prática das boas obras. Durante três dias, reuniram-se na igreja, onde purificavam os pecados cometidos noutros tempos com gemidos e lágrimas. No terceiro dia, porém, no momento em que se celebrava o ofício da tarde, verificou-se subitamente um tremor de terra; os bárbaros, que se encontravam na cidade, de tal modo espantados ficaram, que obrigaram os romanos a lhes abrir imediatamente as portas. Saindo, fugiram, imaginando o inimigo atrás, prestes a envolvê-los. Como o terror crescesse com a noite, voltaram a espada contra si próprios, e mataram-se uns aos outros. O povo, livre dos inimigos visíveis, soube de São Severino o modo de combater, pelo céu, os inimigos invisíveis.

Ao mesmo tempo, a cidade de Faviana, que alguns supõem Viena na Áustria, sofria os horrores da fome. Os habitantes acharam que o único remédio era mandar chamar em Comagena o homem de Deus. Ouvindo-lhes os rogos, o santo para lá rumou e disselhes: “Pelos frutos da penitência é que podereis ser libertados da calamidade da fome.” O povo mostrou-se docil. Soube o santo em breve, por revelação divina, que certa viúva, chamada Prócula, ocultara por longo tempo o trigo, e mandando-a chamar, disse-lhe diante de todos:

“Por que, vós que sois de estirpe nobre, vos fizestes escrava da avareza? Eis que o Senhor se compadece dos seus servidores, e vós não sabereis o que fazer do bem mal adquirido, se não lançar o trigo ao Danúbio, e testemunhar para os peixes a humanidade que recusastes aos homens. Assim, ajudai a vós própria mais ainda que aos pobres, mediante os bens que pensais guardar, quando Jesus Cristo tem fome”. Espantada com tais palavras, apressou-se a mulher em distribuir as reservas aos pobres. Pouco depois, viram-se chegar vários barcos carregados de trigo, provenientes da Rétia ou do Tirol, e que tinham sido retidos no Inn pelo gelo.

Pela mesma época, um bando de bárbaros saqueou os arredores da cidade. Os habitantes queixam-se com o homem de Deus. São Severino perguntou ao tribuno Mamertino quantos soldados havia para perseguir os bandidos. “Disponho de poucos, respondeu o tribuno, e é por isso que não ouso medir-me com tão grande multidão de inimigos. Se, porém, vossa reverência mo ordena, embora careçamos de armas, esperamos vencer pelas vossas preces.” Disse-lhe o servidor de Deus: “Se os vossos soldados não têm armas, os inimigos os armarão; é preciso, contudo, que partais logo em nome de Deus, e que partais com confiança; pela misericórdia do Senhor, o mais tíbio será um herói. O Senhor é que combaterá; de resto, trazei-nos, sãos e salvos, todos os bárbaros que conseguirdes pegar.” A dois mil passos da cidade encontraram os bandidos, que imediatamente empreenderam a fuga; os soldados apoderaram-se das armas abandonadas, pegaram alguns dos fugitivos e, acorrentados, levaram-nos ao servidor de Deus. São Severino mandou libertá-los, deu-lhes de comer e beber, e disse-lhes: “Ide, e dizei aos vossos cúmplices que nunca mais se aproximern daqui, pois Deus de tal modo combate pelos seus servidores, que os inimigos lhes trazem, não ferimentos, mas armas.”

As virtudes e os milagres de Severino atraíram-lhe a confiança e a veneração universal, até dos hereges bárbaros. Facciteu, rei dos rúgios, consultava-o com frequência, e nada fazia sem o seu conselho. No começo do reinado, vendo-se fortemente importunado pela vizinhança dos godol da Panônia, pediu-lhes passagem para ir à ltália. Recusaram-lha, e ele se persuadiu de que pretendiam matá-lo. Confessou os temores ao santo, que lhe respondeu: “Se a fé Católica nos unisse, deveríeis ter-me, antes, consultado sobre a vida eterna; mas como só me interrogais no tocante à segurança presente, que nos é comum, ouvi. Nada tendes que temer da multidão de godos nem da sua inimizade, pois em breve se irão, e vós reinareis na prosperidade. Contudo, não vos esqueçais das advertências da minha humildade; buscai a paz, até com os mais pequenos, e não vos apoieis nas vossas próprias forças.”  Tudo se verificou como havia dito o santo, e o rei terminou tranquilamente a vida.

