Oratório São José

IV Domingo depois da Páscoa

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

0:00

IV DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA

A INSTITUIÇÃO DOS SACRAMENTOS. — Vimos Jesus constituir a sua Igreja e pôr nas mãos dos Apóstolos o depósito das verdades que serão objeto de nossa fé. Há ainda outra obra, não menos importante para o mundo, à qual Ele dedica seus cuidados durante este último período de sua permanência na terra: é a instituição definitiva dos Sacramentos. Não basta crer; é necessário também que nos santifiquemos, isto é, que nos tornemos conformes à santidade de Deus; é necessário que a graça, fruto da Redenção, desça sobre nós e se incorpore a nós, para que, tornando-nos membros vivos de nosso divino Chefe, possamos ser coerdeiros de seu Reino. Assim, pois, por meio dos Sacramentos, Jesus operará em nós esta maravilha da justificação, aplicando-nos os méritos de sua Encarnação e de seu Sacrifício pelos meios que Ele decretou em seu poder e em sua sabedoria.

FONTES E CANAIS DA GRAÇA. — Como soberano Senhor da graça, é livre para determinar as fontes pelas quais a fará descer sobre nós; a nós compete conformar-nos à sua vontade. Cada um dos Sacramentos será, pois, uma lei de sua religião, de tal maneira que o homem não poderá pretender receber os efeitos que o Sacramento é destinado a produzir, se despreza ou retarda o cumprimento das condições segundo as quais ele opera. Admirável economia, que concilia num mesmo ato a humilde submissão do homem com a mais pródiga largueza da munificência divina.

Mostramos, há alguns dias, como a Igreja, sociedade espiritual, era ao mesmo tempo uma sociedade visível e exterior, já que o homem, a quem ela se destina, é composto de corpo e alma. Jesus, ao instituir os seus Sacramentos, assinala a cada um o seu rito essencial; e esse rito é exterior e sensível. O Verbo, ao tomar carne, fez dela, em sua Paixão sobre a Cruz, o instrumento de nossa salvação: pelo sangue de suas veias nos resgatou. Prosseguindo esse desígnio, toma os elementos da natureza física como auxiliares na obra de nossa justificação. Ele os eleva ao estado sobrenatural e os faz condutores fiéis e onipotentes de sua graça até o mais íntimo de nossas almas. Deste modo será aplicado, em suas últimas consequências, o mistério da Encarnação, que teve por fim elevar-nos, pelas coisas visíveis, ao conhecimento e à posse das invisíveis. Assim é quebrantado o orgulho de Satanás, que desprezava a criatura humana, porque nela o elemento material se unia à grandeza espiritual, e que recusou, para sua eterna desdita, dobrar o joelho diante do Verbo feito carne.

Ao mesmo tempo, os Sacramentos, sendo sinais sensíveis, formam um novo laço entre os membros da Igreja, já unidos entre si pela submissão a Pedro e aos Pastores que ele envia, e pela profissão de uma mesma fé. O Espírito Santo nos diz nas Sagradas Escrituras que “o laço tríplice dificilmente se rompe1”; assim é, pois, este laço que nos prende à gloriosa unidade da Igreja: Hierarquia, Dogma e Sacramentos; tudo contribui para fazer de nós um só corpo. Do setentrião ao meio-dia, do oriente ao ocidente, os Sacramentos proclamam a fraternidade dos cristãos; são em toda parte o seu sinal de reconhecimento e o distintivo que os designa aos olhos dos infiéis. Por isso, esses Sacramentos são idênticos para todas as raças batizadas, qualquer que seja a variedade das fórmulas litúrgicas que acompanham a sua administração; em toda parte o fundo é o mesmo, e a mesma graça se produz sob os mesmos sinais essenciais.

O SAGRADO SETENÁRIO. — Jesus ressuscitado escolhe o número sete para os seus Sacramentos. Sabedoria eterna do Pai, revela-nos no Antigo Testamento que será construída uma casa, que é a Santa Igreja, e acrescenta que a firmará sobre sete colunas2. Essa Igreja Ele já simboliza no tabernáculo de Moisés, e ordena que um candelabro de sete braços, carregados de flores e de frutos, ilumine dia e noite o Santuário. Se arrebata ao céu em êxtase o seu discípulo amado, é para mostrar-se a ele rodeado de sete candelabros e tendo sete estrelas na mão3. Se se manifesta com a aparência de Cordeiro vencedor, esse Cordeiro tem sete chifres, símbolo de sua força, e sete olhos, que indicam a amplitude infinita de sua ciência4. Perto dele está o livro que contém os destinos do gênero humano, e esse livro está selado com sete selos, que só o Cordeiro pode abrir5. Diante do trono da Majestade divina, o discípulo vê sete Espíritos bem-aventurados resplandecendo como sete lâmpadas6, atentos às menores ordens de Deus e prontos a levar sua palavra até os últimos limites da criação.

