Oratório São José

I Domingo depois de Pentecostes

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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PRIMEIRO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

É de lamentar que a festa da Santíssima Trindade, apesar de toda a sua razão de ser, tenha suprimido o primeiro domingo depois de Pentecostes. A Missa que lhe foi atribuída muito cedo permaneceu, ao menos, no Missal; dizem-se suas orações depois das da festa, e deve-se celebrá-la em um dos três dias que precedem Corpus Christi.

O Introito é o grito de uma alma desolada que chama Deus em seu socorro e, antes de ser ouvida, manifesta-lhe confiança e promete-lhe seus cânticos de ação de graças.

INTROITO – Senhor, esperei em vossa misericórdia: meu coração se alegrou em vossa salvação: cantarei ao Senhor, que me concedeu seus bens.
Salmo: Até quando, Senhor? Esquecer-me-eis para sempre? Até quando afastareis de mim a vossa face?
℣. Glória ao Pai.

A Coleta contém a confissão da radical fraqueza da nossa natureza humana. Nada podemos no que diz respeito à salvação. Mas Deus é a fortaleza daqueles que n’Ele põem sua confiança: Ele assegurará nossa fidelidade na prática dos mandamentos.

COLETA – Ó Deus, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício às nossas súplicas; e, visto que a fraqueza mortal nada pode sem Vós, dai-nos o auxílio de vossa graça, para que, cumprindo os vossos mandamentos, Vos agrademos pela vontade e pela ação. Por Nosso Senhor.

A Epístola é um verdadeiro cântico de São João, que em cada versículo nos repete, de modo diferente, mas com infinita complacência, que Deus é amor, que Ele nos amou primeiro e que seu amor está conosco. A lição se desprende por si mesma: se fomos amados deste modo, se Deus continua amando-nos do mesmo modo, também nós devemos amar a Deus e aos nossos irmãos, a quem Deus ama como a nós.

EPÍSTOLA – Leitura da Epístola do Apóstolo São João.

Caríssimos: Deus é caridade. Nisto se manifestou a caridade de Deus para conosco: em que Deus enviou ao mundo o seu Filho unigênito, para que vivamos por Ele. Nisto consiste a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou primeiro e enviou seu Filho como propiciação por nossos pecados. Caríssimos: se Deus assim nos amou, também nós devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanecerá em nós, e sua caridade será perfeita em nós. Nisto conhecemos que permanecemos n’Ele, e Ele em nós: em que nos deu o seu Espírito. E nós vimos e damos testemunho: o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Todo aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos e cremos na caridade que Deus tem para conosco. Deus é caridade; e o que permanece na caridade permanece em Deus, e Deus nele. A caridade de Deus para conosco é perfeita, para que tenhamos confiança no dia do juízo; porque, assim como Ele é, também nós somos neste mundo. Na caridade não há temor, mas a caridade perfeita lança fora o temor, porque o temor traz consigo pena. Mas aquele que teme não é perfeito na caridade. Nós, pois, amemos a Deus, porque Deus nos amou primeiro. Se alguém disser: “Amo a Deus”, e odiar seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, como poderá amar a Deus, a quem não vê? E este é o mandamento que temos de Deus: que aquele que ama a Deus ame também seu irmão.

O Gradual prossegue o mesmo pensamento: feliz aquele cuja alma compassiva compreendeu a angústia dos pobres, dos deserdados, de todos os que sofrem moral e fisicamente. Socorreu-os no ardor de sua caridade, e o Senhor lhe manifestará sua gratidão, perdoando-lhe as faltas e curando as chagas de sua alma.

GRADUAL – Eu disse: Senhor, tende piedade de mim; sarai minha alma, porque pequei contra Vós.
℣. Feliz aquele que socorre o desvalido e o pobre: no dia mau o Senhor o livrará.

 

Aleluia, aleluia.
℣. Ouvi, Senhor, minhas palavras com vossos ouvidos: escutai o meu clamor. Aleluia.

 

EVANGELHO – Continuação do Santo Evangelho segundo São Lucas.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados. Perdoai, e sereis perdoados. Dai, e ser-vos-á dado: derramarão em vosso regaço uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante. Porque com a mesma medida com que medirdes sereis medidos. E dizia-lhes esta parábola: Pode acaso um cego guiar outro cego? Não cairão ambos na cova? O discípulo não está acima do mestre; mas será perfeito aquele que for como o mestre. Por que, pois, vês o argueiro no olho de teu irmão, e não reparas na trave que há no teu? Ou como poderás dizer a teu irmão: “Irmão, deixa-me tirar o argueiro do teu olho”, não vendo a trave em teu próprio olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.

A LIÇÃO DA CARIDADE

Jesus dirige-se a seus discípulos. Expõe-lhes qual espírito deve animar aquele que aspira colocar-se entre os seus fiéis. Esta disposição fundamental será o amor ao próximo; os cristãos deverão praticar a caridade da forma mais perfeita, até heroica.

A misericórdia dos discípulos de Jesus tomará por modelo a misericórdia divina, e não a misericórdia humana, sempre estreita por algum lado. Aquele que trata favoravelmente o próximo encontrará indulgência diante de Deus. Aquele que manifesta sua benevolência pela generosidade espontânea de seus dons atrairá sobre si a liberalidade divina.

Nas manifestações de zelo, a mesma conduta. Em vão alguém se põe a ser guia de seu próximo se não vê claramente o caminho que deve seguir. É preciso viver na luz para guiar os demais. E a segunda condição para que o zelo dê seus frutos é que seja sincero, despojado de toda hipocrisia.

Quem trata de corrigir e repreender os outros deve ser o primeiro a corrigir-se de suas próprias faltas. Um censor hipócrita revela o fundo de seu coração, um fundo perverso que não poderá fazer bem aos demais. Para exercer com fruto o zelo para com o próximo, é necessário que a bondade e a benevolência estejam no coração. Tal a árvore, tal o fruto.
P. A. Valensin e J. Huby,
São Lucas, pp. 120-125.

Se nossas almas estão nas disposições indicadas na Epístola e no Evangelho, poderemos apresentar-nos ao altar e orar com confiança: Deus nos reconhecerá por seus verdadeiros filhos e nos ouvirá. E, se nossas disposições forem tais quais devem ser, descerá sobre nós, como pede a Secreta, o socorro constante e perpétuo de que todos temos necessidade.

OFERTÓRIO – Atendei à voz da minha oração, meu Rei e meu Deus; porque a Vós orarei, Senhor.

 

SECRETA – Suplicamo-Vos, Senhor, que aceiteis aplacado as nossas hóstias a Vós dedicadas, e fazei que nos sirvam de perpétuo auxílio. Por Nosso Senhor.

A Missa termina por um cântico de alegria: a alma recebeu o seu Senhor; não há lugar nela senão para a alegria, mas esta deve permanecer. Por isso, pede desfrutar dos frutos do mistério e não cessar de louvar a Deus, que a cumula de tanta bondade.

COMUNHÃO – Contarei todas as vossas maravilhas: alegrar-me-ei e exultarei em Vós; cantarei salmos ao vosso nome, ó Altíssimo.

 

PÓS-COMUNHÃO – Repletos, Senhor, de tão grandes dons, suplicamo-Vos que façais com que obtenhamos os vossos dons salutares e nunca cessemos de louvar-Vos. Por Nosso Senhor.

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