Santo Eusébio (16/12)
Santo Eusébio, Bispo e Mártir – 3ª classe
BISPO DE VERCELLI (371 p.c.)
Origem – Santo Eusébio, nasceu na Sardenha. Diz-se que seu pai era prisioneiro lá por causa de sua fé. Quando sua mãe ficou viúva, mudou-se para Roma com Eusébio e sua irmã. Ali Eusébio foi educado e recebeu a Ordem de Leitor. Mais tarde, foi enviado para Vercelli, no Piemonte, onde se destacou tanto no serviço à Igreja que o clero e o povo o elegeram para governar a sé.
Bispo exemplar – Santo Eusébio é o primeiro bispo de Vercelli cujo nome permanece na memória. Santo Ambrósio diz que foi a primeira pessoa no Ocidente que uniu a disciplina monástica com a disciplina clerical, já que vivia em comunidade com parte do seu clero. Por esta razão, os cônegos regulares veneram especialmente Santo Eusébio.
Pastor de pastores – O santo compreendeu que o primeiro e melhor meio para trabalhar eficazmente pela santificação do seu rebanho era formar pessoalmente o seu clero na virtude, na piedade e no zelo pelas almas. Nesse empreendimento teve tanto sucesso que seus discípulos foram eleitos bispos de outras dioceses, e muitos deles brilharam como faróis na Igreja de Deus. Santo Eusébio também cuidou da educação do povo com grande diligência, e muitos pecadores mudaram de vida, graças à virtude da verdade que o santo pregava e ao seu exemplo de bondade e caridade.
Contra os arianos – No ano de 354 foi convocado ao serviço da Igreja universal e, durante os dez anos seguintes, distinguiu-se como confessor da fé e sofreu por isso.
De fato, no ano 354, o Papa Libério nomeou Santo Eusébio e Lúcifer de Cagliari para irem pedir ao Imperador Constâncio que convocasse um concílio e tentasse pôr fim à rivalidade entre católicos e arianos. Constâncio concordou, e o concílio reuniu-se em Milão no ano 355.
Eusébio, vendo que os arianos, embora fossem menos numerosos que os católicos, iriam prevalecer pela força, recusou-se a comparecer ao concílio até que Constâncio o forçou. Quando os bispos foram ordenados a assinar um documento condenando Santo Atanásio, Eusébio recusou-se a fazê-lo e, colocando sobre a mesa o Credo Niceno, exigiu que todos o assinassem antes de discutir o caso de Santo Atanásio. Isto produziu um verdadeiro tumulto.
Primeiro exílio – Finalmente, o imperador mandou chamar Santo Eusébio, São Dionísio de Milão e Lúcifer de Cagliari, e exigiu que condenassem Atanásio. Insistiram que ele era inocente e que não havia direito de condená-lo sem ouvi-lo, e protestaram contra a intervenção do braço secular nas decisões eclesiásticas. O imperador ficou furioso e ameaçou matá-los; mas ele se contentou em exilá-los. Santo Eusébio foi exilado pela primeira vez para Citópolis, na Palestina, onde estava sob a supervisão de Patrófilo, o bispo ariano.
No início, ficou hospedado na casa de São José da Palestina, cuja família era a única ortodoxa da cidade. Santo Epifânio e outras personalidades ilustres consolaram-no visitando-o, e alguns mensageiros partiram de Vercelli para lhe trazer ajuda pecuniária. Mas a paciência do santo foi severamente testada.
Sofrimentos de mártir – Após a morte do conde José, os arianos insultaram Santo Eusébio, arrastaram-no seminu pelas ruas e durante quatro dias, mantiveram-no trancado num pequeno quarto e continuamente o importunaram para que aceitasse os princípios arianos. Como nem os seus diáconos nem os outros cristãos podiam visitá-lo, o santo escreveu a Patrófilo uma carta com o seguinte título: “Eusébio, servo de Deus, e os demais servos de Deus que sofrem com ele pela fé, ao perseguidor Patrófilo e aos seus capangas”. Depois de descrever o que havia sofrido, pediu permissão aos seus diáconos para visitá-lo.
