Oratório São José

Sexta-Feira da I semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

0:00

SEXTA-FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA DO ADVENTO

Do Profeta Isaías.

No ano em que morreu o rei Ozias, vi o Senhor sentado sobre um trono sublime e elevado, e as franjas de seu manto enchiam o templo. Diante dele estavam os Serafins. Cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto; com outras duas, os pés; e com as duas restantes voavam. Suas vozes se ouviam em coro, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia de sua glória! (Is., VI, 1-3).

Assim é a glória do Senhor no mais alto dos céus; quem será capaz de contemplá-lo sem morrer? Vede agora o Senhor sobre a terra nos dias em que nos encontramos. Aquele que o céu não podia conter, o seio de uma Virgem O contém. Seu resplendor, longe de deslumbrar os Anjos, mal é perceptível aos mortais. Nenhuma voz faz ouvir aquelas palavras celestiais: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos! Os Anjos não exclamam: Toda a terra está cheia de sua glória, porque a terra é antes o cenário de suas humilhações, de um aniquilamento tão profundo que até os próprios homens o ignoram.

No princípio, somente a Virgem conheceu o segredo divino; depois, Isabel soube que Maria era a Mãe do Senhor; a José isto foi comunicado pela voz do Anjo, depois de cruéis e humilhantes angústias. Três pessoas, por conseguinte, são as únicas que na terra conhecem a descida de Deus sobre ela; por esta obscura vereda entra Ele em sua obra, da qual O havia desterrado um pecado de orgulho.

Ó Deus da antiga aliança, quão grande sois! E como não tremeria em vossa presença? Ó Deus da nova aliança, quão pequeno Vos fizestes! Como não Vos amar? Curai meu orgulho, princípio de todas as minhas rebeliões; ensinai-me a estimar aquilo que Vós estimais. Por vossa Encarnação, recriais o mundo; e nesta criação, mais excelente que a primeira, agis por meio de vosso silêncio, triunfais por meio da humilhação.

Também eu quero humilhar-me como Vós e aproveitar-me das lições que um Deus veio dar-me de tão longe. Abatei, pois, ó Jesus, todas as minhas alturas; esse é um dos fins de vossa vinda. Submeto-me a Vós como a meu soberano Senhor; fazei de mim o que Vos aprouver.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *