Santos Hiparco, Filoteu, Santiago, Paragro, Abido, Romano e Loliano (09/10)
Santos Hiparco, Filoteu, Santiago, Paragro, Abido, Romano e Loliano
SÃO HIPARCO E COMPANHEIROS,
(OS SETE MÁRTIRES DE SAMOSATA: Santos Hiparco, Filoteu, Santiago, Paragro, Abido, Romano e Loliano)
(297 ou 308?)
Conversão de Hiparco e Filoteu – Ao retornar da campanha contra os persas, César Galério (a menos que fosse Maxímino, quando governava na Síria) realizou uma festa em Samósata, próximo ao Eufrates, e ordenou que todos participassem dos sacrifícios que lhe seriam oferecidos aos deuses. Os magistrados Hiparco e Filoteu tinham se convertido ao cristianismo pouco antes. Na casa de Hiparco havia uma cruz, diante da qual ambos oraram.
Cinco jovens amigos deles, chamados Santiago, Paragro, Abido, Romano e Loliano, visitaram-nos e encontraram-nos prostrados diante da cruz. Logicamente perguntaram por que rezavam em casa, quando o imperador tinha ordenado que todas as pessoas se reunissem no templo de deusa Fortuna. Hiparco e Filoteu responderam que adoravam o Criador do Mundo. Os jovens perguntam: “Acreditas que aquela cruz criou o mundo?” Hiparco respondeu:
“Adoramos Aquele que morreu na cruz, porque Ele era Deus e Filho de Deus. Já se passaram três anos desde que fomos batizados por Santiago, sacerdote da verdadeira religião, que nos deu o Corpo e o Sangue de Cristo. Consideraríamos pecado sair de casa durante esses três dias, pois odiamos o cheiro de sacrifícios que invade toda a cidade”.
Conversão dos Cinco – Depois de muita discussão, os cinco rapazes declararam que desejavam receber o batismo. Hiparco escreveu então uma carta ao padre Santiago e entregou-a a um mensageiro. O sacerdote apareceu imediatamente na casa de Hiparco, carregando os vasos sagrados escondidos sob o manto. Ao ver os sete amigos, cumprimentou-os dizendo: “A paz esteja convosco, servos de Jesus Cristo, que foi crucificado pelas suas criaturas”.
Romano e seus companheiros convertidos caíram de joelhos e disseram: “Tenha misericórdia de nós e imprima em nós o selo de Jesus Cristo, a quem adoramos.” Depois de orarem juntos, o sacerdote Santiago disse-lhes: “A graça de Jesus Cristo esteja com todos vós”. Os jovens fizeram uma profissão de fé e renunciaram à idolatria. O sacerdote os batizou e deu-lhes o Corpo e o Sangue de Cristo. Ele então cobriu os vasos sagrados com seu manto e correu para casa, temendo que os pagãos os vissem em tal companhia, já que era um ancião malvestido, enquanto Hiparco, Filoteu e os cinco jovens eram personagens de origem nobre.
Intimados à presença do imperador – No terceiro dia das festividades, o imperador perguntou se todos os magistrados tinham sacrificado em público. Nesta ocasião, soube que Hiparco e Filoteu não participavam do culto há três anos. Imediatamente, o imperador ordenou que fossem levados ao templo e obrigados a oferecer sacrifícios. Os mensageiros imperiais encontraram os sete cristãos na casa de Hiparco, mas apenas Hiparco e Filoteu foram feitos prisioneiros naquele momento. O imperador perguntou-lhes por que eles o desprezavam e aos deuses.
Hiparco respondeu que tinha vergonha de ouvir ídolos de madeira e pedra chamados de deuses. O imperador ordenou que ele recebesse cinquenta chicotadas e prometeu a Filoteu que o nomearia pretor se ele se submetesse. Filoteu respondeu que consideraria uma posição comprada por aquele preço uma ignomínia. Imediatamente começou a falar com grande eloquência sobre a criação do mundo, mas o imperador o interrompeu, dizendo-lhe que via que era um homem muito culto e que esperava abandonar seus erros para não ser forçado a torturá-lo.
