Oratório São José

Sexta-Feira da IV semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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SEXTA-FEIRA DA QUARTA SEMANA DO ADVENTO

Do profeta Isaías

Escutai a palavra do Senhor, vós que tremeis ao ouvi-la: vossos irmãos, que vos odeiam e vos rejeitam por causa do meu nome, disseram: “Mostre o Senhor a sua glória, e seremos testemunhas da vossa alegria”. Mas serão confundidos.

Vozes, tumulto que sobe da cidade, vozes que saem do templo! É a voz do Senhor: Ele vai dar a seus inimigos segundo os seus merecimentos.

Antes do tempo do parto, ela deu à luz; antes de experimentar as dores, deu à luz um filho. Quem ouviu coisa semelhante? Quem viu coisa parecida?

Nasce uma terra em um só dia, ou é gerada uma nação de uma só vez? Pois Sião deu à luz seus filhos ao sentir as primeiras dores. Abrirei eu o seio materno para que não nasçam, diz o Senhor; ou então o fecharei, eu que os faço nascer?, diz o teu Deus.

Alegra-te, Jerusalém, e todos vós que a amais; seja ela para todos a vossa alegria1.

Enchei-vos de gozo com ela, vós que por ela choráveis, para mamar até vos saciardes do leite de suas consolações; para beber com delícia aos peitos de sua glória.

Porque assim fala o Senhor: sobre ela derramarei a paz como um rio, e a glória das nações como as ondas de uma torrente. Seus filhinhos serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos. Como uma mãe acaricia seu filhinho, assim eu vos consolarei, e sereis consolados por Jerusalém.

Quando virdes tudo isto, vossos corações saltarão de alegria, e vossos ossos reverdecerão como a erva. E a mão do Senhor se fará sentir sobre os seus servos, e sua ira sobre os seus inimigos.

Porque eis que vem o Senhor em meio ao fogo; seu carro é como um turbilhão, para descarregar sua cólera entre brasas e suas ameaças em chamas de fogo. Porque o Senhor julgará todos os mortais pelo fogo e pela espada; e serão muitos os que cairão sob o golpe do Senhor.
(Is., LXVI, 5-16.)

Ó Jesus! Tua presença vai tornar fecunda aquela que era estéril, e a pequenina Sião vai, de repente, dar à luz um povo, para o qual a terra não será suficientemente extensa. Mas a glória desta fecundidade pertence exclusivamente a Ti, ó Verbo divino! O salmista o havia predito: “Ó Jerusalém, ó Rainha — havia dito —, em lugar de teus pais nascer-te-ão filhos; tu os farás príncipes sobre a terra; eles se lembrarão de teu nome no decorrer dos tempos, e os povos, sabendo que saíram de ti, te louvarão pelos séculos dos séculos” (Salmo XLIV). Mas, para isso, era necessário que o Senhor descesse em pessoa.

Só Ele pôde tornar fecunda uma Virgem; só Ele poderá fazer, das pedras, filhos de Abraão. “Dentro de pouco — diz Ele por um profeta —, abalarei o céu e a terra, e moverei todas as nações” (Ageu, II, 8). E por outro: “Desde a aurora até o ocaso, meu nome é grande entre as nações; e eis que em todo lugar se vai oferecer e sacrificar ao meu nome uma vítima pura” (Malaquias, I, 11). Em breve, pois, não haverá senão um só sacrifício, porque o Cordeiro deste Sacrifício vai nascer dentro de pouco. Ora, o sacrifício é o vínculo de união entre os povos: quando o Sacrifício for único, não haverá mais que um só povo.

Ó Igreja, que vais unir-nos a todos, apressa-te em nascer! E, visto que para nós, saídos de ti, já nasceste, roga para que o Cordeiro, teu Esposo, derrame sobre ti esse rio de paz anunciado pelo profeta; para que encha teus peitos de leite abundante, e os povos voltem à Mãe, que os apertará contra o coração e os acariciará sobre os joelhos.

Ó Jesus Cristo! Tu és o inspirador de tal ternura em nossa Mãe; Tu és quem nos consola e ilumina por seu intermédio. Vem visitá-la, vem renovar nela a vida com esse novo Nascimento. Concede-lhe este ano, como sempre, a constância na fé, a graça dos Sacramentos, a eficácia da oração, o dom dos milagres, a sucessão na hierarquia, a firmeza no governo, a fortaleza diante dos príncipes deste mundo, o amor à Cruz, a vitória contra Satanás e a coroa do martírio.

Neste novo ano que vai começar, conserva-a bela como Esposa tua que é; permaneça ela fiel ao teu amor, e cada vez com maior êxito na grande obra que lhe confiaste; porque, de ano em ano, aproxima-se o dia de tua última vinda, quando apareceres, não envolto em panos, mas sobre um carro de fogo, para aniquilar os inimigos de tua Igreja e trasladá-la ao teu Reino eterno.


 

1. Este versículo deu origem ao Introito do Quarto Domingo da Quaresma.

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