A RENÚNCIA DE DOM FERNANDO RIFAN E A SUCESSÃO
Durante a Semana de Estudos do Clero da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, Dom Fernando Arêas Rifan, nosso digníssimo Administrador Apostólico, fez aos Padres um relato oficial da sua ida a Roma por ocasião da sua renúncia ao cargo de Administrador contando os detalhes das audiências e leu a Carta da Nunciatura Apostólica no Brasil com determinação da Santa Sé sobre a sua sucessão, que apresentamos a seguir:
RELATO DA MINHA VISITA AO PAPA
AOS PADRES E FIÉIS
DA ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA PESSOAL S. JOÃO MARIA VIANNEY
Caríssimos Padres e fiéis,
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe, Maria Santíssima!
Ao final dessa minha função como Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, nessa prorrogação de tempo que me solicitou o Santo Padre, o Papa Leão XIV, pedindo-me a generosidade de continuar serenamente no governo dessa Igreja, venho agradecer aos nossos caríssimos sacerdotes, religiosas e fiéis em geral, todo o apoio e solidariedade que tiveram para comigo em todo esse tempo. Peço-lhes perdão por qualquer falta ou negligência minha, pedindo as orações de todos. Perdoo a todos os que por acaso possam me ter ofendido de algum modo. Continuaremos sempre unidos na oração e no trabalho nessa vinha do Senhor, a que fomos chamados.
No dia 25 de outubro de 2025 completei, com a graça de Deus, 75 anos de idade e, cinco dias antes, em obediência ao cânon 401 do Código de Direito Canônico, no dia 20 de outubro, apresentei, na Nunciatura Apostólica no Brasil, que representa aqui o Santo Padre, o Papa, a minha renúncia ao ofício que a Igreja me confiou de Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, em 18 de agosto (como Bispo coadjutor) e 16 de dezembro de 2002 (como Bispo titular da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney).
No dia 15 de novembro de 2025, fui amável e gentilmente recebido em audiência particular pelo Santo Padre, o Papa Leão XIV, a quem entreguei pessoalmente essa carta de renúncia, junto com os documentos que exprimem o pensamento, a orientação e o comportamento da nossa Administração Apostólica, com fotos e relatórios alusivos. O Santo Padre me recebeu muito gentilmente, ouviu toda a minha exposição e fez algumas perguntas. Expliquei-lhe o nosso itinerário doutrinal, nossa “conversão”, de como antes éramos influenciados por certos grupos, com posições radicais, mesmo sem pertencer a eles como membros, e de como passamos a compreender melhor a situação da Igreja e a correta adesão ao seu Magistério, como critério de verdade para todo católico, culminando com a declaração feita por Dom Licínio Rangel e por nós, quando da criação da nossa Administração Apostólica: conservamos a Missa na forma tradicional, reconhecendo o Papa, o Concílio Vaticano II interpretado segundo o Magistério da Igreja e a validade do Novus Ordo Missae, celebrado corretamente.
Quando falei, por exemplo, que aqui conservamos a Liturgia da Missa no Rito Romano Antigo (São Pio V), ele me perguntou se também celebro a Missa no rito atual (de Paulo VI). Eu lhe disse que em nossas igrejas, celebramos o rito antigo, mas quando, convidado, concelebro com o nosso Bispo Diocesano, Dom Roberto Paz, uso o rito atual, como também quando eu ou os nossos padres, quando convidados, nas igrejas das dioceses, celebramos a Missa na forma atual. Ele se mostrou satisfeito.
Expus a ele o bom relacionamento nosso com a Diocese de Campos, com os Bispos do nosso Regional e com os Bispos da nossa Conferência Episcopal. Aliás, transmiti a ele a mensagem a mim confiada pelo nosso Bispo Diocesano pedindo que transmitisse ao Papa: “Fale com o Santo Padre que aqui em Campos tudo vai bem, e estamos em paz e em comunhão”.
No dia 17 de novembro fui recebido em audiência no Dicastério para os Bispos, organismo da Cúria Romana ao qual estamos subordinados como circunscrição eclesiástica episcopal. Fui muito bem recebido pelo prefeito o Arcebispo Dom Filippo Iannone, O. Carm. e pelo secretário Dom Ilson de Jesus Montanari, aos quais entreguei os mesmos documentos e respondi a todas as suas perguntas sobre a nossa Administração Apostólica, como esta funciona, sua liturgia, seu relacionamento com os Bispos da região e da CNBB, etc. Perguntaram-me, por exemplo, se cantamos também alguns hinos comuns nas Igrejas do Brasil, e ficaram muito satisfeitos quando lhes disse que sim, além do canto gregoriano e dos hinos tradicionais. A continuidade da existência da nossa Administração Apostólica é ponto pacífico. “Nem se questiona isso”, disseram.
No dia 19 de novembro, apresentei-me ao Santo Padre na audiência pública das quartas-feiras. Ele logo me reconheceu e amavelmente já me apresentou a conclusão das minhas visitas a ele e ao Dicastério para os Bispos, dizendo-me que chegaram à conclusão que deveriam prolongar um pouco a minha permanência no cargo, a fim de melhor ir ponderando as coisas e, sobretudo, na preparação para a minha sucessão.
No dia 25 de novembro, fui ao Dicastério para os Bispos, para cumprimentar, despedir-me e agradecer. Foi então que Dom Ilson Montanari, o secretário do Dicastério, me comunicou que, com o Papa, eles haviam decidido que prolongariam a minha gestão como Administrador Apostólico por um ano e oito meses, até em torno da festa de São Pedro e São Paulo do ano de 2027 (a precisão da data foi feita depois pela carta oficial da Nunciatura Apostólica, abaixo). O motivo é para termos tempo de prepararmos o meu sucessor. O Papa decidiu que aceitaria a renúncia dos Bispos aos 75 anos, e dos Cardeais aos 77 anos. No nosso caso, por ser um caso especial segundo eles, eu ficaria mais um período, para termos tempo de prepararmos um sucessor e, ao deixar o cargo, eu poder acompanha-lo ainda com boa saúde na nova gestão.
No dia 3 de dezembro, recebi da Nunciatura Apostólica, do Exmo. Sr. Núncio Dom Giambattista Diquattro, uma correspondência que passo a lhe transmitir:
“Excelência, Com a carta de 20 de outubro de 2025, Vossa Excelência apresentava ao Santo Padre a renúncia ao governo pastoral dessa Administração Apostólica Pessoal São João Mavia Vianney”.
“Cumpro agora o dever de informar-lhe que o Santo Padre Leão XIV, na Audiência realizada em 22 de novembro de 2025, aceitou a renúncia de Vossa Excelência ao governo pastoral da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, e ao mesmo tempo roga a Vossa Excelência que permaneça na direção da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney por mais dezoito meses a partir da data do seu 75º aniversário”.
“Ao transmitir-lhe a decisão Pontifícia, que deverá ser comunicada ao clero e aos fiéis da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, o Santo Padre Leão XIV pede a Vossa Excelência a generosidade de continuar serenamente no governo da Igreja Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney”.
“Ao comunicar o quanto precede, valho-me da oportunidade para confirmar-me com sentimentos de fraterna estima e consideração
de Vossa Excelência Reverendíssima, dev.mo
+ Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico”
Com toda a minha gratidão, estima e consideração, de todos, indigno servo
+ Fernando Arêas Rifan
COMUNICADO OFICIAL