Ele imediatamente ordenou aos guardas que o trancassem em uma masmorra separada de Hiparco, carregado de correntes. Enquanto isso, um oficial foi prender os outros cinco cristãos que estavam na casa de Hiparco. Como também se recusavam a oferecer sacrifícios, o imperador fez-lhes notar que ainda eram muito jovens e disse-lhes que, se perseverassem na sua obstinação, mandaria açoitá-los e crucificá-los como o seu Mestre. Os jovens responderam que não tinham medo da tortura. Eles foram imediatamente acorrentados e trancados em diferentes masmorras, e não receberam comida ou bebida até depois das festividades.
Julgamento dos Sete – Terminadas as solenidades em homenagem aos deuses, uma tribuna foi erguida às margens do Eufrates. O imperador foi até lá e ordenou que trouxessem os cativos. Os dois magistrados, carregados de correntes, iam na frente, seguidos pelos cinco jovens, que estavam com as mãos amarradas. Quando novamente se recusaram a oferecer sacrifícios, foram torturados e receberam vinte chicotadas cada. Depois, foram levados de volta para a prisão. O imperador ordenou que ninguém fosse autorizado a visitá-los ou a ajudá-los e que apenas lhes fosse dado um pouco de pão para que não morressem de fome. Depois de mais de dois meses, os prisioneiros compareceram novamente diante do imperador. Pela aparência, pareciam mais cadáveres.
Quando instados a oferecer sacrifícios aos deuses, os mártires imploraram que não fosse feita nenhuma tentativa de desviá-los do caminho de Jesus Cristo. O imperador respondeu furioso: “Já que desejas a morte, irei satisfazer o seu desejo para que não insultes mais os deuses”. Ele então ordenou que os guardas os amordaçassem e crucificassem. Os guardas rapidamente os transportaram para o local da execução.
Algunos magistrados fizeram notar que Hiparco e Filoteu eram seus colegas na magistratura e tinham que prestar contas do desempenho do seu cargo, e que os outros cinco eram patrícios e tinham pelo menos o direito de redigir o seu testamento, portanto, pediram que o mesmo fosse adiado até a execução. O imperador concordou e colocou os condenados nas mãos dos magistrados para que estes procedimentos fossem realizados.
Os magistrados levaram-nos até à entrada do circo, retiraram-lhes as mordaças e disseram-lhes em privado: “Conseguimos o adiamento da pena com o pretexto de resolver convosco alguns assuntos de interesse público, mas na realidade o que queríamos era falar-vos em particular para pedir que ore a Deus por nós e abençoe a nós e à cidade”. Os mártires os abençoaram e se dirigiram à multidão reunida. Quando o imperador descobriu, enviou uma reprimenda aos magistrados por terem permitido que os condenados falassem ao povo. Os magistrados desculparam-se dizendo que não o tinham impedido por medo da multidão.
Martírio dos Sete – O imperador ordenou que sete cruzes fossem erguidas perto dos portões da cidade e novamente ordenou que Hiparco se submetesse. O ancião respondeu, colocando a mão na cabeça calva: “Assim como minha cabeça não pode, naturalmente, ser coberta de cabelos novamente, também não posso mudar de ideia e me submeter à sua vontade”. O imperador ordenou que fosse colocada uma pele de cabra na cabeça do velho e disse-lhe zombeteiramente: “Agora que sua cabeça está coberta de cabelos, ofereça sacrifícios aos deuses, como convém à sua condição”. Imediatamente, deu ordem para crucificar os prisioneiros.
À noite, algumas mulheres subornaram os guardas para que lhes permitissem limpar o sangue dos rostos dos mártires.
Hiparco morreu logo. Santiago, Romano e Loliano morreram no dia seguinte, esfaqueados pelos soldados. Quanto a Filoteu, Abibo e Paragro, foram descidos da cruz antes de morrerem e suas cabeças foram perfuradas com lanças. O imperador ordenou que os cadáveres fossem jogados no rio. Mas um cristão chamado Baso comprou-os aos guardas e enterrou-os durante a noite na sua casa de campo.
(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 518-520)


