XVIII Domingo depois de Pentecostes
XVIII DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
O paralítico que leva o seu leito é o tema do Evangelho do dia e dá nome a este Domingo. Pôde-se notar que o lugar deste Domingo vem, no Missal, logo depois das Quatro Têmporas do outono. Não vamos discutir com os liturgistas da Idade Média se se deve considerá-lo como ocupando o lugar do Domingo vacante que antigamente seguia sempre a ordenação dos ministros sagrados, conforme dissemos em outro lugar1. Manuscritos antiquíssimos, Sacramentários e Lecionários o chamam por esse nome, empregando a fórmula bem conhecida: Dominica vacat2.
É também digno de nota que a Missa deste dia é a única em que se inverteu a ordem das leituras tiradas de São Paulo, que formam as Epístolas desde o sexto Domingo depois de Pentecostes: a carta aos Efésios, já iniciada e que será continuada, interrompe-se hoje para dar lugar à passagem da primeira Epístola aos Coríntios, na qual o Apóstolo dá graças pela abundância dos dons gratuitos concedidos à Igreja em Jesus Cristo. Ora, os poderes que a imposição das mãos conferiu aos ministros da Igreja são o dom mais maravilhoso que conhecem o céu e a terra; e, além disso, as diversas partes desta Missa se referem muito bem, como se verá, às prerrogativas do novo sacerdócio.
A liturgia do presente Domingo oferece, pois, especial interesse quando vem logo depois das Quatro Têmporas de setembro. Mas não é ordinário, ao menos por ora, que isso aconteça; e assim não queremos deter-nos mais nessas considerações, para não entrar demasiadamente no campo da arqueologia e ultrapassar os limites fixados.
MISSA
Desde Pentecostes, o Introito das Missas dominicais tem sido sempre tomado dos salmos. Percorrendo o Saltério desde o salmo doze até o cento e dezoito, a Igreja, sem mudar a ordem desses cânticos sagrados, pôde escolher neles a expressão mais conveniente aos sentimentos que desejava formular em sua Liturgia.
Daqui em diante, as antífonas do Introito serão tomadas dos diversos livros do Antigo Testamento, salvo uma vez em que se empregará novamente o livro por excelência do louvor divino. Hoje, Jesus, filho de Sirac, o autor inspirado do Eclesiástico, pede a Deus que justifique a fidelidade dos profetas do Senhor3 mediante o cumprimento daquilo que anunciaram. Os intérpretes dos oráculos divinos são agora os pastores das almas, a quem a Igreja envia para pregar, em seu nome, a palavra da salvação e da paz; peçamos também nós que a palavra jamais seja vã em sua boca.
INTROITO – Dai paz, Senhor, aos que esperam em vós, para que sejam achados verazes os vossos profetas: escutai a prece do vosso servo e do vosso povo Israel. — Salmo: Alegrei-me com o que me foi dito: Iremos à casa do Senhor. ℣. Glória ao Pai.
O meio mais seguro de obter a graça é sempre a humilde confissão de nossa impotência para agradar ao Senhor por nós mesmos. A Igreja continua a dar-nos, em suas coletas, fórmulas admiráveis.
COLETA – Nós vos suplicamos, Senhor, fazei que a obra da vossa misericórdia dirija os nossos corações; porque sem vós não podemos agradar-vos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
EPÍSTOLA – Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Coríntios.
Irmãos: Dou sempre graças ao meu Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; porque fostes enriquecidos n’Ele em tudo, em toda palavra e em toda ciência, tendo sido assim confirmado em vós o testemunho de Cristo; de modo que já não vos falta graça alguma, enquanto esperais a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual também vos confirmará até o fim, para que sejais sem mancha no dia da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.
SENTIMENTOS DA IGREJA
A última vinda do Filho de Deus já não está longe. A iminência do desenlace que deve dar à Igreja a plena posse do Esposo duplica suas esperanças; mas o juízo final, que consumará ao mesmo tempo a reprovação de grande número de seus filhos, une nela o temor ao desejo, e esses dois sentimentos dominarão cada vez mais na Sagrada Liturgia.
A esperança nunca deixou de ser algo essencial na existência da Igreja. Privada de contemplar a divina beleza do Esposo, ela nada teria feito, desde que Ele nasceu, senão suspirar no vale do desterro, se o amor que nela arde não a tivesse obrigado a gastar-se, sem olhar para si mesma, por Aquele para o qual se dirigia todo o seu coração.
Entregou-se, pois, sem medida ao trabalho, ao sofrimento, à oração e às lágrimas. Mas sua abnegação, por mais generosa que seja, não fez com que se esquecesse do objeto de suas esperanças. Um amor sem desejos não é virtude para a Igreja; ela o condena em seus filhos como uma injúria ao Esposo. Suas aspirações, desde o princípio, eram tão legítimas e, ao mesmo tempo, tão veementes, que a eterna Sabedoria quis olhar pela Esposa, ocultando-lhe a duração do desterro.
O único ponto sobre o qual Jesus se negou a informar sua Igreja, quando os Apóstolos lhe perguntaram4, foi a hora de sua vinda. Tal segredo entrava nos planos gerais do governo divino sobre o mundo; mas, da parte do Homem-Deus, era também compaixão e carinho: a prova teria sido demasiado cruel; e era melhor deixar a Igreja com a ideia, também verdadeira, da proximidade do fim, pois diante de Deus mil anos são como um dia5.
ESPERAR AQUELE QUE VEM
Isto nos explica a complacência com que os Apóstolos, intérpretes das aspirações da Santa Madre Igreja, insistem continuamente, em suas palavras, na afirmação da vinda próxima do Senhor. O cristão espera a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo no dia em que Ele vier, como nos acaba de dizer São Paulo duas vezes numa mesma frase.
Aplicando à segunda vinda os suspiros inflamados dos profetas que ansiavam pela primeira 6, diz ele em sua carta aos Hebreus: Ainda um pouco, pouquíssimo tempo, e Aquele que há de vir virá e não tardará7. E, com efeito, tanto na Nova como na Antiga Aliança, o Homem-Deus é chamado, em razão de sua manifestação final esperada, Aquele que vem, Aquele que há de vir8. O brado que porá fim à história do mundo será o anúncio de sua chegada: Eis que vem o Esposo!9 “Cingindo, pois, espiritualmente os vossos rins — diz São Pedro —, pensai na glória do dia em que o Senhor será revelado; esperai-o, aguardai-o com santa esperança”10.
O MILAGRE
Porque há de ser grande o perigo nos últimos dias, em que as virtudes dos céus se abalarão11, o Senhor, como diz a Epístola, cuidou de confirmar em nós o seu testemunho, de fortalecer a nossa fé pelas múltiplas manifestações de seu poder. E, como para cumprir esta outra palavra da mesma Epístola, de que Ele confirmará desse modo até o fim os que creem n’Ele, seus prodígios se multiplicam em nossos tempos precursores do fim.
O milagre se dá, com efeito, por toda parte e à vista do mundo; as mil vozes da publicidade moderna levam seus ecos até as extremidades da terra. Em nome de Jesus, em nome dos santos, sobretudo em nome de sua Mãe Imaculada, que prepara o último triunfo da Igreja, os cegos veem, os coxos andam, os surdos ouvem, os males do corpo e da alma perdem repentinamente o seu império.
A manifestação do poder sobrenatural tornou-se tão intensa que até os serviços públicos, hostis ou não, têm de levá-la em conta; até o traçado das ferrovias se sujeita à necessidade de conduzir os povos aos lugares benditos onde Maria se manifestou. Em vão diz o ímpio em seu coração: Não há Deus!12 Se não compreende o testemunho divino, é porque a corrupção ou o orgulho prevalece nele sobre a inteligência.
AÇÃO DE GRAÇAS
Devemos empenhar-nos em dar graças a Deus pela misericordiosa liberalidade de que deu provas para conosco. Seus dons gratuitos jamais foram mais necessários do que em nossos tempos calamitosos. Já não se trata, certamente, de promulgar entre nós o Evangelho; mas os esforços do Inferno contra ele chegaram a tal ponto que, para defendê-lo, é necessária uma profusão da virtude do alto, semelhante de algum modo àquela descrita na história das origens da Igreja.
Peçamos ao Senhor que nos conceda homens poderosos em palavras e obras. Procuremos alcançar que a imposição das mãos produza hoje, mais do que nunca, nos eleitos para o sacerdócio, todo o fruto desejado; que essa imposição os enriqueça em tudo e, de modo especial, na palavra e na ciência.
Hoje, quando tudo parece decair, veja-se ao menos brilhar, viva e pura, a luz da salvação, graças aos cuidados que os pastores dispensam ao rebanho de Cristo. Não consigam as vilezas nem as transações das gerações decadentes; não consigam jamais ver diminuídos em número ou em santidade estes novos Cristos, ou que em suas mãos se encurte a medida do homem perfeito13, que lhes foi confiada para aplicá-la até o fim a todo cristão zeloso de viver segundo o Evangelho.
Ressoe a sua voz por toda parte, tão viril e vibrante como convém aos que são eco do Verbo; e, não fazendo caso de inúteis ameaças, domine sempre o tumulto das paixões desenfreadas.
A Igreja torna a repetir no Gradual o versículo do Introito, para celebrar novamente a alegria do povo cristão ao saber que está próxima a sua entrada na casa do Senhor. Essa casa é o céu, onde entraremos no último dia atrás de Jesus triunfador; é também o templo onde se oferece aqui embaixo o Sacrifício, e no qual nos introduzem os representantes do Homem-Deus, depositários do seu sacerdócio.
GRADUAL – Alegrei-me com o que me foi dito: Iremos à casa do Senhor.
℣. Haja paz dentro dos teus muros, e abundância em tuas torres.
Aleluia, aleluia.
℣. As nações temerão o vosso nome, Senhor, e todos os reis da terra a vossa glória. Aleluia.
EVANGELHO – Continuação do santo Evangelho segundo São Mateus.
Naquele tempo, tendo Jesus subido a uma barca, passou o mar e foi à sua cidade. E eis que lhe apresentaram um paralítico deitado num leito. E, vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: Tem confiança, filho, os teus pecados te são perdoados. E eis que alguns dos escribas disseram consigo: Este blasfema! E Jesus, tendo visto os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te e anda? Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar os pecados, disse então ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. E ele se levantou e foi para sua casa. E, vendo isto, as multidões temeram e glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens.
DEVERES DOS PASTORES
No século XII lia-se hoje como Evangelho, em muitas Igrejas do Ocidente, a passagem do livro sagrado que trata dos escribas e fariseus que se sentaram na cátedra de Moisés14.
O Abade Ruperto, que nos dá a conhecer essa particularidade em seu livro Dos Divinos Ofícios, mostra com acerto a relação que há entre esse Evangelho e a antífona do Ofertório que ainda hoje se diz, na qual também se fala de Moisés.
“O Ofício deste Domingo — diz ele — mostra com eloquência àquele que preside na casa do Senhor e recebeu a cura de almas como deve portar-se no elevado posto em que a vocação divina o colocou. Não se assemelhe àqueles homens que se sentaram indignamente na cátedra de Moisés; ao contrário, assemelhe-se a Moisés, o qual apresenta no Ofertório e em seus versículos um modelo acabado aos chefes da Igreja. Os pastores de almas não devem ignorar, com efeito, por que razão ocupam um lugar mais elevado: a saber, não tanto para governar como para servir”15.
O Homem-Deus dizia dos doutores judeus: Fazei o que eles vos dizem; mas o que eles fazem, guardai-vos bem de fazer; porque dizem bem o que se deve fazer, mas não fazem nada do que dizem. Ao contrário desses indignos depositários da lei, os que se sentam na cátedra da doutrina “devem ensinar e agir conforme os seus ensinamentos — diz Ruperto —; ou melhor, façam primeiro o que devem fazer, para depois poderem ensinar com autoridade; não busquem honras nem títulos, mas tenham em vista somente este único fim: carregar sobre si os pecados do povo e afastar a cólera de Deus daqueles confiados à sua solicitude pastoral, como fez Moisés, segundo se nos diz no Ofertório”16.
PODERES DOS PASTORES
O Evangelho dos escribas e fariseus sentados na cátedra de Moisés foi mais tarde reservado para a terça-feira da segunda semana da Quaresma. Mas aquele que hoje se lê em toda parte não afasta o nosso pensamento da consideração dos excelsos poderes do sacerdócio, que são um bem comum de toda a linhagem humana, redimida por Jesus Cristo.
Antigamente, os fiéis fixavam neste dia sua atenção no direito de ensinar concedido aos pastores; hoje meditam na prerrogativa que estes mesmos homens têm de perdoar os pecados e curar as almas.
Assim como uma conduta que estivesse em contradição com aquilo que ensinam não diminuiria em nada a autoridade da cátedra sagrada, da qual dispensam à Igreja e, em seu nome, a seus filhos o pão da doutrina, do mesmo modo a indignidade de sua alma sacerdotal também não diminuiria em suas mãos, nem minimamente, o poder das augustas chaves que abrem o céu e fecham o Inferno. E é natural que assim suceda, já que é o Filho do homem, Jesus Cristo, quem por seu intermédio livra de suas culpas os homens, seus irmãos e criaturas, Ele que, carregando as misérias humanas, mereceu para todos nós, com o seu sangue, o perdão dos pecados17.
O PERDÃO DOS PECADOS
A Igreja sempre sentiu prazer em recordar este episódio da cura do paralítico, que ofereceu a Jesus ocasião de afirmar o seu poder de perdoar os pecados como Filho do homem. Com efeito, desde os princípios do cristianismo, os hereges negaram à Igreja o poder que ela havia recebido de sua divina Cabeça de perdoar os pecados em nome de Deus; isto equivalia a condenar à morte eterna um número incalculável de cristãos que, tendo infelizmente caído em pecado depois do batismo, só podem ser reabilitados pelo Sacramento da Penitência.
Mas que tesouro pode uma mãe defender com maior empenho do que aquele que traz consigo o remédio para a vida de seus filhos? A Igreja, pois, teve de anatematizar e expulsar de seu seio esses fariseus da nova lei que, como seus pais do judaísmo, desconheciam a misericórdia infinita e a amplitude do grande mistério da Redenção.
Como Jesus na presença de seus contraditores, os escribas, assim também a Igreja, em prova de suas afirmações, havia operado um milagre visível na presença dos sectários; mas não foi mais feliz que o Homem-Deus em convencê-los da realidade do milagre da graça que suas palavras de remissão e de perdão operavam de modo invisível.
A cura externa do paralítico foi ao mesmo tempo imagem e sinal da cura de sua alma antes reduzida à miséria; mas representava também outro enfermo: o gênero humano que, havia séculos, jazia imóvel em seu pecado. O Homem-Deus já havia deixado esta terra quando a fé dos Apóstolos operou este primeiro prodígio de levar aos pés da Igreja o mundo envelhecido em sua enfermidade.
A Igreja, então, vendo o gênero humano dócil ao impulso dos mensageiros do céu e já participante de sua fé, encontrou para ele, em seu coração de mãe, a palavra do Esposo: Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados. No mesmo instante, e de modo visível, o mundo se levantou de seu leito ignominioso, causando admiração à filosofia cética e confundindo o furor do Inferno; para demonstrar bem que havia recuperado suas forças, foi visto carregando sobre os ombros, por meio da penitência e do domínio das paixões, o leito de seus desfalecimentos e de sua enfermidade, no qual por tanto tempo o haviam retido o orgulho, a carne e a avareza.
Desde então, fiel à palavra do Senhor que a Igreja lhe repetiu, ele caminha para sua casa, o Paraíso, onde o esperam as alegrias fecundas da eternidade. E a multidão das turbas angélicas, ao ver na terra semelhante espetáculo de renovação e santidade18, enche-se de admiração e glorifica a Deus, que deu tal poder aos homens.
MOISÉS, MODELO DOS SACERDOTES
O Ofertório recorda o altar figurativo que Moisés ergueu para receber as oblações da lei de esperança, que anunciavam o grande Sacrifício neste momento presente aos nossos olhos. Depois da antífona, colocamos os versículos que estiveram em uso antigamente. Moisés se mostra aqui, em verdade, como o tipo dos profetas fiéis que saudávamos no Introito, como o modelo dos verdadeiros chefes do povo de Deus, que se entregam inteiramente a obter para seus governados a misericórdia e a paz.
Deus luta com eles e deixa-se vencer; em troca de sua fidelidade, admite-os às manifestações mais íntimas de sua luz e de seu amor. O primeiro versículo nos mostra o sacerdote em sua vida pública de intercessão e de sacrifício em favor dos outros; o segundo nos revela sua vida privada, que se alimenta da contemplação.
