Oratório São José

Quarta-Feira da II semana do Advento.

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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QUARTA-FEIRA DA SEGUNDA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías

Enviai, Senhor, o Cordeiro, dominador da terra, desde a rocha do deserto ao monte da filha de Sião1. Como aves espantadas e lançadas fora do ninho, assim estarão as filhas de Moab na passagem do Arnon2.

Decide-te, dá uma ordem; estende tua sombra para que seja como uma noite em pleno dia; oculta os desterrados, não descubras os fugitivos.

Dá abrigo aos desterrados de Moab, ampara-os contra o devastador, até que tenha terminado a invasão, cessado a devastação, e o opressor tenha abandonado a terra.

O trono se consolidará pela misericórdia, e sobre este trono se assentará para sempre, na tenda de Davi, um juiz zeloso da justiça e conhecedor do que é reto.
(Is., XVI, 1-5.)

Ó Senhor, enviai-nos o Cordeiro! “Necessitamos do Cordeiro, e não do leão — exclama Pedro de Celles em seu III Sermão do Advento —, o Cordeiro que não se enfurece e cuja mansidão jamais se altera; o Cordeiro que nos empreste sua lã branca como a neve, para aquecer nossa frieza e cobrir nossa nudez; o Cordeiro que nos dê sua carne em alimento, para que não desfaleçamos de fraqueza no caminho.

Enviai-o cheio de sabedoria, porque em sua divina prudência há de vencer o espírito da soberba; enviai-o cheio de fortaleza, porque está dito que o Senhor é forte e poderoso no combate; enviai-o cheio de doçura, porque há de descer como o orvalho sobre o velo; enviai-o como vítima, porque há de ser vendido e imolado por nosso resgate; enviai-o, não para o extermínio dos pecadores, pois virá buscá-los mais do que aos justos; enviai-o, finalmente, digno de receber o poder e a divindade, digno de desatar os sete selos do livro fechado, isto é, do inefável mistério da Encarnação”.

És, pois, Rei, ó divino Cordeiro! És o soberano Dominador desde o seio de tua Mãe. Esse seio virginal é um trono de misericórdia sobre o qual te assentas humildemente, disposto a fazer justiça e a confundir nosso cruel inimigo. Ó amado Rei! Embora nossos olhos ainda não te contemplem, nosso coração já te sentiu. Ele sabe que somente por sua causa te revestes de tão estranha realeza. Deixa-o aproximar-se de ti para prestar-te fidelidade e homenagem, agora que ainda estás oculto sob o véu.

Em breve, os braços de Maria serão um segundo trono para tua Majestade, e toda a terra verá o Salvador que lhe é enviado.


1. A passagem de Isaías citada aqui convida os israelitas a oferecer hospitalidade aos fugitivos de Moabe (vizinho de Israel a sudeste do Mar Morto) e protegê-los do destruidor de sua terra; esse ato de misericórdia consolidará o trono de Davi. No entanto, nessas guerras, as princesas eram particularmente vulneráveis ​​a serem feitas prisioneiras para servir no harém do conquistador. Assim, “enviai a filha do príncipe para Sião, onde ela estará segura” (Condamini). Esta tradução do autor é feita por meio de uma pequena correção ao hebraico, que diz “cordeiro” em vez de “filha”. Geralmente se entende que este “cordeiro” (ou cordeiros) representa o tributo anual que Moabe deve pagar a Israel. Deve-se reconhecer, com o Padre Condamini, que “a ideia de tributo não está de acordo com o que precede ou segue”. Qualquer que seja a tradução adotada, “filha” ou “cordeiro”, nenhuma delas tem um significado messiânico. Ora, São Jerônimo acreditava ter visto nesta passagem uma profecia messiânica. Sua tradução é tão clara nesse sentido que a Liturgia do Advento a adotou. A palavra “Domine”, que não se encontra nem no texto nem na tradução de São Jerônimo, também provém dos livros litúrgicos e passou deles para a Vulgata, que esclarece ainda mais o significado. Esta é a origem do versículo: “Emitte agnum, Domine, dominatorem terrae, de petra desertl ad montem flliae Slon.” “Envia, Senhor, o Cordeiro, governante da terra, da rocha do deserto ao monte da filha de Sião.” (Pe. Dürand, S.J. Études, 1898.) Dom Guéranger segue São Jerônimo em seu comentário.

2. O Arnon é um rio que separa o território de Moabe do de Judá. Aqui, as filhas de Moabe são retratadas fugindo do invasor em direção a Judá, atravessando os vaus do Arnon.

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