Oratório São José

Segunda-Feira da I semana do Advento

Ano Litúrgico - Dom Próspero Gueranger

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SEGUNDA-FEIRA DA PRIMEIRA SEMANA DO ADVENTO

Do profeta Isaías

Lavai-vos, purificai-vos, afastai de meus olhos os vossos maus pensamentos; deixai de fazer o mal, aprendei a praticar o bem, buscai o que é justo, ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão, amparai a viúva. Então vinde e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados vos tenham tornado como a escarlata, ficareis brancos como a neve; e ainda que estejais vermelhos como a púrpura, tornar-vos-eis brancos como a lã1.

(Is., I, 16-18.)

O Senhor, que em breve descerá para nos salvar, convida-nos não somente a preparar-nos para comparecer em sua presença, mas também a purificar as nossas almas. “É justo — diz São Bernardo em seu Sermão VI do Advento — que a alma, que fora a primeira a cair, seja também a primeira a ser restaurada. Deixemos, pois, o cuidado do corpo até o dia em que Jesus Cristo venha reformá-lo pela Ressurreição; e assim, no primeiro Advento, diz-nos o Precursor: Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Não diz as enfermidades do corpo, nem as fraquezas da carne, mas os pecados, que são as enfermidades da alma e a corrupção do espírito. Ó corpo, guarda-te, portanto, de antecipar o tempo. Podes impedir a salvação da alma, mas não podes alcançar a tua própria. Consente, pois, que a alma trabalhe por si, e procura ainda cooperar com ela; porque, se participas de seus sofrimentos, também participarás de sua glória. Quanto mais retardares a sua renovação, tanto mais retardas a tua; pois, até que Deus veja a sua imagem reformada na alma, tampouco tu serás regenerado.”

Purifiquemo-nos, pois, cristãos; pratiquemos as obras do espírito, e não as da carne. A promessa do Senhor é bem explícita: Ele substituirá as cores vivas de nossos pecados pela mais deslumbrante brancura. Uma só coisa nos pede: que cessemos de cometer o pecado. Deixai de fazer o mal, diz Ele; e depois: vinde e falaremos. Ó Salvador, queremos aproveitar os teus conselhos desde o começo deste santo tempo. Queremos começar em paz contigo, submetendo a carne ao espírito, reparando as nossas injustiças para com nossos irmãos e fazendo-te ouvir a voz de nosso arrependimento, em lugar do tumulto de nossos pecados, que há tanto tempo molesta os teus ouvidos.


 

1. Como o vermelho é a cor do sangue, representa o crime; enquanto a brancura da neve e da lã é um símbolo de inocência. No Apocalipse, a mulher pecadora está vestida de púrpura e escarlate (17, 4); em contraste, os santos brilham em suas vestes brancas (3, 4-5; 7, 14). Aqui podemos ver a misericórdia de Deus, pronto para perdoar os maiores crimes, e a eficácia de sua justificação, que purifica a alma de suas impurezas, restaurando-lhe o brilho e o esplendor de sua inocência. (Tobac, “Os Profetas de Israel”, II, 17.)

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