Oratório São José

APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA (21/11)

Santo do dia

0:00

APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA – 3ª classe

A vinte e um de novembro, a Igreja de Deus, sempre guiada pelo Espírito Santo, celebra a Apresentação da Santa Virgem Maria ao templo, para ali passar os primeiros anos de vida. E a Virgem mesma dignou-se revelar a almas santas, notadamente a Santa Isabel da Hungria e a Santa Brígida da Suécia, as particularidades da estada no templo.

Nas revelações de Santa Brígida, onde a Igreja nada encontrou contrário à fé e que pode crer-se piamenta, vê-se que a Santa Virgem concebeu sem pecado e foi levada ao céu em corpo e alma. Nossa Senhora mesma revelou-o a Santa Brígida, bem como os progressos que teve no conhecimento de Deus e sua lei.

“Desde o início de minha infância, disse ela, quando entendi e compreendi que Deus existia, fui sempre cuidadosa e temerosa de minha conduta e de minha salvação. Quando, porém, plenamente compreendi que Deus era meu criador e o iuiz de todas as minhas ações, passei a amá-lo mais intimamente, a toda a hora receosa de ofendê-lo, quer por ações, quer por palavras. Depois, quando soube que havia dado leis e mandamentos ao povo e tantas maravilhas fizera, resolvi firmemente, em minha alma, nada mais amar senão a Ele. E as coisas mundanas passaram a ser-me grandemente amargas.

Afinal, sabendo que o mesmo Deus resgataria o mundo e iria nascer duma Virgem, fui tocada de tão grande amor por Ele que não pensava em nada que não fosse Deus, nem a mais nada, que não Deus, eu desejava. Afastei-me, o mais que pude, de parentes e amigos. Aos pobres, dava tudo o que podia ter, e não me reservava mais do que a simples vestimenta e um pouco para viver até os tempos em que Ele devia nascer, na esperança de que poderia ser a indigna criada da Mãe de Deus.

Fiz, no fundo do coração, voto de guardar a virgindade, se a Deus fôra agradável, e nada possuir no mundo”.[1]

Santa Brígida e Santa Isabel da Turíngia ou da Hungria tiveram as mesmas revelações.

Uma noite, quando Isabel recitava a saudação angélica, Maria, a guem dirigia a oração, apareceu-lhe dizendo-lhe, entre outras coisas:

“Vim ensinar-te todas as orações que fazia quando estava no templo. Acima de tudo, pedia eu a Deus que me fizesse amá-lo, e detestasse o pecado. Não há virtude sem esse amor absoluto de Deus, pela qual a plenitude da graça desce na alma. Mas, depois de ter descido, ir-se-á, como a água que se escoa dum reservatório aberto, a menos que continuemos a detestar os pecados e os vícios, sempre e sempre. Aquele, pois, que quiser conservar a graça do alto, deve saber coordenar o amor e o ódio no coração. Vejo que tu fazes tudo aquilo que eu fazia, Levantava-me pelo meio da noite e ia prosternar-me diante do altar, onde rogava a Deus me fizesse observar todos os preceitos que dele emanaram, suplicando-lhe me concedesse as graças de que necessitava para lhe ser agradável. Pedia-lhe, e isso com muito ardor, que me conservasse para alcançar eu o tempo em que uma Virgem muito santa lhe teria o Filho, a fim de poder servi-la e venera-la.

Isabel interrompeu-a para perguntar-lhe: Ó muito doce Senhora, vós já não éreis cheia de graça e de virtudes?

Nossa Senhora respondeu-lhe: “Acreditava-me também culpada e miserável como tu também acreditas que o sejas: eis porque rogava a Deus me concedesse graças que julgava necessárias.

E continuou:

“O Senhor fazia de mim o que o músico faz com a harpa, a que ordena e dispõe todas as cordas, para que dêem som agradável e harmonioso. Foi assim que Deus me ordenou a alma, o coração, o espírito, os meus sentidos todos. Assim, regrada pela Sabedoria, era eu constantemente arrebatada até o seio de Deus pelos anjos, e lá, gozava de tanta alegria, de doçura tanta e de tanta consolação, que me não recordava mais do mundo em que então vivia: era como se nele jamais vivera. Estava, além disso, tão familiarizada com Deus e os anjos, que me parecia ter sempre vivido na corte gloriosa. Quando aprazia a Deus Pai, tomavam-me os anjos e transportavam-me para onde me haviam tirado, onde, na terra, estava a orar.

lsabel, estava estática.

