SÃO BRÁS (03/02)
SÃO BRÁS, Bispo e Mártir – Comemoração
Parece que não há evidências de que qualquer culto a São Brás existisse antes do século VIII; mas relatos de datas posteriores concordam em afirmar que ele foi bispo de Sebaste, na Armênia, e recebeu a coroa do martírio durante a perseguição de Licínio, por ordem de Agrícola, governador da Capadócia e da Ásia Menor.
Nas atas lendárias de Santo Eustrácio, que teria morrido na perseguição de Diocleciano, é mencionado que São Brás recebeu muito solenemente as suas relíquias, depositou-as junto às de Santo Orestes e executou, ponto por ponto, o último desejo do mártir.
Isto é tudo o que se pode afirmar com certeza a respeito de São Brás; mas tendo em conta a devoção com que é venerado na Alemanha e na França, é oportuno relatar brevemente a história contida nas atas de sua legenda.
Segundo elas, Brás nasceu rico, de pais nobres; foi educado cristãmente e foi nomeado bispo ainda muito jovem. Quando começou a perseguição, por inspiração divina, retirou-se para uma caverna nas montanhas, frequentada apenas por feras. São Brás recebia com carinho seus visitantes selvagens e quando estavam doentes ou feridos, cuidava deles e os curava. Dizia-se que os animais vinham em rebanhos para que ele os abençoasse.
Certa vez, alguns caçadores que procuravam capturar animais silvestres para o anfiteatro encontraram o santo cercado por eles. Recuperados do espanto, os caçadores tentaram capturar as feras, mas São Brás os assustou e então o capturaram. Ao saberem que ele era cristão, fizeram-no prisioneiro diante do governador Agrícola.
Conta-se que quando o levavam para a cidade, encontraram uma mulher que gemia de desespero, porque um lobo acabara de levar um de seus leitões; então São Brás chamou em voz alta a fera e o lobo apareceu pouco depois, com o leitão na boca, e deixou-o intacto aos pés da mulher espantada. Mas esse prodígio não comoveu os caçadores, que seguiram caminho, arrastando consigo o prisioneiro.
Assim que o governador descobriu que o prisioneiro era um bispo cristão, ordenou que fosse açoitado e depois trancado numa masmorra, privado de comida. São Brás suportou pacientemente o castigo e teve o consolo de que a mulher, dona do leitão que ele salvou, apareceu na masmorra escura para ajudá-lo, trazendo-lhe provisões e velas para iluminar. Poucos dias depois, ele foi torturado para fazê-lo renunciar à sua fé; sua carne foi dilacerada com ganchos e, como o santo permaneceu firme, foi dada ordem para que ele fosse decapitado.
Assim morreu São Brás na Capadócia e, anos depois, as suas supostas relíquias foram transferidas para o Ocidente, onde o seu culto se difundiu enormemente devido às curas milagrosas que, aparentemente, eram realizadas por sua intercessão.
É venerado como padroeiro dos cardadores de lã e dos animais selvagens e, em virtude de diversas curas famosas que realizou em doentes de garganta durante a sua vida, é o defensor desta classe de males. Na Alemanha ele também é homenageado como um dos quatorze “Nothhelfer” (auxiliadores nas necessidades).
Em alguns lugares, no dia da festa de São Brás, é administrada uma bênção especial aos enfermos, colocando duas velas (ao que parece em memória das velas que eram levadas ao santo em sua masmorra) na posição da cruz de Santo André, no pescoço ou na cabeça do suplicante, dizendo estas palavras:
“Per intercessionem Sancti Blasi, liberet te Deus a malo gutturis et a quovis alio malo.”
Lemos também sobre a “água de São Brás”, que é abençoada no seu dia e que geralmente é dada para beber ao gado enfermo.
Hoje em dia as fórmulas das bênçãos de São Brás no Rituale Romano encontram-se ligeiramente modificadas e, além das gargantas, há bênção também para pão, vinho, água e frutas contra os males da garganta.
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. I, ano 1965, pp. 247-248)


