Oratório São José

Quinta-Feira da IV semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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QUINTA-FEIRA DA QUARTA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías

Renovareis, Senhor, os antigos prodígios?

Ah! Se, rasgando os céus, descêsseis, fazendo estremecer os montes em vossa presença, como um fogo que devora um bosque seco, como um fogo que faz ferver a água! Que o vosso nome se revelasse a vossos inimigos e tremessem as nações à vossa vista, ao realizardes maravilhas nunca ouvidas nem jamais referidas. Nunca o ouvido ouviu, nem o olho viu um Deus agir de tal maneira em favor daqueles que nele confiam. Vós saís ao encontro dos que praticam o bem e se recordam de vossos caminhos.

Nossos pecados nos afastam de Vós1

Eis que Vos irritáveis, e nós éramos os culpados; todos nós éramos como imundos, e toda a nossa justiça como pano manchado. Havíamos caído como folhas secas, e nossas maldades nos arrastavam como o vento. Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para apoiar-se em Vós. Porque desviastes de nós o vosso rosto e nos entregastes aos nossos pecados. E, apesar de tudo, Vós sois, ó Senhor, nosso Pai; nós somos de argila, e Vós sois o oleiro; obra de vossas mãos somos todos nós.

O castigo é muito duro

Senhor, não Vos irriteis em demasia; não tenhais sempre presentes os nossos pecados. Olhai e considerai que somos o vosso povo. Vossas cidades santas ficaram desertas; Sião é um ermo, Jerusalém um lugar desolado. Nosso santo e glorioso templo, onde nossos pais Vos louvaram, foi presa das chamas. Todas as nossas glórias estão por terra. Ó Senhor! Até quando permanecereis insensível e Vos calareis, humilhando-nos até o extremo?
(Is., LXIV, 1-11.)

Ó Deus de nossos pais! Vinde quanto antes. Vossa cidade querida está desolada! Vinde levantar Jerusalém e vingar a glória de seu templo.

Este é o clamor do Profeta: Vós o ouvistes e viestes libertar Sião do cativeiro e inaugurar para ela uma era de glória e santidade. Viestes, não para destruir a Lei, mas para completá-la; graças à vossa visita, Sião foi transformada e é agora a Igreja, vossa Esposa.

Mas, ó Salvador, ó Esposo, por que afastastes o vosso rosto? Por que esta Igreja, tão querida por Vós, está sentada no deserto, chorando como Jeremias sobre as ruínas do Santuário, como Raquel por seus filhos, porque já não existem? Por que foi entregue sua herança às nações?

Mãe fecunda graças a Vós, ela havia criado numerosos filhos; havia-lhes ensinado, em vosso nome, a ciência da vida presente e da futura; e esses filhos ingratos a abandonaram. Expulsa de nação em nação, viu-se no transe de transportar de um lugar a outro a divina tocha da Fé; seus Mistérios já não são celebrados nos lugares onde outrora os povos gostavam de celebrá-los; e, do alto do céu, podeis ver por toda parte altares destruídos e templos profanados.

Ó, vinde reanimar uma Fé que se apaga! Lembrai-Vos de vossos Apóstolos e de vossos Mártires; lembrai-Vos de vossos Santos, fundadores de Igrejas que as honraram com suas virtudes e milagres; lembrai-Vos, enfim, de vossa Esposa, e sustentai-a na peregrinação que realiza aqui embaixo, até que se complete o número de vossos eleitos.

Sem dúvida, esta Esposa aspira a contemplar-Vos eternamente nos esplendores do dia sem fim; mas o coração de mãe que lhe destes não sabe decidir-se a deixar seus filhos no meio de tantos perigos, enquanto não soar a hora em que cesse a Igreja militante, para dar lugar à Igreja triunfante, inebriada com vossa presença e com vossas eternas carícias.

Mas, ó Salvador, esta hora ainda não soou. Enquanto é tempo, deixai os céus, descei e aproximai-Vos de nós. Conservai nos ramos da árvore essas folhas que o vento da maldade havia desprendido. Fazei com que esta vossa árvore querida lance novos ramos; e que os ramos arrancados por sua culpa, e que já estavam preparados para o fogo, sejam novamente unidos, por vosso poder, a este tronco materno, que se sentiu cruelmente dilacerado no dia da cisão.

Ó Jesus! Vinde à vossa Igreja, que Vos é ainda mais querida do que a antiga Jerusalém.


1. A Igreja explorou abundantemente a passagem que é lida neste dia, para compor o belo cântico do Advento: Rorate caeli desuper.

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