Oratório São José

Terça-Feira da IV semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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TERÇA-FEIRA DA QUARTA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías

O Servo de Deus, doce e paciente, Doutor das nações

Eis o meu Servo, a quem Eu amparo; o meu Eleito, em quem minha alma se compraz. Sobre Ele derramei o meu Espírito. Ele explicará a Lei às nações. Não clamará nem falará alto, nem levantará a sua voz nas praças públicas. Não quebrará a cana rachada, nem apagará a mecha fumegante. Exporá fielmente a Lei; não descansará nem se fatigará até restabelecer a Lei sobre a terra; as ilhas esperam a sua doutrina.

Mediador, luzeiro, libertador

Assim fala o Senhor Deus, que cria os céus e os estende, que produz a terra com seus frutos, que dá o ar ao povo que a habita, e o alento aos que caminham por ela:

Sou Eu, o Senhor, quem te chamou em minha justiça, quem te tomou pela mão. Eu te formei e estabeleci a aliança com teu povo; pus-te como luz das nações, para que abras os olhos dos cegos, tires da prisão os cativos, e do fundo da masmorra os que habitam nas trevas.
(Is., XLII, 1-7.)

Ó Jesus! Quão doce e tranquila é a vossa chegada a este mundo! Vossa voz não se faz ouvir imperiosa; e vossas mãos, ainda imóveis no seio materno, não procuram romper a frágil cana que um sopro quebraria facilmente.

Que vindes fazer, pois, nesta primeira vinda? Vosso Pai celestial no-lo ensina por meio do Profeta. Vindes para ser o penhor da aliança entre o céu e a terra. Ó divino Infante, Filho ao mesmo tempo de Deus e filho do homem, bendita seja a vossa chegada aos homens! Vosso berço será a nossa Arca de salvação; vossa passagem pela terra será a luz que nos ilumine e nos liberte do cárcere tenebroso.

Justo é, pois, que saiamos ao vosso encontro, visto que Vós fazeis sozinho a maior parte do caminho. “Não é muito — diz São Bernardo em seu primeiro Sermão do Advento — que, quando o enfermo não tem força para sair ao encontro de seu Médico, procure ao menos levantar a cabeça e fazer alguns movimentos de saudação. Não se trata, ó homem, de atravessar os mares, de penetrar as nuvens ou transpor as montanhas; não, o caminho não é pesado. Sai apenas até ti mesmo, e encontrarás o teu Deus, porque Ele está em tua boca e em teu coração. Sai ao seu encontro pela compunção de teu coração e pela confissão de tua boca; sai simplesmente do lodaçal de tua desditosa consciência, porque o Autor da pureza não poderia repousar nela tal como agora se encontra”.

Glória, pois, a Vós, ó Jesus, que evitais a ruptura da cana para que ela possa reverdecer e dar flores à margem das águas que de Vós manam! Glória a Vós, que contendes o vosso poderoso sopro para não apagar a última centelha dessa mecha que se consome, mas que, não estando de todo fria, ainda pode reanimar-se e brilhar no banquete do Esposo!

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