SÃO LEANDRO (26/02)
SÃO LEANDRO, Bispo de Sevilha (596)
Os godos ou visigodos, que reinaram na Espanha durante quatro séculos, converteram-se do arianismo, graças, sobretudo, aos esforços de São Leandro. O pai do santo era Severiano, duque de Cartagena, cidade onde Leandro nasceu. Sua mãe era filha de Teodorico, rei dos ostrogodos. Seus irmãos foram São Fulgêncio, bispo de Écija, e Santo Isidoro, que o sucedeu na sé de Sevilha. Ele também tinha uma irmã, Santa Florentina, e a tradição afirma que outra de suas irmãs se casou com o rei Leovigildo. Mas esta última informação não é certa e, se verdadeira, deve ter criado muitas dificuldades ao santo, já que Leovigildo era um ariano fervoroso.
Desde criança, Leandro se destacou pela eloquência e pela personalidade fascinante. Muito jovem ingressou num convento em Sevilha, onde se dedicou à oração e ao estudo durante três anos. Com a morte do bispo de Sevilha, foi eleito por unanimidade para sucedê-lo; mas a sua nova dignidade não o fez mudar de hábitos.
O santo dedicou-se imediatamente ao combate ao Arianismo, que tinha feito grandes progressos, e com a sua oração e pregação obteve numerosas conversões, entre outras a de Hermenegildo, filho mais velho do rei Leovigildo. No ano de 583, São Leandro foi para Constantinopla à frente de uma embaixada; nessa cidade conheceu São Gregório Magno, que para lá tinha ido como legado do Papa Pelágio II. Uma grande amizade os uniu desde então e São Gregório escreveu o seu comentário ao livro de Jó, a pedido de São Leandro.
Ao retornar à Espanha, São Leandro continuou a lutar pela fé; mas, em 586, Leovigildo condenou à morte o seu próprio filho, São Hermenegildo, por se ter recusado a receber a comunhão das mãos de um bispo ariano e ao mesmo tempo baniu vários prelados católicos, incluindo São Leandro e o seu irmão São Fulgêncio.
O santo bispo continuou a sua tarefa desde o exílio, escrevendo dois livros contra o arianismo e outro para responder às objeções feitas aos dois primeiros. Leovigildo suspendeu a pena de banimento pouco depois e, já no leito de morte, confiou seu filho Recaredo a São Leandro para instruí-lo na verdadeira fé. Porém, o próprio Leovigildo morreu sem se reconciliar com a Igreja, por medo de ofender o povo, segundo São Gregório. Sob a direção de São Leandro, Recaredo tornou-se um católico fervoroso e bem educado na fé.
Leandro demonstrou tanta sabedoria nas suas discussões com os bispos arianos que acabou por conquistá-los para a sua doutrina, mais com os seus argumentos do que com a sua autoridade. Isto produziu a conversão de toda a população visigoda. O santo teve o mesmo sucesso com os Suevos, outro povo da Espanha pervertido por Leovigildo.
Ninguém se alegrou mais com os triunfos do santo bispo do que São Gregório Magno, que lhe escreveu uma afetuosa carta de felicitações e lhe enviou um pálio. Em 589, São Leandro presidiu o terceiro Concílio de Toledo, que redigiu uma declaração solene da consubstancialidade das três Pessoas divinas e votou vinte e três cânones disciplinares. Como se vê, São Leandro não se preocupava menos com a pureza da fé do que com os bons costumes.
No ano seguinte, realizou-se outro concílio em Sevilha para confirmar e selar a conversão do povo à verdadeira fé. São Leandro conhecia, por experiência, o poder da oração e trabalhou para promover a verdadeira devoção em todos os fiéis, mas especialmente naqueles que se consagraram a Deus na vida religiosa. Sua carta a Santa Florentina, documento conhecido como Regra de Vida Monástica, tem como tema principal a oração e o desprezo pelo mundo.
Uma das obras mais importantes de São Leandro foi a reforma da liturgia. Seguindo a prática das Igrejas Orientais, o terceiro Concílio de Toledo introduziu na Missa o Credo Niceno, que repudiava a heresia ariana. Mais tarde, outras Igrejas ocidentais e a própria Igreja de Roma adotaram esta prática.
São Leandro era frequentemente atacado por doenças, principalmente gota. São Gregório, que também sofria desta doença, alude-a numa das suas cartas. Segundo uma antiga tradição espanhola, a famosa pintura de Nossa Senhora de Guadalupe foi um presente do Papa ao seu amigo São Leandro. Dos numerosos escritos do santo, os únicos que nos sobreviveram são a “Regra de Vida Monástica” e uma homilia de agradecimento pela conversão do povo gótico.
São Leandro morreu no ano de 596. Suas relíquias estão preservadas na catedral de Sevilha. A liturgia espanhola considera São Leandro como Doutor da Igreja.
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. I, ano 1965, pp. 429-430)