OS SETE PECADOS CAPITAIS. — Se agora nos voltamos para o reino das trevas, vemos o espírito do mal ocupado em imitar a obra divina e em usurpar o número sete para maculá-lo, consagrando-o ao mal. Sete pecados capitais são o instrumento de sua vitória sobre o homem; e o Senhor nos advertiu de que, quando Satanás, em seu furor, se lança sobre uma alma, toma consigo sete espíritos dos mais perversos do abismo. Sabemos que Madalena, feliz pecadora, não recobrou a vida da alma senão depois que o Salvador expulsou dela sete demônios. Essa provocação do espírito do orgulho forçará a cólera divina, quando cair sobre o mundo pecador, a imprimir o número sete até mesmo em suas justiças. São João nos ensina que sete trombetas, tocadas por sete Anjos, anunciarão as convulsões sucessivas da raça humana e que outros sete Anjos derramarão sucessivamente sobre a terra pecadora sete taças cheias da cólera de Deus.

Nós, pois, que queremos ser salvos e gozar da graça neste mundo e, no outro, da visão de nosso Mestre ressuscitado, acolhamos com respeito e reconhecimento o misericordioso setenário de seus Sacramentos. Nesse número sagrado soube Ele encerrar todas as formas de sua graça. Quer vele em sua bondade para fazer-nos passar da morte à vida, pelo Batismo e pela Penitência; quer se aplique a sustentar em nós a vida sobrenatural e a consolar-nos em nossas provas, pela Confirmação, pela Eucaristia e pela Extrema-Unção; quer, enfim, proveja ao ministério de sua Igreja e à sua propagação pela Ordem e pelo Matrimônio: não se encontrará necessidade alguma da alma, indigência alguma da sociedade cristã, que Ele não tenha suprido por meio das sete fontes da regeneração e da vida que tem abertas para nós e que não cessa de fazer correr sobre nossas almas.

Os sete Sacramentos bastam para tudo; se faltasse um só, a harmonia se destruiria. As Igrejas do Oriente, separadas da unidade católica depois de tantos séculos, confessam conosco o setenário sacramental; e o protestantismo, ao pôr sobre esse número a sua mão pecadora, demonstrou com isso, como em todas as suas outras pretensas reformas, que lhe falta o senso cristão. Não nos admiremos. A doutrina dos Sacramentos impõe-se em toda a sua totalidade à fé; primeiro, a humilde submissão do fiel deve acolhê-la como dimanando do soberano Mestre; quando ela se aplica à alma, revelam-se a sua magnificência e a sua eficácia divina; então compreendemos, porque cremos. Credite et intelligetis.

O BATISMO. — Hoje consagramos a nossa admiração e o nosso reconhecimento ao primeiro dos Sacramentos: ao Batismo. O tempo pascal no-lo apresenta em toda a sua glória. Nós o vimos no Sábado Santo satisfazendo os desejos do feliz catecúmeno e iluminando para a pátria celeste povos inteiros. Mas esse mistério tivera sua preparação. Na festa da Epifania adoramos Emanuel descendo às águas do Jordão e comunicando ao elemento, pelo contato de sua carne, a virtude de purificar todas as manchas da alma. O Espírito Santo vem repousar sobre a cabeça do Homem-Deus e fecundar com seu influxo divino o elemento regenerador, enquanto a voz do Pai celeste ressoava na nuvem, anunciando a adoção que Ele se dignaria fazer dos batizados em seu Filho Jesus, objeto de sua eterna complacência.

Durante sua vida mortal, o Redentor já se explica diante de um doutor da Lei sobre suas misteriosas intenções: “Aquele — diz — que não nascer da água e do Espírito Santo não poderá entrar no Reino de Deus”. Segundo seu costume quase constante, anuncia o que deve fazer no futuro, mas ainda não o cumpre; nós sabemos somente que, não tendo sido puro o nosso primeiro nascimento, Ele nos prepara um segundo, que será santo e do qual a água será o instrumento.