Seu filho e sucessor, Felecteu, que também se chamava Fava, concebeu para com o santo a mesma confiança. Mas tinha mulher cruel, Gisa, que envidava todos os esforços para o desviar da clemência. Ariana furiosa, pretendia fazer rebatizar alguns católicos, mas, por respeito a Severino, o marido não consentiu no plano. Ela maltratava os romanos, e muitas vêzes mandava fossem raptados para reduzi-los à escravidão. Um dia em que raptou alguns de Faviano, Severino rogou-lhe que os devolvesse à liberdade. Encolerizada, mandou que lhe respondessem: “Ocupai-vos de orar na vossa cela, e deixai-nos fazer dos escravos o que mais nos apraz”. Respondeu Severino: “Tenho confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo, que ela fará por necessidade o que recusou por má vontade”. O fato verificou-se de perto. Havia, entre os bárbaros, alguns ourives que viviam encerrados para fabricar os ornatos e jóias do rei. Ora, no mesmo dia em que a rainha desprezara o servidor de Deus, o filho do rei, ainda muito moço, entrou na oficina dos ourives. Eles, encostando-lhe no peito a ponta de uma espada, juraram que, se alguém tentasse entrar antes de lhes ser prometida por juramento a liberdade, matariam o mocinho e, depois, se suicidariam. Diante de tal nova, a má rainha rasga as vestes, reconhece, em altos brados, que se trata de um castigo com o qual Deus a fere por lhe haver desprezado o servidor; põe em liberdade, apressadamente, todos os romanos que tinham sido raptados naquele dia, manda dar liberdade aos ourives, que lhe devolvem o filho. Acompanhada do marido, leva o menino a Severino, reconhecendo que é em virtude das preces deste que deve a conservação do filho, e promete nunca mais resistir às suas ordens.

Alem da redenção dos cativos, foi ainda ele que, em todas as cidades e em todos os castelos, nutria e vestia quase todos os pobres. A sua caridade, nesse ponto, era tão admirável que muitos habitantes, embora também reduzidos às angústias da fome, davam de boa vontade aos pobres o dízimo da colheita.

Severino exortou, por carta, todos os sacerdotes da Nórica a pagar tal dizimo aos pobres. Um dia em que, em consequência desse uso, lhe levaram uma grande quantidade de vestes, perguntou se os da cidade de Tiburn, que parece ter-se situado no Tirol, também lhe haviam levado roupa. Responderam-lhe que ainda o não tinham feito, mas que não tardariam em fazê-lo. O santo predisse que, por haverem postergado a oferta, seriam obrigados a oferecê-la aos bárbaros. Com efeito, pouco depois, estando a cidade assediada pelos godos, viram-se os habitantes obrigados a capitular e a ceder, entre outras coisas, para o seu resgate as vestes que tinham demorado em enviar ao servidor de Deus.

Do mesmo modo, os habitantes de Laureac, cidade episcopal situada na confluência do Ems e do Danúbio, haviam hesitado em dar aos pobres o dízimo dos seus frutos, apesar das exortações de São Severino. Subitamente, quando o trigo começava a amadurecer, uma ferrugem ameaçou arruinar toda a colheita. Os habitantes, assustados, foram confessar, aos pés do santo, que tinham merecido o castigo. Quando os viu arrependidos do erro, ordenou-lhes um jejum, após o qual uma branda chuva lhes salvou a colheita quase perdida. O fato instigou-os a pagar quanto antes o prometido.

