BEATA VERÔNICA DE BINASCO (13/01)
BEATA VERÔNICA DE BINASCO
Virgem, religiosa (1497 d.C.)
Origem – Todos os estados de vida oferecem meios abundantes de santificação; a única coisa que nos impede de tirar proveito deles é a nossa negligência e a nossa tibieza. A Beata Verônica não podia gabar-se do seu nascimento nem da sua fortuna. Seus pais mantinham a casa com muito trabalho, numa pequena cidade perto de Milão.
O pai de Verônica foi tão honesto que nunca vendeu um cavalo ou qualquer animal, sem informar o comprador das qualidades e dos defeitos do animal. A sua pobreza impediu-o de mandar a filha para a escola, pelo que Verônica nunca aprendeu a ler; mas o exemplo e os conselhos dos seus pais fizeram crescer no seu coração o amor de Deus, e os mistérios cristãos alimentaram a sua piedade.
Amor à solidão – A Beata era muito trabalhadora e tão obediente, humilde e submissa, que parecia não ter vontade própria. Durante os trabalhos de colheita e outros trabalhos de campo, procurava manter uma certa distância dos companheiros para poder dedicar-se mais livremente à contemplação. Seus companheiros ficavam surpresos por ela gostar tanto da solidão. Muitas vezes a encontravam banhada em lágrimas, embora Verônica escondesse o que acontecia entre ela e Deus com tanto zelo que nunca souberam que a devoção era a causa de seu choro.
Vocação – Verônica concebeu o desejo de ser religiosa no pobre e austero convento de Santa Marta, em Milão, na ordem de Santo Agostinho. Para reunir as condições exigidas, começou a aprender a ler e escrever à noite.
Certa vez, quando se sentiu desanimada ao ver o pouco progresso que estava fazendo, a Mãe de Deus ordenou-lhe que descartasse toda ansiedade, pois apenas três lições bastavam para que ela fosse uma boa religiosa: a pureza dos afetos, que consistia em colocar todo o seu coração em Deus; não murmurar, nem ficar impaciente com os defeitos e pecados dos outros, mas suportá-los com paciência e pedir a Deus pelos culpados; finalmente, reservar algum tempo todos os dias para meditar a Paixão de Cristo.
Perfeição da Regra – Após três anos de preparação, Verônica tomou o hábito religioso no convento de Santa Marta. A sua vida nele foi uma encarnação das regras, que consistiam na prática da perfeição evangélica reduzida a certos exercícios piedosos. Verônica se esforçou para seguir as regras nos mínimos detalhes e ser perfeitamente obediente à menor indicação da vontade de sua superiora.
Durante três anos sofreu de reumatismo agudo, mas nunca pediu redução do seu trabalho ou clemência. Quando suas superioras lhe ofereciam algum alívio, ela sempre respondia: “Meu dever é trabalhar enquanto posso e Deus me dá tempo para isso”. Seu maior prazer era ajudar e servir aos outros. O seu silêncio era sinal da meditação e da oração constante em que vivia, da qual o seu dom das lágrimas era uma manifestação externa. A Bem-aventurada falava sempre da sua vida pecaminosa, como ela a chamava, com grande angústia; mas na realidade ela sempre levou uma vida de inocência.
Santa morte – Deus favoreceu a santa mulher com visões e consolações extraordinárias. Ainda é preservado um relato dos principais incidentes da vida do Senhor, tal como ela os viu em seus êxtases. Suas orações suavizaram e converteram muitos pecadores endurecidos. Verônica morreu no momento que ela mesma havia previsto, em 1497, aos cinquenta e dois anos.
O Papa Leão X, em 1517, permitiu que ela fosse homenageada em seu convento, como se tivesse sido beatificada da forma habitual. Seu nome está incluído no Martirológio Romano, uma distinção extraordinária para uma serva de Deus que não foi formalmente canonizado.[1]
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 88-89)
[1] O culto à Beata Verônica foi aprovado pelo Breve de Leão X (15/12/1517). O Papa Clemente X o estendeu (06/02/1672), a toda a Orden agostiniana e Bento XIV, em janeiro de 1749, aprovou a inclusão do nome da Beata no Martirológio Romano, mesmo sem a canonização.


