Oratório São José

SÃO MARTINHO I (12/11)

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SÃO MARTINHO I, Papa e Mártir – 3ª classe

São Martinho nasceu em Todi, cidade da Úmbria, e destacou-se entre o clero de Roma pela sua santidade e saber. Ele era diácono quando o Papa Teodoro I o enviou como “apocrisarius” ou núncio a Constantinopla. Em julho de 649, com a morte de Teodoro, foi escolhido para sucedê-lo no pontificado.

Em outubro do ano seguinte, reuniu um Concílio de Latrão contra aqueles que negavam que Cristo tivesse tido uma vontade humana (monoteletismo). Este Concílio formulou a doutrina ortodoxa das duas vontades e anatematizou a heresia monotelita. Ele também censurou dois éditos imperiais: a “Ektesis” de Heráclio e os “Typos” de Constante; a primeira, porque continha uma exposição da fé que favorecia os monotelistas e a segunda, porque impunha silêncio à questão das duas vontades a ambas as partes. Os Padres do Concílio de Latrão fizeram a seguinte declaração, que parece ser uma citação do Papa Honório I, embora o seu nome não seja mencionado: “O Senhor ordenou-nos a fazer o bem e a condenar o mal, mas não a erradicar o bem e o mal por iguais. Não podemos condenar igualmente o erro e a verdade.” Os decretos do Concílio foram promulgados em todo o Oriente e no Ocidente. São Martinho I exortou os bispos da África, Espanha e Inglaterra a pôr fim ao monotelismo, e nomeou no Oriente um vigário para colocar em vigor as decisões conciliares nos patriarcados de Antioquia e Jerusalém.

Isto incomodou o imperador Constante II, que já havia enviado um exarca a Roma para semear dissensões entre os bispos presentes no Concílio. Como a missão do exarca falhou, Constante enviou Teodoro Kaliopes a Roma com ordens de levar o Papa a Constantinopla. O Papa, então doente, refugiou-se na Basílica de Latrão. Quando Kalliopes e seus soldados invadiram a basílica, encontraram-no caído em frente ao altar. O Pontífice não ofereceu nenhuma resistência. Kalliopes tirou-o secretamente de Roma e obrigou-o a embarcar no Porto. Durante a viagem, que foi muito longa, São Martinho adoeceu gravemente com disenteria. No outono do ano 653, chegou a Constantinopla, onde ficou prisioneiro por três meses. Naquela época ele escreveu em uma carta:

“Há quarenta e sete dias que não posso me lavar, nem mesmo com água fria. Estou exausto, com frio e a disenteria não me permite descansar… A comida que eles dão-me, faz-me dano. Espero que Deus, que sabe tudo, leve meus perseguidores ao arrependimento após minha morte.”

O Senado, perante o qual compareceu o Pontífice, acusado de traição, condenou-o sem se ter dignado ouvi-lo. Como São Martinho apontou aos seus acusadores, a verdadeira causa da sua condenação foi a sua recusa em assinar os “Typos”. Depois de ser maltratado e degradado em público, o que provocou a indignação do povo, São Martinho passou mais três meses na prisão. Finalmente, conseguiu escapar com vida, graças à intercessão do Patriarca Paulo em seu leito de morte, e, em abril de 654, foi exilado para Kherson, na Crimeia.

O Pontífice escreveu um relato sobre a fome que reinava na região, a dificuldade de obtenção de alimentos, a barbárie dos habitantes e o descaso com que o tratavam:

“Fico surpreso com a indiferença daqueles que, tendo-me conhecido antes, se esqueceram tão completamente de mim que nem parecem saber que ainda existo. Fico ainda mais surpreso com a indiferença com que os membros da igreja de São Pedro consideram a sorte de um dos seus irmãos. Se a referida igreja não tem dinheiro, certamente não lhe faltam cereais, azeite e outras provisões, das quais nos poderia enviar uma pequena quantidade. Como é possível que o medo impeça tantos pessoas de cumprirem o mandamento do Senhor de ajudar os necessitados? Dei sinais de ser inimigo da Igreja universal ou deles em particular? Seja qual for o caso, rogo a Deus, por intercessão de São Pedro, que os guarde firme e inabalável na verdadeira fé. Quanto a meu pobre corpo, Deus cuidará dele. Deus está comigo, por que devo me preocupar? Espero em Sua misericórdia que Ele não prolongue minha vida por muito tempo”.

O desejo de São Martinho foi realizado, pois faleceu cerca de dois anos depois. Ele foi o último Pontífice martirizado. Sua festa é celebrada no ocidente em 12 de novembro. No Oriente é comemorado em datas diferentes. A liturgia bizantina o chama de “glorioso defensor da verdadeira fé” e “ornamento da cátedra divina de Pedro”. Um contemporâneo de São Martinho, descreveu-o como um homem de grande inteligência, conhecimento e caridade.

(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 318-319)

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