São Severino estabelecera, entre outros, um pequeno mosteiro perto de Passau, na confluência do Inn e do Danúbio, e os habitantes lhe haviam suplicado diversas vezes que fosse visitá-los, principalmente em virtude das correrias dos alemães, cujo rei Guibuldo o estimava e respeitava bastante. Um dia, o rei apareceu expressamente para o ver. O santo foi-lhe ao encontro, de medo que ele importunasse a cidade com a sua vinda; falou-lhe até com tamanha firmeza, que o rei se pôs a tremer, e confessou, depois, aos seus, nunca ter tido tão grande medo. Guibuldo disse-lhe que pedisse o que mais lhe aprouvesse, e o santo rogou-lhe que impedisse aos seus pilhar as terras dos romanos, e devolvesse gratuitamente os cativos. O rei respondeu-lhe que enviasse alguém, e Severino mandou um diácono, que de lá trouxe cerca de sessenta cativos, enquanto o rei prometia que ele próprio enviaria os demais.

Mais tarde, os habitantes de Passau rogaram-lhe que fosse visitar o rei dos rúgios, para lhes obter a liberdade de comércio. Respondeu-lhes: “Aproxima-se o tempo dessa cidade, que ficará deserta e privada de habitantes como tantas outras.” Um mau gracejador – tratava-se de um sacerdote – disse então: “Ide-vos santo varão, para que na vossa ausência, interrompamos por algum tempo os jejuns e as vigílias”. Diante de tão ímpio propósito, o santo chorou e embarcou no Danúbio, para ir ao seu grande mosteiro de Faviana. Mal partira, Cunimundo, rei dos suevos, surpreendeu Passau, matou tudo quanto lá restava, em particular o sacerdote, que em vão procurou refúgio no batistério. Advertiu igualmente os habitantes de Juvava ou Salzburg a que abandonassem imediatamente a cidade, para não perecerem na mesma noite; e na mesma noite, os hérulos lá entraram, puseram tudo a ferro e sangue, e levaram grande número de cativos.

Os habitantes da cidade de Quintana, cansados das incursões dos alemães, abandonaram a morada e refugiaram-se em Passau. Os bárbaros sitiaram-nos. O infeliz povo implorou o auxílio de Severino. Este pôs-se a orar, disse-lhes que marchassem contra o inimigo, que não tardaram em derrotar. Em seguida, falou-lhes: “Vinde comigo a Laureac, embora, um dia, seja preciso abandonar Laureac, em virtude da irrupção dos bárbaros, saiamos daqui quanto antes.” Muitos o seguiram, outros ficaram; mas na mesma semana os turcilíngios surpreenderam Passau, mataram uns e levaram cativos cutros.

Em Laureac, durante três dias, avisou o bispo São Constantino e todos os habitantes de que guardassem na cidade todos os mantimentos, e montassem guarda nos muros, durante a terceira noite, visto que os bárbaros preparavam uma surpresa. Não tendo os batedores percebido inimigos, muito custou à população dar crédito ao santo, e a vigilância se fazia com descaso. Os bárbaros, que se haviam ocultado nos bosques, deles saíram com o favor das trevas, e se aproximaram silenciosamente da cidade. De repente, um monte de feno acendido, por descuido, por alguém, lhes deu a certeza de que tinham sido descobertos; retirararn-se, saqueando, o pouco que os habitantes não tinham guardado na cidade, e no dia seguinte se viu ao pé dos muros a série de escadas por eles trazidas para o assalto. Os habitantes pediram perdão a Severino, e humildemente reconheceram que às preces dele é que deviam a salvação.

Feleteu, rei dos rúgios, sabedor de que os habitantes de todas as cidades que tinha- escapado ao gládio dos bárbaros se haviam refugiado em Laureac, sob a guia do servidor de Deus, chegou com um exército para os levar às cidades que lhe eram tributárias. A nova encheu de consternação todos os refugiados, que temiam tal exército quase tanto quanto os bárbaros, e suplicaram a Severino fosse à presença do rei, para o abrandar. Severino caminhou a noite inteira, e de manhã avistou o rei a vinte milhas de Laureac. O rei, assombrado, perguntou-lhe a causa de tão cansativa jornada.