Mas nestes dias chegou o momento em que vai declarar o poder que deu às águas para produzir a adoção projetada pelo Pai. Dirigindo-se a seus Apóstolos, diz-lhes com a majestade de um rei que promulga a lei fundamental de seu império: “Ide, ensinai todas as nações; batizai-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. A salvação pelas águas, com a invocação da Santíssima Trindade: tal é o benefício capital que anuncia ao mundo; porque diz também: “Aquele que crer e for batizado será salvo”. Revelação cheia de misericórdia para com a raça humana; inauguração dos Sacramentos pela declaração do primeiro, daquele que, segundo a expressão dos Padres, é a porta de todos os demais.

Saudemos com amor esse augusto mistério, nós que lhe devemos a vida de nossas almas, com o selo eterno e misterioso que faz de nós membros de Jesus. São Luís, batizado na obscura pia de Poissy, comprazia-se em assinar Luís de Poissy, considerando a fonte batismal como uma mãe que o havia gerado para a vida celeste, e esquecendo sua origem real para não mais se recordar senão da de filho de Deus. Os nossos sentimentos devem ser os mesmos desse santo rei.

Mas admiremos a condescendência de Jesus ressuscitado ao instituir o mais indispensável dos Sacramentos. A matéria que escolheu é a mais comum, a mais fácil de encontrar. O pão, o vinho, o azeite de oliveira, nem sempre se encontram em todas as partes da terra; a água corre por toda parte. A providência de Deus a multiplicou sob todas as formas, para que, no dia assinalado, a fonte da regeneração estivesse ao alcance, em toda parte, para o homem pecador.

Os demais Sacramentos o Salvador os confiou ao sacerdócio, o qual somente tem poder para administrá-los; não acontece o mesmo com o Batismo. Todo fiel pode ser seu ministro, sem distinção de sexo nem de condição. Mais ainda: todo homem, ainda que não seja membro da Igreja cristã, pode conferir ao seu semelhante, por meio da água e da invocação da Santíssima Trindade, a graça batismal que ele mesmo não possui, com a única condição de querer cumprir seriamente, nesse ato, o que faz a Igreja quando administra o sacramento do Batismo.

E mais ainda. Pode faltar esse ministro do sacramento ao homem que vai morrer; a eternidade vai abrir-se para ele sem que a mão de outro se levante para derramar sobre sua cabeça a água purificadora; o autor divino da regeneração das almas não o abandona nesse momento supremo. Que preste homenagem ao santo Batismo, que o deseje com todo o ardor de sua alma, que entre nos sentimentos de uma compunção sincera e de um verdadeiro amor; depois, se morrer, a porta do Céu se lhe terá aberto pelo batismo de desejo.

Mas a criança que ainda não tem uso de razão e que a morte vai ceifar em poucas horas, terá ficado esquecida nessa munificência geral? Jesus disse: “Aquele que crer e for batizado será salvo”; então, como obterá a salvação esse ser fraco que vai extinguir-se, carregado com a culpa original e incapaz da fé? Tranquilizai-vos. O poder do Batismo estende-se também a ela. A fé da Igreja — que a quer por filha — ser-lhe-á imputada; derrame-se a água sobre sua cabeça em nome das três divinas Pessoas, e ela será cristã para sempre. Batizada na fé da Igreja, essa fé é agora pessoal nela, com a esperança e a caridade; a água sacramental produziu essa maravilha. Que expire agora: o Reino dos Céus é para ela.

Tais são, ó Redentor, os prodígios que operais no primeiro de vossos Sacramentos, pelo efeito dessa vontade sincera que tendes da salvação de todos; de tal maneira que aqueles nos quais essa vontade não se realiza não se excluem da graça da regeneração senão em consequência do pecado cometido anteriormente, pecado que a vossa eterna justiça não vos permite prevenir sempre em si mesmo, ou reparar em suas consequências. Mas vossa misericórdia vem em seu auxílio; ela lança as suas redes, e inumeráveis justos caem nelas. A água santa corre até sobre a fronte da criança que agoniza entre os braços de uma mãe pagã, e os Anjos abrem seus coros para recebê-la. Diante de tantas maravilhas, só nos resta exclamar com o Salmista: “Nós que possuímos a vida, bendigamos o Senhor”.

O quarto domingo depois da Páscoa chama-se, na Igreja grega, o Domingo da Samaritana, porque se lê a passagem do Evangelho em que se refere a conversão dessa mulher.

A Igreja Romana começa hoje, no Ofício da noite, a leitura das Epístolas Canônicas, que continuam até a festa de Pentecostes.