Santo Eusébio fez uma espécie de “greve de fome”. Depois de quatro dias sem provar comida, os arianos o mandaram para casa novamente. Mas três semanas depois, eles invadiram novamente a casa e o arrastaram para fora, depois de roubarem seus bens, espalharem suas provisões e expulsarem sua comitiva. Santo Eusébio conseguiu escrever uma carta ao seu rebanho contando o ocorrido. Mais tarde, foi transferido de Citópolis para a Capadócia e depois para a alta Tebaida. Conserva-se uma carta que escreveu do Egito a Gregório, bispo de Elvira, na qual o elogiava pela perseverança com que resistiu aos inimigos da fé da Igreja, e expressava o desejo de morrer sofrendo pelo Reino de Deus.
Retorno do exílio – Constantino morreu por volta do ano 361. Juliano permitiu que os bispos exilados retornassem às suas respectivas sedes. Santo Eusébio foi então a Alexandria para falar com Santo Atanásio sobre os remédios que deveriam ser aplicados aos males da Igreja. Lá participou de um concílio e, mais tarde, mudou-se para Antioquia, como legado conciliar, para que São Melécio fosse reconhecido como bispo e para tentar pôr fim ao cisma eustatiano. Infelizmente, Lúcifer de Cagliari tinha acabado de colocar lenha na fogueira, nomeando Paulino bispo dos Eustatianos.
Eusébio repreendeu-o pela ligeireza com que procedera. O impetuoso Lúcifer vingou-se rompendo a comunhão com ele e com todos aqueles que, obedecendo aos decretos do concílio de Alexandria, aceitaram os bispos convertidos do arianismo. Tal foi a origem do cisma de Lúcifer, cujo orgulho o fez perder o fruto do zelo que até então demonstrara e do que sofrera pela fé.
Viagens apostólicas – Não podendo fazer nada em Antioquia, Santo Eusébio viajou para o leste, para a Ilíria, confirmando na fé aqueles que nela vacilavam e reconciliando muitos que se distanciaram da Igreja. Na Itália conheceu Santo Hilário de Poitiers e, juntos, lutaram contra Auxêncio de Milão, que queria impor o Arianismo. São Jerônimo diz que a cidade de Vercelli “tirou as vestes de luto” quando o seu bispo regressou depois de tão longa ausência.
Reconhecido como mártir – Nada sabemos sobre os últimos anos de Santo Eusébio. Morreu no dia 1º de agosto, dia em que o comemora o Martirológio Romano, que o descreve como mártir; mas o Breviário observa que ele foi um mártir pelos seus sofrimentos e não pela sua morte. Na catedral de Vercelli existe um manuscrito dos Evangelhos, escrito, dizem, pelo próprio punho do santo. O rei Berengário mandou cobri-la com folhas de prata há quase mil anos, porque já estava muito gasta. Este manuscrito é o mais antigo “códice” sobrevivente da versão latina. Santo Eusébio é um dos vários personagens aos quais o Credo Atanasiano foi atribuído.
Virtude necessária – Os Padres da Igreja, que com o seu zelo e conhecimento mantiveram intacta a verdade da fé, fizeram da humildade o fundamento da sua atividade.
Sabendo que estavam sujeitos ao erro, repetiram com Santo Agostinho: “Posso errar, mas nunca serei herege”. A prudência e a humildade não são menos necessárias nos estudos seculares do que nos religiosos. Alguns perdem o contato com a realidade em suas reflexões e desperdiçam seu talento dedicando-se a estudos que estão além de suas forças. Cícero tem razão quando diz que não existe doutrina, por mais absurda que seja, que não tenha sido defendida por algum filósofo. Por isso, o Apóstolo afirma que “a ciência incha”, não porque seja má em si, mas porque o coração humano é muito propenso ao orgulho. Geralmente os mais ignorantes são os que mais facilmente caem no defeito de exagerar seus conhecimentos e qualidades.
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 571-573)