– A paz seja convosco, excelente príncipe – replicou o santo –. Venho, embaixador de Cristo, rogar a graça dos vossos súditos. Lembrai-vos dos benefícios que vosso pai reconhecia ter recebido do céu. Durante o seu reinado, nada fez sem me consultar. Dócil às minhas salutares advertências, desfrutou da prosperidade.

– Mas – disse o rei – não permitirei que este povo pelo qual intercedeis se torne presa dos alemães e dos turcilíngios, pois temos cidades e castelos em que se pode alojar.

– Príncipe – respondeu-lhe com segurança o santo –, foi, acaso, o vosso gládio que os defendeu até agora das rapinas dos bandidos? Não terá sido, antes, a proteção de Deus? Não recuseis o meu conselho: confiai-os à minha fé, para não serem mais arruinados que levados, com a marcha de tão grande exército. Tenho a certeza de que o meu Deus, que me permitiu ajudá-los nas calamidades, me tornará capaz de os transportar pessoalmente.

O rei, comovido com tais palavras, retirou-se acompanhado das tropas, e os romanos, que Severino recebera na sua fé, saíram tranquilamente de Laureac, e em boa harmonia viveram com os rúgios. O santo, retirando-se para o seu velho mosteiro de Faviana, não cessava de advertir os povos e de predizer o futuro, assegurando que emigrariam todos para a terra romana sem perda da liberdade. A profecia verificou-se algum tempo após a morte do santo, pelos cuidados de Odoacro, a quem ele predissera o grande futuro.

Um dia, tendo-se Severino retirado para uma cela solitária, que muito lhe agradava, e que se situava a cinco milhas de Faviana, alguns bárbaros, rumando para a Itália, o visitaram, pedindo-lhe a bênção. Entre eles, encontrava-se um jovem de tão grande estatura que não lograva manter-se erecto na cela. Estava pobremente trajado. O santo, vendo-o curvado na sua presença, predisse-lhe muita glória e, às despedidas do jovem, respondeu com estas palavras: “Vai à Itália, vai; coberto agora pelas mais miseráveis peles, em breve distribuirás tesouros a muita gente”. Chamava-se o jovem bárbaro Odoacro, e a Providência o destinava a pôr fim ao império romano do Ocidente, e a ser rei da Italia.[2]

São Severino adoeceu em 5 de janeiro de 482. Mandou reunir os discípulos na noite de 7 para 8 a fim de os exortar à prece, à penitência e às demais virtudes cristãs e, após abraçá-los todos, recebeu o sacramento da eucaristia, iniciou o salmo cento e cinquenta, e morreu ao proferir este versículo: “Louvai o Senhor nos santos; louvem ao Senhor todos os espíritos.” Recomendara aos discípulos, quando chegasse a transmigração à Itália, lhe transportassem o corpo com eles. Odoacro realizou em 488 a predição do santo. Numa expedição à Alemanha, aprisionou o rei Feletu e a rainha Gisa, cortou a cabela do primeiro, meteu no calabouço a segunda, e levou à Itália todos os súditos do império para os subtrair aos vexames impostos pelos bárbaros. Os discípulos de São Severino exumaram-lhe o corpo em 488, e o encontraram inteiro como estava no dia do sepultamento, apesar de não haver sido embalsamado. A sua translação foi acompanhada de vários milagres.

Tinha mais a aparência de um triunfo que de uma retirada, pela pompa religiosa que produzia a escolta dos que deixavam o país a fim de se estabelecerem na Itália, e pelo concurso das cidades e aldeias, através das quais se passava. O corpo foi deposto em Montefeltro, na Úmbria, de onde foi transferido, cinco ou seis anos mais tarde, para Luculana, entre Nápoles e Pozzuoli, por ordem do Papa São Gelásio.

(ROHRBACHER, Padre. Vida dos Santos: vol. I, ano 1959, pp. 239-250)

[1] Acta SS., 8 de janeiro.

[2] Acta SS., 8 de janeiro.

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