MISSA

A Igreja, adotando no Intróito um dos mais belos cânticos do Salmista, celebra com entusiasmo os benefícios que o Senhor derramou sobre ela, convocando todas as nações a reconhecerem suas grandezas, a receberem a efusão da santidade d’Aquele que é a fonte, a salvação d’Aquele que chamou todos os homens.

INTROITO – Cantai ao Senhor um cântico novo, aleluia: porque o Senhor fez maravilhas, aleluia: revelou sua justiça diante da face das nações, aleluia, aleluia, aleluia.
Salmo: Salvou-o sua dextra e seu santo braço. V. Glória ao Pai.

Cumpridos dos benefícios de Deus, que os une num só povo por seus Sacramentos, os fiéis devem elevar-se ao amor dos preceitos do Senhor e aspirar às alegrias eternas que Ele lhes promete; a Igreja implora para eles essa graça na Coleta.


COLETA – Ó Deus, que unis as almas dos fiéis numa só vontade: dai aos vossos povos amar o que mandais e desejar o que prometeis; para que, entre as variedades mundanas, nossos corações estejam fixos onde estão as verdadeiras alegrias. Pelo Senhor.


EPÍSTOLA – Leitura da Epístola do Apóstolo São Tiago.

Caríssimos: Toda dádiva excelente e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Pois Ele nos gerou voluntariamente pela palavra da verdade, para que fôssemos como as primícias de sua criação. Bem o sabeis, meus caríssimos irmãos. Seja, pois, todo homem pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para irar-se. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. Pelo que, rejeitando toda imundície e todo excesso de malícia, recebei com mansidão a palavra enxertada, a qual pode salvar vossas almas.

IMITAR O PAI. — Os favores derramados sobre o povo cristão procedem da sublime e serena bondade do Pai celeste. Ele é o princípio de tudo na ordem da natureza; e, se na ordem da graça chegamos a ser seus filhos, é porque Ele mesmo nos enviou o seu Verbo consubstancial, que é a Palavra da verdade, pela qual chegamos a ser, mediante o Batismo, filhos de Deus. Daqui se deduz que devemos imitar, quanto é possível à nossa fraqueza, a serenidade de nosso Pai que está nos Céus e livrar-nos dessa agitação passional que é o caráter de uma vida toda terrena, ao passo que a nossa deve ser do Céu, para onde Deus nos atrai. O santo Apóstolo exorta-nos a receber com mansidão essa Palavra que nos torna aquilo que somos. Ela é, segundo sua doutrina, um enxerto de salvação feito em nossas almas. Se ela age aí, se o seu crescimento não é por nós obstaculizado, seremos salvos.

No primeiro versículo aleluiático, Cristo ressuscitado celebra, pela voz do Salmista, o poder do Pai que lhe deu a vitória em sua Ressurreição. O segundo, tomado de São Paulo, proclama sua vida imortal.


ANTÍFONA – Aleluia, aleluia.
V. A dextra do Senhor exerceu o seu poder; a dextra do Senhor me exaltou. Aleluia. V. Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morrerá: a morte já não terá domínio sobre Ele. Aleluia.


EVANGELHO – Continuação do santo Evangelho segundo São João.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Vou para Aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: “Para onde vais?”. Mas, porque vos disse isso, a tristeza encheu o vosso coração. Porém eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá; porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se eu for, eu vo-lo enviarei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, certamente, porque não creram em mim; da justiça, porque vou para o Pai e já não me vereis; do juízo, porque o príncipe deste mundo já foi julgado. Ainda tenho muitas coisas a dizer-vos, mas agora não as podeis suportar. Mas, quando vier o Espírito da verdade, Ele vos ensinará toda a verdade. Porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará.

O ANÚNCIO DO ESPÍRITO SANTO. — Os Apóstolos entristeceram-se quando Jesus lhes disse: “Eu vou”. Não o estamos também nós, que, depois de seu nascimento em Belém, o seguimos constantemente, graças à Liturgia que nos fez acompanhar seus passos? Ainda alguns dias, e Ele se elevará ao Céu, e o ano perderá esse encanto que recebia dia após dia com suas ações e com seus discursos. Todavia, Ele não quer que nos deixemos invadir por uma tristeza excessiva. Anuncia-nos que, em seu lugar, vai descer sobre a terra o Consolador, o Paráclito, e que permanecerá conosco para iluminar-nos e fortalecer-nos até o fim dos tempos. Aproveitemos com Jesus estas últimas horas; em breve será tempo de nos prepararmos para receber o hóspede celestial que virá substituí-Lo.

