VI Domingo depois da Epifania
SEXTO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA
MISSA
INTROITO – Adorai a Deus, todos os seus Anjos; Sião ouviu e alegrou-se, e rejubilaram as filhas de Judá.
Salmo: O Senhor reinou, regozije-se a terra; alegrem-se todas as ilhas.
V. Glória ao Pai.
COLETA – Nós Vos suplicamos, ó Deus onipotente, fazei que, meditando sempre o que é razoável, pratiquemos, com palavras e obras, aquilo que Vos agrada. Pelo Senhor.
EPÍSTOLA – Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses.
Irmãos: Damos sempre graças a Deus por todos vós, fazendo sem cessar memória de vós em nossas orações, recordando-nos, diante de Deus e de nosso Pai, da obra de vossa fé, do trabalho, da caridade e da firmeza de vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, sabendo, irmãos amados de Deus, da vossa eleição; porque o nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Vós sabeis, com efeito, o que fomos entre vós por amor de vós. E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra, em meio a muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; de tal modo que vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. Porque não só foi divulgada por vós a palavra do Senhor na Macedônia e na Acaia, mas também a vossa fé em Deus se tornou conhecida em todo lugar, de sorte que não temos necessidade de vos falar disso, pois eles mesmos nos referem a acolhida que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, e para esperar dos céus a volta de seu Filho Jesus — a quem Ele ressuscitou dentre os mortos —, o qual nos livrou da ira vindoura.
O elogio que aqui faz São Paulo da fidelidade dos cristãos de Tessalônica em guardar a fé que haviam abraçado, elogio que a Igreja hoje põe diante de nossos olhos, pareceria antes uma censura para os cristãos de hoje. Entregues até então ao culto dos ídolos, haviam começado com todo fervor a carreira do cristianismo, a ponto de merecerem a admiração do Apóstolo.
Numerosas gerações cristãs nos precederam; fomos regenerados desde o momento de nossa entrada no mundo; mamamos, por assim dizer, com o leite, a doutrina de Jesus Cristo; e, apesar disso, nossa fé está longe de ser tão ardente, e nossos costumes tão puros como os daqueles primeiros fiéis. Sua única ocupação era servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar o advento de Jesus Cristo. Nossa esperança é idêntica à que fazia palpitar seus corações; por que não imitamos a fé generosa de nossos antepassados?
Cativa-nos o encanto do presente. Será que queremos desconhecer a instabilidade deste mundo transitório, e não tememos transmitir às gerações futuras um cristianismo diminuído e infecundo, completamente distinto daquele que Jesus Cristo fundou, daquele que os Apóstolos pregaram, daquele que os pagãos dos primeiros séculos abraçaram ao preço de toda espécie de sacrifícios?
GRADUAL – Senhor, as nações temerão o vosso nome, e todos os reis da terra a vossa glória.
V. Porque o Senhor edificou Sião, e será visto em sua majestade.
ALELUIA – Aleluia, aleluia.
V. O Senhor reinou, regozije-se a terra; alegrem-se todas as ilhas. Aleluia.
EVANGELHO – Continuação do santo Evangelho segundo São Mateus.
Naquele tempo, disse Jesus às multidões esta parábola: O Reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo. Esse grão é, certamente, a menor de todas as sementes; mas, quando cresce, é maior que todas as hortaliças, e torna-se árvore, de modo que os pássaros do céu vêm e fazem ninho em seus ramos. Disse-lhes esta outra parábola: O Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e esconde em três medidas de farinha, até que toda ela fique fermentada. Tudo isto disse Jesus às multidões em parábolas, e não lhes falava sem parábolas, para que se cumprisse o que fora dito pelo Profeta: Abrirei minha boca em parábolas, direi coisas ocultas desde a criação do mundo.
Nosso Senhor nos dá aqui dois símbolos bem expressivos de sua Igreja, que é o seu Reino, e que começa na terra e termina no céu. Qual é esse grão de mostarda, oculto na escuridão do sulco, invisível a todos os olhares, que aparece depois como um germe apenas perceptível e vai crescendo até tornar-se uma árvore? Qual é, senão a Palavra divina, obscuramente semeada na terra da Judeia, sufocada durante algum tempo pela malícia dos homens até ser enterrada em um sepulcro, surgindo depois vitoriosa até se estender pelo mundo inteiro?
Ainda não havia transcorrido um século desde a morte do Salvador, e já sua Igreja contava com membros fiéis para além das fronteiras do Império Romano. Desde então foram ensaiados todos os métodos para arrancar aquela árvore gigantesca: a violência, a política, a falsa ciência perderam seu tempo nisso. A única coisa que conseguiram foi arrancar-lhe alguns ramos; mas a seiva vigorosa da árvore os substituiu imediatamente.
As aves do céu que vêm buscar abrigo e sombra em seus ramos são, segundo interpretam os Padres, as almas que, ansiosas pelo eterno, aspiram a um mundo melhor. Se somos dignos do nome de cristãos, não poderemos deixar de amar essa árvore, e somente sob sua sombra protetora encontraremos segurança e repouso.
A mulher de que se trata na segunda parábola é nossa Mãe, a Igreja. Foi ela que ocultou, no princípio do cristianismo, a divina doutrina na massa da humanidade, como fermento secreto e salutar.
As três medidas de farinha que empregou para fazer um pão agradável são as três grandes famílias da espécie humana, saídas dos três filhos de Noé, dos quais descendem todos os habitantes da terra. Amemos essa Mãe, e bendigamos o fermento celestial, ao qual devemos ser filhos de Deus por sermos filhos da Igreja.
OFERTÓRIO – A destra do Senhor exerceu seu poder; a destra do Senhor me exaltou: não morrerei, mas viverei, e contarei as obras do Senhor.
SECRETA – Nós Vos suplicamos, ó Deus, fazei que esta oblação nos purifique e renove, nos governe e proteja. Pelo Senhor.
COMUNHÃO – Todos se admiravam das palavras que saíam da boca de Deus.
PÓS-COMUNHÃO – Alimentados, Senhor, com estas delícias celestiais, nós Vos suplicamos que façais com que desejemos sempre aquelas coisas que nos dão a verdadeira vida. Pelo Senhor.s


