Oratório São José

Quinta-Feira da II semana do Advento.

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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QUINTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías.

Oráculo contra o Egito.

Eis o Senhor cavalgando sobre uma nuvem ligeira e chegando ao Egito. Os deuses do Egito tremem em sua presença, e o coração do Egito está petrificado de terror. Farei combater egípcios contra egípcios, e lutarão irmão contra irmão, amigo contra amigo, cidade contra cidade e reino contra reino. (Is., XIX, 1-2.)

O Egito que o Senhor vai visitar, cujos ídolos e império vai derrubar, é a cidade de Satanás, que deve sucumbir para dar lugar à cidade de Deus. Admiremos a pacífica entrada do triunfador, que vem sobre uma nuvem, e uma nuvem tênue, à maneira de carruagem.

Quantos mistérios em tão poucas palavras! “Existem três classes de nuvens — diz Pedro de Blois em seu segundo Sermão do Advento —: a obscuridade das profecias, a profundidade dos desígnios divinos e a maravilhosa fecundidade da Virgem”. Com efeito, é próprio de toda profecia vir envolta em certa obscuridade, que deixa intacta a liberdade humana; mas o Senhor chega sob a nuvem, e no momento de sua realização tudo fica esclarecido. Assim aconteceu em sua primeira vinda; e assim há de acontecer na segunda.

Ordinariamente, os desígnios de Deus não se manifestam senão nas causas segundas; e assim sucede quase sempre, e sucedeu de modo especial no grande fato da Encarnação: a extrema simplicidade dos meios empregados pela Sabedoria divina veio enganar os cálculos dos homens. Estes teriam acreditado que, para levantar o mundo de sua ruína, seria necessário manifestar uma potência equivalente, ao menos, à da criação primitiva; e eis que somente se lhes diz: Encontrareis um menino envolto em faixas e recostado num presépio.

Ó Onipotência divina, quão admirável é o vosso resplendor através desta nuvem! Quão poderosa é a vossa aparente fraqueza!

Mas a terceira nuvem é a Virgem Maria; nuvem tênue, “porque — diz São Jerônimo — nem a concupiscência nem o peso do matrimônio terreno a tornam pesada”; nuvem fecunda em refrigerante orvalho, pois contém o Justo, que destilará sobre nós para apagar nossos ardores sensuais e fertilizar o campo de nossa vida.

Quão doce é o brilho da majestade do nosso Rei divino quando o contemplamos através da nuvem de Maria! Ó Virgem sem igual! A Igreja inteira te reconhece nessa nuvem misteriosa que o Profeta Elias contemplou do alto do Carmelo, elevando-se sobre o mar, pequena a princípio como a pegada humana, mas que logo crescia no horizonte até enviar à terra uma chuva tão copiosa, que bastou para saciar a sede de todo o povo de Israel.

Dai-nos depressa esse divino orvalho que trazeis dentro de vós; nossos pecados nos mereceram um céu de bronze sobre nossas cabeças. Só vós sois santa e pura, ó Maria! Rogai ao Senhor, cujo trono misericordioso sois, que venha quanto antes derrubar nossos inimigos e trazer-nos a paz.

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