Jesus, que pronunciava essas palavras na véspera da Paixão, não se limita a mostrar-nos a vinda do Espírito Santo como consolação de seus fiéis; ao mesmo tempo, apresenta-a como terrível para aqueles que desconhecem o seu Salvador. As palavras de Jesus são tão misteriosas quanto terríveis; tomemos a explicação de Santo Agostinho, o Doutor dos doutores. “Quando vier o Espírito Santo — diz o Salvador —, convencerá o mundo no que diz respeito ao pecado.” Por quê? “Porque os homens não creram em Jesus.” Quão grande não será, de fato, a responsabilidade daqueles que, tendo sido testemunhas das maravilhas operadas pelo Redentor, não deram fé à sua palavra! Jerusalém ouvirá dizer que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos de Jesus, e permanecerá tão indiferente quanto esteve diante dos prodígios que lhe designavam o seu Messias. A vinda do Espírito Santo será como o prelúdio da ruína dessa cidade deicida.

Jesus acrescenta que “o Paráclito convencerá o mundo quanto à justiça, porque — diz — eu vou para o Pai e já não me vereis”. Os Apóstolos e aqueles que creram em sua palavra serão santos e justos pela fé. Eles creram n’Aquele que tinha ido para o Pai, n’Aquele que já não viram neste mundo. sJerusalém, pelo contrário, não guardará lembrança d’Ele senão para blasfemá-Lo; a justiça, a santidade, a fé daqueles que creram serão a sua condenação, e o Espírito Santo a abandonará à sua sorte.

Jesus diz também: “O Paráclito convencerá o mundo quanto ao juízo.” E por quê? “Porque o príncipe deste mundo já está julgado.” Aqueles que não seguem a Jesus Cristo têm, contudo, um chefe a quem seguem. Esse chefe é Satanás. Assim, pois, o juízo de Satanás já está pronunciado. O Espírito Santo adverte, portanto, aos discípulos do mundo, que o seu príncipe está para sempre sepultado na reprovação. Que reflitam; porque, acrescenta Santo Agostinho, “o orgulho do homem enganar-se-ia esperando o perdão; que medite frequentemente os castigos que sofrem os anjos soberbos”.

No Ofertório, o cristão emprega as palavras de Davi para celebrar os benefícios de Deus para com sua alma. Associa toda a terra ao seu reconhecimento, e com razão; porque os favores de que é cumulado o cristão são o bem comum de todo o gênero humano, que Jesus ressuscitado chamou a tomar parte, pelos Sacramentos, nas graças da Redenção.

OFERTÓRIO – Cantai jubilosamente a Deus, toda a terra; dizei um salmo ao seu nome; vinde e ouvi, e vos contarei, a todos vós que temeis a Deus, quanto fez o Senhor à minha alma, aleluia.

A Santa Igreja, que tem as suas delícias na contemplação da verdade, cujos tesouros lhe prodigaliza Jesus ressuscitado, pede para seus filhos, na Secreta, a graça de levar uma vida pura, para que possam merecer ser admitidos a contemplar eternamente essa augusta verdade em sua fonte.

SECRETA – Ó Deus, que pelo sacrossanto comércio deste Sacrifício nos fizestes participantes da única e suprema Divindade: suplicamo-Vos façais que, assim como conhecemos a vossa verdade, assim a pratiquemos com costumes dignos. Pelo Senhor.

A Antífona da Comunhão reproduz as palavras do Evangelho que acabamos de interpretar e nas quais nos é mostrada a vinda do divino Espírito como portador, ao mesmo tempo, de recompensa para os crentes e de castigo para os incrédulos.

COMUNHÃO – Quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo, aleluia, aleluia.

Ao oferecer suas ações de graças pelo divino Mistério do qual acabam de participar, a Santa Igreja ensina a seus filhos, na Pós-Comunhão, que a Eucaristia tem ao mesmo tempo a virtude de purificar-nos de nossos pecados e de preservar-nos dos perigos aos quais vivemos expostos.

PÓS-COMUNHÃO – Assisti-nos, Senhor, nosso Deus, para que, por estas coisas que recebemos fielmente, sejamos purificados dos pecados e libertados de todos os perigos. Pelo Senhor.


 

1 Ecle. 4, 12.

2 Prov. 9, 1.

3 Ap. 1, 12, 16.

4. Ibid. 5, 6.

5 Ibid., 5.

6. Ap. 4, 5.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *