Oratório São José

Quarta-Feira da I semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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QUARTA-FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA DO ADVENTO

Do profeta Isaías.

Eis que o Senhor dos Exércitos tirará de Jerusalém e de Judá todo sustento e auxílio: o guerreiro, o homem armado, o juiz, o profeta, o adivinho e o ancião, o capitão de cinquenta homens, o grande, o conselheiro, o mago e o homem de encantamentos. E dar-lhes-ei crianças por chefes, e serão dominados por homens efeminados. Com efeito, Jerusalém ameaça ruína, e Judá se perde; porque tanto suas palavras como suas obras estão contra o Senhor e desafiam o olhar de sua majestade. Sua fronte dá testemunho contra eles: em vez de ocultarem seus pecados, publicam-nos. Ai deles!, pois lhes será dado o castigo que merecem… Feliz o justo, porque o bem é para ele: comerá do fruto de suas obras. Ai do ímpio!: para ele, todo o mal. Será tratado segundo o que merece.
(Is., III, 1-4, 8-11.)

Visto que Jerusalém caminha para sua ruína, a lucidez de seu entendimento se extingue nela, como todas as demais potências. Não sabe para onde vai e ignora o abismo que a há de devorar. Assim são os homens que não consideram o Advento do Soberano Juiz, aqueles dos quais Moisés disse em seu Cântico: Gente sem conselho e sem prudência; se ao menos tivessem inteligência e sabedoria para prever o fim das coisas.

O Filho de Deus vem agora envolto em humildes faixas, pobre como um escravo e, para empregar as palavras dos Profetas, como o orvalho que cai sem ruído e gota a gota; mas nem sempre será da mesma maneira. Esta terra, que agora suporta nossos pecados e nossa insensibilidade, também estremecerá na presença do Juiz terrível. Qual será nosso apoio, se somente nela tivermos confiado?

“Uma morte repentina, ocorrida diante de vossos olhos — diz São João Crisóstomo —, um terremoto, a ameaça de uma súbita calamidade vos aterra e vos abate: que será quando vos faltar a terra debaixo dos pés; quando virdes a destruição da natureza e ouvirdes o som da trombeta fatal; quando o Soberano Senhor do Universo se mostrar aos vossos olhos em toda a sua majestade? Vistes condenados conduzidos ao suplício: antes de chegarem ao lugar da execução, quantas mortes não têm de sofrer! Aniquilados pelo terror, muitos não ofereceram ao verdugo senão um cadáver.”

Ó angústias daquele momento final! Como alguém ousará desafiar-vos, quando é tão fácil evitar-vos, bastando apenas abrir hoje a alma Àquele que vem suave e desarmado, pedindo abrigo em nossos corações, prometendo salvá-los daquelas iras, se agora quiserem recebê-lo!

Ó Jesus, não queremos nem podemos lutar convosco no último dia; agora sois nosso irmão, nosso amigo, um Infante que vai nascer em nós. Queremos fazer aliança convosco, e assim, amando-vos em vosso primeiro Advento, não vos temeremos no último. Oxalá possamos ouvir as palavras que vossos Anjos dirigirão aos justos: Tudo está bem!

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