Quando me via na terra, continuava Maria, e me recordava do céu, a lembrança tanto me inflamava, que me punha, por amor de Deus, a beijar a terra, a abraçar as pedras, as árvores, todas as coisas criadas, enfim, tamanha era a afeição pelo Criador de tudo. Queria ser a criada de todas as santas mulheres que habitavam o templo. Desejava ser submissa a todas as criaturas pelo amor do Pai supremo, e esse desejo me vinha sem cessar. Deverias fazer o mesmo. Porém, estás sempre a dizer: ‘Por que para mim tantos favores, quando sou tão indigna de os receber?’ E te desesperas, não crês nos benefícios de Deus. Tem cuidado de não mais falares assim, porque desagradas a Deus. Ele pode dar, como um bom mestre, as graças a quem quer, e como um sábio pai, bem sabe a quem as convém dar, a quem as mercês convêm.

Terminando, disse a Isabel a divina instrutora:

Eu vim a ti por graça especial: sou toda tua, agora. Interroga-me, pois, sobre aquilo que desejas e a tudo responderei.

Isabel não ousava usar daquela faculdade, julgando-se indigna. Maria, então, exortou-a, e a Santa perguntou:

Dizei-me, doce Senhora, por que tínheis tão grande desejo de ver a Virgem que deveria ter o Filho de Deus?

A santa Virgem respondeu-lhe:

Um dia, pensando na minha resolução de jamais me separar do Senhor, procurei ler, para encontrar alguma coisa que me fortalecesse a alma. Abri, pois, o livro santo e dei com estas palavras de Isaías: ‘Eis que a Virgem conceberá’. Compreendi que o Filho de Deus devia escolher uma virgem para, então, dela nascer. Imediatamente resolvi, no fundo do coração, pelo respeito e graça daquela virgem, guardar a virgindade, e dar-me a ela como criada. Queria servi-la, dela jamais separar-me ainda que necessitasse correr o universo todo. Ora, uma noite, prosternada, em oração, ardentemente ao Senhor eu suplicava: que me prolongasse a vida para eu poder ver a Virsem dos meus sonhos, porque queria servi-la, venerá-la, dedicar-me toda a ela. E eis que um esplendor muito mais forte que o do sol a tudo iluminou, e do meio, dele uma voz me disse: ‘Prepara-te para ter meu Filho!’ E, muito claramente, a voz acrescentou: ‘Sabe que a submissão que querias tributar a outrem por amor de mim, a ti, não a nenhuma outra, ser-te-á tributada pelos outros. Hás de ser a Mãe, a Senhora e a Dominadora de meu Filho, de modo que não somente o terás, mas poderás da-lo a quem queiras dar. Não terão minha graça nem meu amor, nem a graça e o amor de meu Filho, aqueles que vos não amarem. Quanto a ti, ainda, quem não te confessar a Mãe de meu Filho, jamais me entrará no reino. Querias que te concede o favor de viver para conheceres essa Virgem que há de ter meu Filho, para servi-la e venerá-la: digo-te, pois, que tu mesma serás essa Virgem que há de ter meu Filho. Ser-te-á dado por mim e or ninguém mais, e quem não te implorar o favor jamais poderá ter consolação de meu Filho’. Quando acabei de ouvir aquelas palavras, estava com o rosto por terra. Tremia e não podia sustentar-me. Mas foi por pouco tempo, porque os anjos me apareceram e me fortaleceram. Desde aquele momento, entreguei-me totalmente aos louvores de Deus e, de tal sorte, que dia e noite não podia saciar-me de louvar o Pai supremo e render-lhe graças.[2]

Terminada a doce conversação, Maria, sorrindo, desvaneceu-se. E Isabel, viu, um dia um soberbo jardim cheio das mais belas e viçosas flores: era ali o lugar em que a divina consoladora, em meio a anjos inumeráveis, fôra levada de volta ao céu nos nos braços do Filho amado. Um anjo explicou a Isabel que tudo aquilo que lhe acontecera era um favor do alto, para sustentá-la nas desventuras pelas quais estava passando.

Sede constante, disse-lhe, que venturas indescritíveis vos serão dadas no céu. Sede fiel e dócil à vontade de Deus, e tereis reservado no alto o que a Maria foi reservado”.

Eis o que a muito doce Mãe de Deus desvendou às puras almas daquelas santas, referente à sua apresentação e estada no templo. Que Deus nos conceda a graça de imitá-la na menor coisa que seja!

(ROHRBACHER Padre, Vida dos Santos: vol. XX, ano 1959, pp. 175-179)

[1] L. I. c. X.

[2] Ver o texto referente a Santa Isabel da Turingia [Hungria].

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *