Oratório São José

A FILOSOFIA CRISTÃ

Dom Fernando Rifan

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Hoje é dia do grande doutor da Igreja Santo Tomás de Aquino (século XIII), da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), cujas obras tiveram enorme influência na teologia e na filosofia, principalmente na tradição intitulada Escolástica. Conhecido como o Doutor Angélico, Doutor Comum e Doutor Universal, é colocado como protótipo do filósofo e teólogo cristão.

​ É padroeiro dos estudantes, professores, escolas e universidades, celebrando a união entre fé e razão, através de seus escritos teológicos e filosóficos, entre os quais se sobressai a Suma Teológica.

Santo Tomás de Aquino é o grande filósofo cristão medieval que sintetizou a filosofia de Aristóteles com a teologia cristã, defendendo que razão e fé não são opostas, mas complementares, sendo a razão uma ferramenta para entender o mundo natural e preparar para a fé, usando conceitos aristotélicos (causas, substância, ato/potência) para provar a existência de Deus e fundamentar o Direito Natural, influenciando profundamente o pensamento católico.

Ele usou a filosofia, especialmente a aristotélica, para dar base racional à fé cristã, mostrando que a razão pode alcançar verdades sobre Deus e o mundo. Santo Tomás cristianizou Aristóteles, aplicando suas ideias (como as quatro causas, substância, ato e potência) para explicar a existência de Deus e a ordem do universo.

Sua obra, como a Suma Teológica, é um exemplo de como a filosofia (metafísica, ética) serve à teologia para compreender a realidade e a finalidade das coisas.

​ Sua filosofia, base do seu sistema teológico, sempre foi muito recomendada pela Igreja. O Concílio Vaticano II não tornou Santo Tomás de Aquino obsoleto; ao contrário, ele o reafirmou como um mestre essencial para a teologia e filosofia cristã, valorizando seu método e pensamento para a Igreja moderna, especialmente em documentos sobre formação sacerdotal e educação, impulsionando o estudo tomista para responder aos desafios contemporâneos, apesar de alguns terem interpretado erroneamente como um afastamento após o Concílio.

O Concílio viu em Tomás de Aquino um guia para apresentar a fé cristã ao homem moderno, usando o tesouro da Igreja para responder às “alegrias e esperanças, tristezas e angústias” atuais, diz. Em documentos como Optatam Totius e Gravissimum Educationis, o Vaticano II recomendou explicitamente o pensamento tomista como base para o estudo e a investigação teológica. O Concílio buscou a sabedoria que vem de Deus, e Tomás de Aquino, com sua profundidade, é visto como um caminho para essa sabedoria, um “apóstolo da verdade”.

Após o Concílio, houve uma interpretação errônea, como se Tomás tivesse sido “varrido do mapa” ou relativizado, o que levou a um distanciamento em algumas instituições. No entanto, o Magistério posterior, incluindo Papas como São João Paulo II e Bento XVI, insistiu no retorno à sua obra e método, combatendo essa falsa noção.

Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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