Não nos devemos admirar da extensão desses versículos; sua execução pelo coro dos cantores excederia hoje, e muito, o tempo que dura a oferta da hóstia e do cálice, mas é preciso levar em conta que antigamente toda a assembleia participava da oblação do pão e do vinho necessários ao Sacrifício.
Igualmente, as poucas linhas a que hoje se reduz a Comunhão, nos antifonários antigos, eram a antífona de um salmo assinalado para cada dia; desse salmo se tomava a antífona, a não ser que fosse tomada de outro livro da Escritura, caso em que já não se voltava ao salmo do Introito; cantava-se o salmo, repetindo-se a antífona depois de cada versículo, enquanto durava a participação comum no banquete sagrado.
OFERTÓRIO – Moisés consagrou o altar ao Senhor, oferecendo sobre ele holocaustos e imolando vítimas; ofereceu o sacrifício vespertino, em odor de suavidade, ao Senhor Deus, diante dos filhos de Israel.
℣. I. O Senhor falou a Moisés, dizendo-lhe: Sobe para estar comigo no monte Sinai, e permanecerás de pé em seu cume. Levantando-se Moisés, subiu ao monte onde Deus o havia chamado; e o Senhor desceu até ele numa nuvem e esteve em sua presença. Moisés, ao vê-lo, prostrou-se e o adorou, dizendo: Senhor, eu vos suplico, perdoai os pecados do vosso povo. E o Senhor lhe respondeu: Farei segundo os teus desejos.
Então Moisés ofereceu o sacrifício vespertino.
℣. II. Moisés orou ao Senhor e disse: Se achei graça diante de vós, mostrai-vos a mim às claras, para que eu possa contemplar-vos. E o Senhor lhe falou nestes termos: Nenhum homem que me veja poderá viver; mas fica no alto do rochedo: minha mão direita te cobrirá quando eu passar; e quando eu tiver passado, retirarei minha mão, e então verás a minha glória, ainda que a minha face não te será mostrada; porque sou o Deus que realiza na terra coisas maravilhosas.
Então Moisés ofereceu o sacrifício vespertino.
A sublime eloquência da Secreta excede todo comentário. Penetremo-nos da grandeza dos ensinamentos tão admiravelmente resumidos em tão poucas palavras; compreendamos que nossa vida e nossos costumes devem ter algo de divino, se hão de corresponder aos mistérios que se revelaram à nossa inteligência e se incorporam a nós no augusto comércio do Sacrifício.
SECRETA – Ó Deus, que, por meio do venerável comércio deste Sacrifício, nos fazeis participantes da única e suma Divindade: fazei, nós vos suplicamos, que, assim como conhecemos a vossa verdade, assim a vivamos com dignos costumes. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
A antífona da Comunhão se dirige aos sacerdotes e, ao mesmo tempo, a todos nós; pois, se o sacerdote oferece a vítima santíssima entre todas, nós não devemos apresentar-nos com ele nos átrios do Senhor sem levar, para uni-la à hóstia divina, esta outra vítima que somos nós mesmos; assim cumpriremos a palavra do Senhor: Não vos apresentareis diante de mim com as mãos vazias19.
COMUNHÃO – Tomai hóstias e entrai em seus átrios: adorai o Senhor em sua santa casa.
Ao dar graças na Pós-comunhão pelo dom inestimável dos Mistérios, peçamos ao Senhor que nos torne cada vez mais dignos.
PÓS-COMUNHÃO – Nós vos damos graças, Senhor, fortalecidos com este dom sagrado, e suplicamos à vossa misericórdia que nos torne dignos de continuar participando dele. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.
1. Adviento Sábado de las Cuarto Témporas.
2. Thomasii, Ed Vezzosi, t. V. pp. 148, 149, 309.
3. Ecl. 36, 18.
4. Mt. 24, 3, 36.
5. II Pe. 3, 8.
6. Hab. 2, 3.
7. Hb. 10, 37.
8. Ap. 1, 8.
9. Mt. 25, 6.
10. I Pe. 1, 5, 7, 13.
11. Mt. 24, 29.
12. Sl. 13, 1.
13. Ef. 4, 13.
14. Mt. 23, 1-12.
15. De los Oficíios Divinos, 12, 18.
16. De los Oficíios Divinos, 12, 18.
17. Hb. 2, 10-18.
18. Lc. 5, 26.
19. Ex. 23, 15.


